ANO: 25 | Nº: 6384

Fernando Risch

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Escritor
22/02/2019 Fernando Risch (Opinião)

Café com Omeprazol

Já estou a ouvir batuques escandalosos na fluorescência ziriguidônica. Foi-se o tempo em que eu sambava. Agora, só toco caixeta em rodas de samba qualitativamente deficitárias. Chegou o Carnaval. Finalmente!, grita o carnavalesco e o empresário. Neste réveillon laboral, empurrado nos seus cálculos lunares para março, extrapolamos na ginga e curamos a ressaca com trabalho, sem sequer conseguir enterrar os ossos.

Não tenho mais pique, mas tenho energia. Tenho contraturas na lombar e finjo que meus joelhos doem. Não me convide para erguer dedinhos por cinco quilômetros, vestido em lantejoulas e banhado em glitter. Passei da idade. Da mental. Sou o cara que procura a cadeira para sentar, assiste a Mocidade pela TV e pede que alguém lhe alcance uma cerveja do freezer, não da geladeira, e que suba uma no lugar da retirada.

O Carnaval chegou, está logo ali. Sambem aqueles que quiserem sambar. Sentem aqueles que quiserem sentar. E respeite o próximo, seu babaca. Isso, é com você mesmo que estou falando. Respeite as pessoas, principalmente as mulheres. Senão te encho de porrada. Ou peço para que alguém o faça, pois estarei sentado, com preguiça.

Está chegando o Carnaval, eu já disse isso? Sim, já. Hoje é o que, sexta-feira? Falta uma semana ainda ou já é agora? Não sei. Mas está chegando, eu sinto. E enquanto os jovens-jovens e velhos-jovens comem mamão com flocos de aveia e iogurte desnatado de manhã, para aguentarem mais uma rodada de folia, eu, jovem-velho, me encontrarei tomando um café com o Omeprazol, para que eu consiga despertar sem azia. Bom Carnaval. Respeito.

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