ANO: 25 | Nº: 6378
07/02/2019 Segurança

Polícia Civil conclui investigação de tentativa de homicídio contra um bebê de dois meses

Foto: Divulgação

Pai do menor já havia sido preso
Pai do menor já havia sido preso

Os pais de um bebê de dois meses foram indiciados, na tarde de ontem, após investigação e conclusão do inquérito que apurou uma tentativa de homicídio qualificado contra a criança. A investigação do fato, ocorrido no dia 28 de janeiro, ficou com a Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam) e da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco).

O pai do bebê está preso e a mãe está respondendo o processo em liberdade, em virtude de estar amamentando. O bebê segue internado na Unidade de Tratamento Intensivo Pediátrica (UTI) da Santa Casa de Caridade de Bagé, em estado grave, mas estável.

O fato ocorreu no bairro Getúlio Vargas, em Bagé, durante a tarde do dia 28 de janeiro deste ano. Conforme constou no registro da ocorrência policial, no final da tarde do dia 29 de janeiro, a mãe do menino foi até a Delegacia de Polícia de Pronto Atendimento (DPPA) comunicar que, no dia anterior, estava tomando banho e deixou o menor com o pai, na sala da casa, dentro do carrinho de bebê e que quando saiu do banho o carrinho estava na rua, em frente à residência, e o pai não estava no local.

Ainda segundo o relato da mãe, ela levou o carrinho para dentro e quando foi pegar a criança no colo viu que ele estava tremendo e apertando as mãos, tendo uma convulsão. Ela chamou o pai e foram atrás de familiares em busca de auxílio para ir até o Hospital. Consta que um cunhado levou-os até a Unidade de Pronto Atendimento (UPA), onde foi constatado que a criança estava em estado de coma, com traumatismo na cabeça e em grave risco, sendo necessária a remoção imediata para o pronto-socorro. Na bateria inicial de exames, foi realizada uma tomografia e o exame pericial, que constatou o traumatismo e herniação cerebral. A criança foi internada e passou a receber alimentação por sonda.

Os policiais passaram a realizar as diligências para identificar como o fato tinha verdadeiramente ocorrido. A versão apresentada pelo pai da criança é de que ele havia tentado tirar o carrinho para rua e, ao incliná-lo para passar uma madeira que estava na porta, a criança caiu pelo forro do carrinho e bateu com a cabeça. Como o menino não chorou, ele deixou o bebê no carrinho e saiu de casa para conversar com um conhecido, deixando-o sozinho em frente a residência. O pai somente falou sobre o acidente quando toda a família estava no hospital e a equipe médica e os Conselheiros Tutelares perguntaram sobre o fato.

Conforme o delegado Cristiano Ritta, que está investigando o caso, após ouvir o casal, os depoimentos do pai e da mãe foram divergentes, e, em razão disso diligências precisavam ser feitas. “Fez-se necessário o pedido de prisão temporária dos dois. Isso porque os médicos relataram que a criança apresentava algumas lesões já consolidadas, indicando que poderia ter um histórico de maus tratos contra o bebê. E como as principais testemunhas eram familiares, havia risco de influência nos depoimentos”, destacou.

Na sexta-feira passada, a Draco prendeu os acusados e realizou um novo interrogatório de ambos. Naquele dia, também foram ouvidas outras testemunhas e familiares, que relataram que o pai era usuário de drogas e constantemente bebia, tendo, inclusive, agredido e ameaçado a mãe e a criança alguns dias antes. No dia do fato, o pai havia consumido maconha na casa, segundo a apuração. Os policiais apreenderam o carrinho e uma porção de maconha na residência.

Após a realização das diligências, a Polícia Civil pediu que a mãe respondesse o processo em liberdade, para que pudesse dar amamentação para o bebê, que permanece internado em estado grave, mas estável.

Na tarde de ontem, a Delegacia concluiu as investigações e indiciou o casal por tentativa de homicídio duplamente qualificado, por motivo fútil, pois a criança estava chorando minutos antes da agressão, e por meio que impediu a defesa da vítima. O crime também pode ter a pena aumentada em razão da idade da criança. O inquérito foi remetido ao Poder Judiciário.

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