ANO: 25 | Nº: 6207

João L. Roschildt

joaoroschildt.jornalminuano@outlook.com
Advogado e professor do curso de Direito da Urcamp
07/02/2019 João L. Roschildt (Opinião)

Fatos

Um esquerdista padrão foge de um fato como o diabo foge da cruz. Aliás, é curioso ver como os que comungam da ampla seita do progressismo também costumam se afastar das cruzes, apesar de existirem inúmeros infiltrados. O ranço contra fatos nasce de dois amores: ideologia e relativismo. Nada é tão corrosivo a abstrações que imaginam um mundo perfeito como a realidade; não há peçonha maior do que apresentar a verdade a quem não crê em sua existência.

Em tempos de “Escola sem Partido”, não foram poucas as vezes em que se viu a afirmação de que não há aparelhamento ou doutrinação ideológica no sistema de ensino. Contrariar isso, de acordo com o “ultrapop-intelectual” Leandro Karnal, seria próprio de uma direita ultraconservadora. Para essa visão, em outros termos, apregoar que exista doutrinação em sala de aula equivale à defesa de teorias conspiratórias absurdas.

Todavia, essa tentativa de impermeabilização por parte do progressismo não resiste ao embate com os fatos. Na busca desenfreada pela manipulação da cultura, seguindo os ditames de Gramsci, o esquerdismo tenta negar aquilo que é explícito dentro de nosso sistema de ensino.

E não faltam evidências ou exemplos de doutrinação, sejam em acontecimentos em salas de aula ou até mesmo em livros didáticos, que são verdadeiros panfletos políticos. Qualquer pesquisa na internet pode mostrar isso. Mas ainda existem situações mais patéticas que apontam para o caos em que estamos inseridos.

Em 28/01/2019, no 38º Congresso do Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (ANDES – SN), realizado em Belém, no Pará, foi entoado e cantado o hino “A internacional”, famoso por representar as ideias comunistas, socialistas e anarquistas, e que foi adotado como canção “oficial” da antiga URSS entre 1922 e 1944. De acordo com o site do ANDES – SN, existem cerca de 70 mil professores sindicalizados entre instituições de nível superior, básico, técnico e tecnológico. Ou seja, há boa representatividade.

O expressivo número de presentes cantarolou aquela música de punho cerrado e, ao término, clamaram: “Lula livre! Lula livre! Lula livre!”. Em documento gerado pelo evento, há a deliberação de que se deve “organizar a resistência contra Bolsonaro”, mobilizar-se contra “os ataques reacionários” do projeto “Escola sem Partido”, que é resultado de visões “clericais e obscurantistas”, assim como a determinação de que se deva fazer uma “articulação da produção acadêmico-universitária em sintonia com as lutas dos Movimentos Sociais, Centrais Sindicais e Entidades Representativas”. Ou seja, alguém ainda duvida ou nega que há uma doutrinação política com propósitos alicerçados no amplo pensamento de esquerda?

O fato de um fato aniquila as “conscientes” consciências. Submete o ser humano ao seu grande destino: o uso da razão. Por isso, a contínua deturpação (ou negação) da realidade por parte da esquerda política é a chave que possibilita a manutenção dos indivíduos em situação de escravidão mental. Como disse o grande expoente da esquerda nacional, José Dirceu, em lançamento de seu livro de memórias, no final do ano passado, “a pior ameaça que nós vamos viver é a Escola sem Partido, porque a cultura e a educação é onde estão as mentes e os corações, e ele [Bolsonaro] não tem controle sobre isso”. É um fato!

Deixe seu comentário abaixo

Outras edições

Carregando...