ANO: 25 | Nº: 6312

Airton Gusmão

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Pároco da Catedral
09/02/2019 Airton Gusmão (Opinião)

O cuidado dos doentes

Do Evangelho de Mateus, na parábola do Juízo Final, sempre lemos: "Estive doente e me visitastes. Cada vez que o fizestes a um desses meus irmãos mais pequeninos, a mim o fizestes" (25, 31-46). Também do Ano da Misericórdia foi nos recordado muitas vezes, e vale para sempre, as Obras de Misericórdia corporal e espiritual, dentre elas: dar assistência aos enfermos e consolar os aflitos.
No próximo dia 11, dia de Nossa Senhora de Lourdes, estaremos celebrando o 27º Dia Mundial do Enfermo, que tem como tema bíblico: "Recebestes de graça, dai de graça" (Mt 10,8). Para essa ocasião, o Papa Francisco escreveu a sua mensagem, da qual trazemos alguns trechos que podem nos ajudar a viver concretamente o evangelho que lembramos, bem como as obras de misericórdia corporal e espiritual.
O Papa Francisco inicia dizendo que "a Igreja, Mãe de todos os seus filhos, mas com uma solicitude especial pelos doentes, lembra que o caminho mais credível de evangelização são gestos de dom gratuito como os do Bom Samaritano. O cuidado dos doentes precisa de profissionalismo e ternura, de gestos gratuitos, imediatos e simples, como uma carícia, pelos quais fazemos sentir ao outro que nos é querido".
Falando sobre a vida enquanto dom, ele nos afirma que "a vida é dom de Deus, pois, como adverte São Paulo: 'que tens tu que não tenhas recebido?' (1Cor 4,7). E, precisamente porque é dom, a existência não pode ser considerada como mera possessão ou propriedade privada, sobretudo à vista das conquistas da medicina e da biotecnologia, que poderiam induzir o homem a ceder à tentação de manipular a 'árvore da vida' (Gn 3,24)".
Ainda continuando a reflexão, Francisco diz que "contra a cultura do descarte e da indiferença, cumpre-se afirmar que se há de colocar o dom como paradigma capaz de desafiar o individualismo e a fragmentação social dos nossos dias, para promover vínculos e várias formas de cooperação humana entre povos e culturas".
Sobre o sentido mais profundo da gratuidade, ele orienta que "o dar não se identifica com o ato de oferecer um presente, porque só se pode dizer tal se for um dar-se a si mesmo: não se pode reduzir a mera transferência duma propriedade ou dalgum objeto. O dom é um reconhecimento recíproco, que constitui o caráter indispensável do vínculo social. No dom, há o reflexo do amor de Deus, que culmina na encarnação do Filho Jesus e na efusão do Espírito Santo".
Falando da nossa condição humana, o Papa nos lembra que "todo o homem é pobre, necessitado e indigente. Quando nascemos, para viver tivemos necessidade dos cuidados dos nossos pais; de forma semelhante, em cada fase e etapa da vida, cada um de nós nunca conseguirá, de todo, ver-se livre da necessidade e da ajuda alheia, nunca conseguirá arrancar de si mesmo o limite da impotência face a alguém ou a alguma coisa. O reconhecimento leal dessa verdade convida-nos a permanecer humildes e a praticar com coragem a solidariedade, como virtude indispensável à existência".
Como modelo de caridade, o papa nos traz presente a Santa Madre Teresa de Calcutá, afirmando que ela "ao longo de toda a sua existência, foi uma dispensadora generosa da misericórdia divina, fazendo-se disponível a todos, através do acolhimento e da defesa da vida humana, dos nascituros e daqueles abandonados e descartados. Inclinou-se sobre as pessoas indefesas, deixadas moribundas à beira da estrada, reconhecendo a dignidade que Deus lhes dera; fez ouvir a sua voz aos poderosos da terra, para que reconhecessem a sua culpa diante dos crimes da pobreza criada por eles mesmos".
Por fim, falando da grandeza do voluntariado, ele diz que "a gratuidade humana é o fermento da ação dos voluntários, que têm tanta importância no setor sócio-sanitário e que vivem de modo eloquente a espiritualidade do Bom Samaritano. O voluntariado comunica valores, comportamentos e estilos de vida que, no centro, têm o fermento da doação. A alegria do dom gratuito é o indicador de saúde do cristão".
Façamos a nossa parte. Sejamos alegres na esperança, fortes na tribulação, perseverantes na oração e solidários com os que sofrem. Um bom final de semana a todos e até uma próxima oportunidade.

 

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