ANO: 24 | Nº: 6158
12/02/2019 Editorial

Uma perda gigante para o jornalismo


Não foram os três prêmios Esso conquistados ao longo da carreira que, aliás, lhe levou ao comando de alguns dos principais espaços do jornalismo do Brasil, como a bancada do Jornal da Band e ao sucesso constante de seus comentários na rádio BandNews FM, assim como na revista IstoÉ. Não. Mais que tudo, o que o destacava era a coragem para expor opiniões, conscientes – diga-se de passagem –, diante de tumultuados cenários, inclusive os mais recentes.
A morte de Ricardo Boechat, e da forma trágica que foi, ontem, perto do meio-dia, quando o helicóptero em que ele estava despencou sobre o KM 7 da Rodovia Anhanguera, em São Paulo, representou uma perda para milhões de vozes que, em sua figura, viam anseios muitas vezes entalados na garganta serem expostos de forma direcionada para quem, de fato, precisava ouvir.
Boechat não era apenas um bom jornalista, ético e comprometido na busca pela verdade, ele era, assim como a maioria ou boa parte dos brasileiros, um cidadão indignado com os rumos incertos que, vez ou outra, nossa Nação adota. Simplesmente porque, muito além de narrar fatos, emitia algo sempre esperado por quem lê, ouve ou assiste um noticiário: ele apresentava opinião. De credibilidade e da maneira isenta que os bons manuais da profissão sempre orientam.
Como destacou o presidente da federação Nacional das Empresas de Rádio e TV, Guliver Leão, ""Boechat alcançou um nível de maestria em manter a objetividade do bom jornalismo sem deixar de emitir sua opinião. Certamente é uma grande perda para a comunicação brasileira". E é bem verdade.
Ele, agora, com certeza, ruma para um lugar melhor, mas, jamais, deixará de ser lembrado. Aliás, para quem, na atualidade, trilha os primeiros passos nesta desafiadora profissão, fica um exemplo poucas vezes visto. Ao menos com tamanha capacidade. Resta lamentar, óbvio, a perda gigante que o jornalismo teve nesta segunda-feira.

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