ANO: 24 | Nº: 6161
09/02/2019 Fogo cruzado

Produtores de leite da região solicitam CPI na Assembleia Legislativa

Um grupo de produtores de leite da região da Campanha apresentou, nesta semana, ao presidente da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, o bajeense Luís Augusto Lara, do PTB, um pedido mais extremo no sentido de reverter os atuais impactos que o setor vem sofrendo, em especial a questão pela qual o valor recebido pouco contribui na balança que tem, no outro lado, um alto custo de produção.
De acordo com o produtor Sérgio Hubert, de Aceguá, ele e outros empresários do ramo entregaram, para Lara, uma solicitação pela abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), dentro do parlamento gaúcho, no sentido de apurar os reais motivos que levam o País a importar leite de países como do Mercosul, a preços mais atraentes, e, desse modo, gerar uma concorrência considerada desleal com os produtores do Estado. "A principal questão é essa (...) Já havíamos feito uma mobilização na Câmara de Vereadores de Bagé e, agora, estamos tentando esta nova ação. Nossa expectativa é que uma nova agenda, em breve, com mais produtores, determine algum rumo para esta medida que solicitamos", revelou.
A comitiva, em Porto Alegre, também esteve formada pelos também produtores de leite Rosângela Wilrich, Armando Otte, Francisco Stockinger, assim como pelo empresário e advogado Flávio Vaz Netto que, conforme Hubert, foi que articulou a agenda na capital gaúcha.

Suspensão de taxa agrava cenário
O presidente eleito da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), deputado federal Alceu Moreira (MDB-RS), informou, nesta semana, que a bancada já estuda alternativas com o objetivo de minimizar os impactos da suspensão da taxa de antidumping para o leite da União Europeia e da Nova Zelândia – que figuram entre os maiores exportadores do mundo, publicada, quarta-feira, no Diário Oficial da União.

De acordo com a Associação Brasileira dos Produtores de Leite (Abraleite), o Brasil possui 1 milhão e 170 mil propriedades rurais dedicadas à pecuária leiteira. A decisão, segundo a entidade, pode trazer graves prejuízos a pequenos, médios e grandes produtores, cooperativas e pequenos laticínios. O tema deve ser a principal pauta da reunião da FPA na próxima terça-feira. Moreira afirma ainda que as consequências podem ser intransponíveis para o setor.

Ontem, aliás, a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, informou que foi realizada longa reunião com a equipe econômica do governo para buscar a solução do problema provocado pela suspensão da taxa de antidumping para a importação de leite em pó. Ela mencionou que o Mapa "reconhece o problema e trabalha considerando a sensibilidade do setor, de grande importância social e econômica para o Brasil".

Tereza Cristina explicou que o fim da taxa antidumping começou a ser discutido pela Camex (Câmara de Comércio Exterior) ainda no governo passado. De acordo com o secretário de Comércio e Relações Internacionais, Orlando Leite Ribeiro, o Mapa entende os motivos que levaram à decisão, mas considera que este não era o melhor momento para adotar a medida, porque o setor de leite, que é protegido no mundo todo, já vinha enfrentando problemas desde o meio do ano passado, devido ao fim de um acordo entre privados com a Argentina relativo à importação de leite em pó.

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