ANO: 25 | Nº: 6208

Dilce Helena Alves Aguzzi

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Psicóloga
05/02/2019 Dilce Helena Alves Aguzzi (Opinião)

Converse sobre bullying com seus filhos

O ano letivo está prestes a iniciar e se vê muita movimentação a respeito de preparação de materiais escolares, didáticos, uniformes, matrículas, rematrículas e etc. E quase nada sobre a preparação emocional para enfrentar mais uma etapa de convívio.

Poucos locais reúnem tantos ingredientes que despertam bons e maus sentimentos ao mesmo tempo quanto a escola. O fato de agrupar tantas pessoas diferentes e fazê-las conviver, independente de afinidade, salienta o quanto divergente, além de distinto, o ser humano pode ser. Essas questões tanto possibilitam auxiliar o aprendizado do respeito às diferenças como também podem servir de base para o aparecimento de práticas de intolerância ou humilhação.
Nunca foi novidade que a escola pode ser um local de grandes conquistas e alegrias, mas também de sofrimento. Muitas memórias dolorosas e histórias de autoestima doentia são vivenciadas e reforçadas no ambiente escolar. Novos são os métodos empregados, o grau e a intensidade aliados a uma capacidade nunca antes vista de divulgação de formas de crueldade, deboche, exclusão e pseudodiversão às custas da dor emocional de outra pessoa.
A instituição escolar corre atrás para estar adaptada e preparada para essa demanda, mas a família deve participar preparando indivíduos mais empáticos, honestos e éticos em todas as idades. É do núcleo familiar o dever de levar para a escola pessoas menos egoístas.
Em qualquer idade, também no início do ano, deve ser preparada a atmosfera emocional da criança e do adolescente em termos de responsabilidade com os próprios sentimentos e dos outros. Como é possível que tenhamos paciência para enfrentar filas enormes para comprar material ou identificá-los, objeto por objeto com o nome de nossos filhos, e nunca tivemos tempo para perguntar como se sentem em relação a seus colegas? "Se existe alguém que sofre no seu círculo de convivência, o porquê, e se existe prática que diminui, ridiculariza ou exclui algum colega?"
Muitos casos de depressão, inclusive com desfecho trágico, como suicídio, automutilação e outros sofrimentos psíquicos, tem em grande parte das vezes sua origem no bullying escolar. Sendo assim, ler a respeito, buscar informação, conversar em casa, ouvir a opinião dos filhos, aproximar-se do que estão pensando e o que estão conversando com seus amigos e como estão se relacionando entre si pode ser a chave que falta para desvendarmos porque esses casos estão crescendo tanto. Casos de sofrimento profundo vivenciados próximos de nós e, não raro, passam despercebidos tanto pela equipe escolar quanto pelos familiares dos agressores e das vítimas. Questione a equipe escolar se existe um programa adequado, atualizado e continuado de prevenção, bem como enfrentamento dessa situação e de que forma as famílias podem contribuir com essas ações.
Fazer da escola um lugar de aprendizados significativos não somente das disciplinas formais, mas, principalmente de cidadania e do respeito às individualidades e promoção de saúde mental deve ser responsabilidade de todos.

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