ANO: 25 | Nº: 6279

Dilce Helena Alves Aguzzi

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Psicóloga
19/02/2019 Dilce Helena Alves Aguzzi (Opinião)

Quando a comparação é um péssimo hábito

Você já se sentiu ofendido por alguma comparação que julgou imprópria ou constrangedora?

Provavelmente, sim. Agora reflita: Quantas vezes você comparou coisas, situações e até mesmo pessoas sem ao menos notar se poderia ter magoado alguém?
Pois bem, a comparação é um hábito.
Talvez venha da falta de assunto ou desejo de encontrar um. Logo após a tradicional conversa sobre o clima é comum um comentário que mede, que compara dados da vida de cada pessoa que podem ir da altura dos filhos ao valor da mensalidade da faculdade, da potência do motor do carro ao remédio que curou a última gripe. E por aí vai.
As pessoas costumam comparar suas casas, seus carros, suas dores, suas roupas, suas cirurgias plásticas, seus maridos, esposas, seus filhos, seus empregos, afetos e desafetos.
Talvez por trás desse comparativo exista um anseio por conforto ao saber que no mundo existem aflições semelhantes as suas.
Ou quem sabe um desejo comodista de se sentir superior ou vítima sem, contudo, precisar se dar ao trabalho de evoluir.
O fato é que a comparação é um hábito. Um péssimo hábito que faz parecer que a vida é uma eterna pista de corrida onde uns estão de Ferrari enquanto outros de Fusca ou a pé.
Esta ótica reveste o mundo de uma dificuldade e injustiça maior ainda que a, já bastante difícil, realidade. Tal aspecto competitivo e injusto é para muitos uma verdadeira fonte de depressão, frustração e prostração. Pois o obstáculo parece intransponível.
Assim, comparar vidas, amores, doenças e aflições tem apenas uma triste serventia – alienar o indivíduo de si mesmo. Levando-o a procurar fora, no mundo exterior, tanto os obstáculos para seu crescimento como a chave para sua superação o que existe somente dentro de si mesmo, no universo interno. Excetuando a comparação de dados com algum objetivo técnico/científico toda comparação é estúpida e prejudicial.
Pais que comparam seus filhos com outras crianças com o intuito de desenvolver neles algum aspecto que admiram nos outros só conseguem com isso fazer com que sua prole sinta-se desqualificada e desvalorizada. Porque estão invalidando, mesmo sem ter a intenção, toda a trajetória de desenvolvimento percorrida por eles até aqui.
Essa atitude não valoriza a individualidade e aponta modelos que estão distantes do eu.
Afinal, por que isto é tão prejudicial?
Ora, porque leva a pessoa durante toda uma vida a perseguir modelos distanciados de sua própria individualidade com o desejo de agradar para ser aceito. Quem vive assim está sempre insatisfeito consigo e com tudo que adquire, pois nada que fizer será bom o suficiente, sempre o outro terá algo a mais e o ciclo de infelicidade, insatisfação e competição recomeçam.
Quando o desejo de comparar for inevitável sugiro uma forma menos agressiva e muito mais proveitosa sob o ponto de vista do desenvolvimento pessoal. Compare-se consigo mesmo há um tempo. Descubra em que aspectos mudou, em quais permanece igual, onde evoluiu, quem você está se tornando. Dessa maneira você mantém o foco de atenção numa das únicas coisas sobre as quais exerce algum controle – você mesmo.

OLHO
É um desejo comodista de se sentir superior ou vítima

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