ANO: 25 | Nº: 6207
09/02/2019 Esportes

O cenário bajeense no futebol americano

Foto: Arquivo pessoal

Nataniel Regmont Moss
Nataniel Regmont Moss
No domingo passado, as TVs internacionais tiveram um dos seus principais momentos de audiência. Trata-se do 53º Super Bowl, em que o New England Patriots conquistou o título da NFL ao superar o Los Angeles Rams, por 13x3. No Brasil, o esporte da "bola oval" ganha cada vez mais adeptos. Muitos despertam a curiosidade, num primeiro momento, pelo fato do quaterback do Patriots, Tom Brady, ser o marido da modelo gaúcha Gisele Bündchen. Segundo dados da ESPN, publicados na versão brasileira do El País, de 2014 a 2018, a audiência do esporte, na emissora, cresceu 78%. O auge veio no Super Bowl passado, quando várias salas de cinema no país transmitiram a virada épica do Patriots sobre o Atlanta Falcons.
Porém, por mais que a audiência tenha crescido, nos últimos anos, a popularidade ainda é bem distante do futebol, que é o principal esporte no país. Um dos locais praticados é no Rio Grande do Sul, que contou, no último Gauchão, com 15 equipes. A Rainha da Fronteira, inclusive, já teve uma equipe, o Bagé Baguals. Hoje, o futebol americano bajeense é representado por três atletas, que viajam pelo Rio Grande do Sul, na luta pelo fortalecimento da modalidade. O estadual começa no dia 9 de março.

Bulldogs F.A

No Bulldogs F.A, de Venâncio Aires, dois bajeenses buscam mais visibilidade do futebol americano praticado no Brasil. Entretanto, para conseguirem disputar competições, Andrei Garcia Barreto e Ataídes Nogueira conciliam o esporte com suas atividades profissionais na Rainha da Fronteira. Isso sem falar nas desgastantes viagens, nos finais de semana. Até o ano passado, a dupla tinha a companhia de Marcelo Tavares. Porém, em virtude de problemas no joelho, dedica-se somente à função de consultor e conselheiro técnico. "O futebol americano não é um esporte novo; mas para o nosso país, sim. Vem crescendo a cada ano e ganhando admiradores. Tínhamos um time em Bagé, mas, por várias questões, acabou se dissolvendo. Por isso, quem realmente gosta do esporte e quer encarar de uma forma maior que um hobbie, tem que sair para jogar", relata Andrei.
Para 2019, o Bulldogs passa por um momento de reestruturação. A melhor fase da equipe foi no segundo semestre de 2017, quando conquistou a Copa RS. Em 2018, o time não conseguiu manter o mesmo rendimento. "Temos vários reforços para posições atuais. Estamos nos reestruturando bem. Inclusive, há um esforço muito grande, de nossa parte, para mais seletivas na nossa região. A gurizada passa me consultando sobre o esporte, como se faz para aprender e qual a aptidão", observa.
Com a realização do Super Bowl, Andrei acredita que a modalidade sempre está passível a ganhar mais adeptos, ainda mais com o crescimento da cobertura por parte da imprensa brasileira. "O time que saiu campeão do Super Bowl é o do marido da Gisele Bündchen. Ou seja, dá uma visibilidade maior para o Estado. Nessa época, aparecem muitos curiosos, querendo jogar ou se informar. Nosso esporte enfrenta um pouco de preconceito, como se fosse cheio de pancadaria. Mas, na verdade, quem se propõe a participar de um treino, muda toda a concepção", pontua.

Dedicação exclusiva

No caso de Nataniel Regmont Moss, a rotina é um pouco mais estruturada. Wide receiver do Santa Cruz do Sul Chacais, o bajeense tem dedicação exclusiva ao futebol americano. "Minha semana é focada a academia e treinos de campo. Não tenho outra atividade. É só o futebol americano mesmo. Nossos treinos são na quarta-feira, sexta-feira e sábado. E a academia, todos os dias. A estrutura que o Chacais oferece faz com que não eu não precise mais gastar meu dinheiro para praticar o esporte. Eles oferecem moradia, academia. São poucos os times que disponibilizam aos atletas esse tipo de ajuda", destaca.
O incentivo do Chacais é diferenciado para os atletas que se deslocam de outras cidades do Estado. A medida, segundo o bajeense, é uma forma de incentivar a prática da modalidade, que tem crescido consideravelmente no país. Entretanto, ao contrário da equipe de Santa Cruz, em muitos locais, a prática é amadora. Neste ano, além do estadual, o Chacais disputará a segunda divisão nacional. "O time trouxe vários reforços para a ajudar a conquistar o campeonato gaúcho", salienta.

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