ANO: 25 | Nº: 6236
05/02/2019 Cidade

Amor em dose dupla

Foto: Tiago Rolim de Moura

Daiane e Bruna são gêmeas univitelinas
Daiane e Bruna são gêmeas univitelinas

A ligação entre as irmãs Daiane e Bruna Perez Fernandes é ainda maior que um elo fraternal. Há 33 anos, as duas dividiram o mesmo útero e a mesma gestação e, desde então, tem dividido sentimentos e estados físicos. Agora, para tornar tangível essa ligação, as duas ficaram grávidas quase juntas. Ambas trazendo ao mundo gêmeas.
Bruna aguarda a chegada de Dandara e Odara para a segunda quinzena de março. Já as pequenas Manuela e Giovana se adiantaram e Daiane deu à luz em novembro, enquanto a previsão era de nascimento em janeiro.
As duas gestações foram planejadas pelas irmãs. Daiane, já mãe de Rodrigo, de nove anos, tentava uma menina. Já Bruna conta que após algumas conversas com o marido, decidiu parar de tomar o anticoncepcional para iniciar as tentativas de engravidar. Dois meses depois, descobriu a chegada das gêmeas.
Mas antes mesmo de engravidar, Bruna conta que já sentia os desconfortos de uma gestação e já sabia o que esperar durante os nove meses. "Essa coisa de que gêmeas sentem o que a outra está sentindo é real. Na primeira gravidez da Daiane, eu sentia todos os enjoos dela. Quando o Rodrigo nasceu eu estava na praia, mas mesmo assim me senti muito mal, com muita dor e sabia que algo estava acontecendo. Em seguida recebi a ligação avisando sobre o nascimento dele", relata.
E essa ligação entre as duas também se mostrou presente durante a segunda gestação de Daiane, mesmo que de uma forma completamente inesperada. "Comecei a sentir muito enjoo de novo e achei que fosse por causa da gravidez da Daiane. Até pensava que estava mais forte dessa vez porque eram gêmeas. Nem imaginava que também eram sintomas da minha própria gravidez porque eu só tinha parado de tomar o anticoncepcional há dois meses. Mas aí meu corpo começou a mudar e eu percebi o que estava acontecendo", relembra.
A irmã Daiane conta que após saber que esperava gêmeas, imaginou que o mesmo poderia acontecer com a irmã, sem dar ouvidos ao ditado popular que afirma que a propensão a ter filhos gêmeos pula uma geração. "Não pulou uma geração e ainda veio em dobro", brinca Daiane. "Quando ela me ligou para contar, falou: "tu não vai acreditar..." e eu falei: "é gêmeos, né?", recorda.
Além disso, as irmãs também compartilham semelhanças na gestação. Tanto as gêmeas Manuela e Giovana quanto as primas Dandara e Odara são gêmeas bivitelinas, diferente da gravidez univitelina, que trouxe ao mundo Bruna e Daiane, gêmeas idênticas. Na gravidez bivitelina, acontece a fecundação de dois óvulos por dois espermatozoides que carregam material genético diferente um do outro, assim como o de um óvulo é diferente do outro.
Mas enquanto Bruna está levando à frente uma gravidez tranquila, Daiane teve complicações no sétimo mês. "Fiz uma doppler (tipo de ultrassonografia) e o médico percebeu que a Giovana estava com pouco fluxo sanguíneo no cordão umbilical. Refiz o exame e desta vez apareceu baixo fluxo para as duas e os sinais vitais das gêmeas estavam caindo. Então a médica me encaminhou para uma cesariana de emergência", conta.
Após o nascimento, Giovana e Manuela permaneceram por 19 dias na UTI Neonatal da Santa Casa de Caridade, para ganhar peso (Manuela veio ao mundo com 1,910 kg e Giovana com 1,905 kg). "Foi um sufoco. Só quem passa por isso sabe o horror que é. Mas agora elas estão aí, lindas e fortes", diz Daiane, enquanto olha as duas pequenas que dormem tranquilamente, uma no colo da mãe e outra sobre o barrigão de Bruna.
A chegada adiantada das meninas, inclusive, possibilitou o "treinamento" de Bruna enquanto aguarda a chegada de Dandara e Odara. "Eu praticamente faço um tutorial com elas. Vira e mexe elas ficam aqui comigo enquanto a Daiane sai. É bem tranquilo, mas, claro, não sei como vão ser as minhas, se vão ser calmas assim", aponta a mãe de primeira viagem.
O conhecimento das mães sobre a ligação entre gêmeas já é posto à prova. "Eu vou saber lidar com sentimento das gurias. As pessoas acham que é frescura essa ligação, mas eu sei que não é. Uma vez a Daiane engoliu um prego e quem caiu de cama fui eu. Minha mãe me levou para o médico e ele disse que eu não tinha nada. Enquanto a Daiane não colocou o prego para fora, eu fiquei muito mal, fiquei com a boca cheia de ferida. Ela colocou o prego para fora e eu melhorei na hora", relembra.
A própria Daiane, que também guarda histórias da ligação com a irmã (como, por exemplo, soube dos três acidentes de moto de Bruna antes que alguém contasse) já vê semelhanças no comportamento de Manuela e Giovana. " De manhã elas acordam, se olham e ficam rindo e conversando uma com a outra, como se entendessem. Tenho certeza que elas vão ter a mesma ligação que eu tenho com a Bruna", garante.
E as irmãs também apostam que as quatro serão grandes amigas, quase "quadrigêmeas". "Elas vão ter pouco tempo de diferença, então vão aprender tudo juntas. Parece que elas já tem uma ligação agora. A Bruna pega a Giovana no colo e as gurias dela se agitam na barriga e começam a chutar. Parece que sabem quem está ali", conta.

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