ANO: 26 | Nº: 6587

Airton Gusmão

redacaominuano@gmail.com
Pároco da Catedral
16/02/2019 Airton Gusmão (Opinião)

Qual felicidade buscamos?


"Um homem muito rico morreu e foi para o céu. São Pedro recebeu-o na entrada e, após os cumprimentos iniciais, disse-lhe: 'acompanhe-me. Vou lhe mostrar a sua casa'. O homem rico acompanhou a São Pedro, que o levou por uma alameda muito bonita. Mostrando várias casas, ia falando: 'essa é de fulano, esta de beltrano, etc.'. Em um certo momento, uma bela casa sobre a colina chamou a atenção do homem rico: 'e aquela, perguntou a São Pedro, de quem é?'; 'É do seu chofer', respondeu São Pedro. O homem continuou acompanhando São Pedro e pensando: 'se aquela bela casa é do meu chofer, imagine como será a minha'. Chegaram a uma casa bem pobre. 'É aqui, disse São Pedro'. O homem ficou atordoado e disse: 'mas como? Se o meu chofer ganhou daquela casa, por que a minha é assim tão pobre?'. São Pedro respondeu: 'paciência, a culpa não é minha. Nós fazemos as casas aqui com o material que vocês mandam lá debaixo. O senhor só mandou este!'" (Vivendo e aprendendo. Histórias para o dia de hoje. Mundo e Missão, pag. 87).
Onde colocamos a nossa segurança? A nossa esperança? Nos amigos influentes que conquistamos? No dinheiro que temos no banco? Nos bens materiais que possuímos? Na posição social que ocupamos? No luxo e no conforto que construímos? Nos elogios e homenagens que recebemos?
Na sociedade líquida em que vivemos, de consumo, do acúmulo, do prestígio, da autossuficiência, do orgulho, da vaidade, da dispensa do Deus de Jesus Cristo, dos ídolos, dos "bbbs", ouvimos muitas vezes aquela frase: "O importante é ser feliz" e, se for preciso para tal, pode se sacrificar a vida humana, a criação, a flora e a fauna, a família, a fidelidade, o caráter, a obediência a Deus e à sua Palavra.
O Evangelho deste domingo nos diz: "Felizes vós, os pobres, porque vosso é o Reino de Deus! Felizes vós que agora tendes fome, porque sereis saciados! Felizes vós, que agora chorais, porque havereis de rir! Ai de vós, ricos, porque já tendes vossa consolação! Ai de vós, que agora tendes fartura, porque passareis fome! Ai de vós, que agora rides, porque tereis luto e lágrimas! Ai de vós quando todos vos elogiam!" (Lc 6,17-26).
Ao proclamar felizes os pobres, Jesus não está propondo o conformismo do sofrimento na vida presente que prepararia a felicidade após a morte. Está, isso sim, mostrando como é a dinâmica do Reino de Deus. O Reino acontece com ações e atitudes concretas de quem está despojado de tudo, de quem tem Deus como único defensor.
Os que já têm aqui e agora sua recompensa e vivem indiferentes à fome, à miséria e injustiças do mundo, põem-se automaticamente fora da dinâmica do Reino. Para estes Jesus dirige os "ai de vós".
O Catecismo da Igreja Católica afirma que: "O próprio Deus colocou no coração do homem um desejo íntimo de felicidade" (CIC 1718). Deus nos quer felizes. Jesus foi uma pessoa autenticamente feliz. Jesus propõe um caminho seguro para a felicidade, através das Bem-Aventuranças (Lc 6,17-26).
Onde, em que, em quem estamos colocando a nossa confiança, a nossa segurança, a nossa felicidade? Conforme a historinha do início desta reflexão, qual material estamos juntando e oferecendo para São Pedro construir a nossa "casa" futura? O que vamos querer ouvir um dia: "vinde benditos de meu Pai" ou "afastai-vos de mim malditos"?
Vivamos as Bem-Aventuranças. Façamos a nossa parte. Sejamos alegres na esperança, fortes na tribulação, perseverantes na oração e solidários com os que sofrem. Um bom final de semana a todos e até uma próxima oportunidade.

 

Deixe seu comentário abaixo

Mais notícias da edição

Outras edições

Carregando...