ANO: 25 | Nº: 6383

João L. Roschildt

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Advogado e professor do curso de Direito da Urcamp
15/02/2019 João L. Roschildt (Opinião)

O ânus político

O florescimento de uma cultura é um processo civilizatório lento. Normalmente, tende a preservar valores, é vagaroso e contínuo. Por vezes, apresenta alguns contratempos, requer paciência e preza o conhecimento adquirido com as experiências vivenciadas. Enfim, eleva o corpo e a alma a patamares sublimes, porque sabe o quão valioso será o fruto gerado.

De outro lado, a destruição de algo que levou séculos para ser construído é muito rápida. Exatamente por não salvaguardar nada, os jagunços “pagos” por ideólogos de plantão aniquilam valores com a mesma velocidade que respiram. Sabem que cada hectare invadido nas terras da tradição equivale ao extermínio de seu inimigo. A barbárie desprovida de sentido profundo não titubeia, não sente pena nem remorsos pelo que faz e com a intensidade do que faz.

No campo da devastação, é invejável a criatividade do progressismo. De acordo com essa visão, tudo (rigorosamente tudo) pode ser politizado para quebrar os grandes tabus da sociedade. E não faltam exemplos bizarros dessa tolice intelectual no universo que mistura arte e sexo.

Foi noticiado pelo site UOL, em 09/02/2019, a seguinte manchete: “Longa brasileiro expõe ânus como instrumento político no Festival de Berlim”, referindo-se ao filme “A rosa azul de Novalis”. Para aqueles que imaginam um filme pornográfico, descartem essa possibilidade. Com caráter de documentário e com pitadas de ficção, esse longa-metragem mostra, em sua primeira cena, um ânus masculino com enormes requintes de foco. Em outros momentos, há o detalhamento desse órgão: existem filmagens de contrações, aberturas, alargamentos e closes. Na película, de acordo com o UOL, ele é visto como uma proposta liberal (avessa ao conservadorismo) para obtenção do prazer, ao mesmo tempo que oferta algum elo com a transcendência. O repórter de cultura (?) da Folha de S. Paulo, Guilherme Genestreti, chegou a declarar que, no filme, o ânus ganhou “status até metafísico”.

E, com certeza, não faltarão intelectuais dentro do mundo acadêmico que buscarão justificar a transcendência e a metafísica do órgão excretor. Aliás, Márcia Tiburi, a extraordinária “filósofa” brasileira, já disse ser a favor do caráter anal em um país conservador como o nosso: “esses caras que têm [...] esse pensamento avarento, nunca libertaram justamente o c*”. Ou seja, para ela, seus opositores assim o são por aprisionarem seus ânus.

Nunca é demasiado lembrar da célebre peça “Macaquinhos”, em que oito “artistas” nus declararam que buscam “a transformação subjetiva do corpo em seu estado limite, através das ações contínuas de paquerar, cutucar, assoprar, procurar e tocar um o r*** do outro”. Ou das performances “Frieza” e “Tomar no c*”. Na primeira, os “artistas” introduziam cubos de gelo no ânus para mostrar como as pessoas se relacionam de forma fria umas com as outras; ao passo que, na segunda, ocorre a introdução de uma garrafa de vinho naquele orifício. Por qual razão? Para debater o poder que o Estado exerce sobre a população.

Mas o ponto central crítico em tudo isso não é o ânus per se. É o que se faz dele. E não o que se faz dele de um ponto de vista das escolhas, inclinações e/ou preferências sexuais. Mas sim do uso político. Sim! Politizaram o ânus. O progressismo é tão depravado em sua politicagem que não respeita sequer o ânus.

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