ANO: 25 | Nº: 6379

Airton Gusmão

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Pároco da Catedral
23/02/2019 Airton Gusmão (Opinião)

Amar como Deus ama

No Evangelho deste 7º domingo do Tempo Comum, ouvimos: "Jesus disse a seus discípulos: amai os vossos inimigos e fazei o bem aos que vos odeiam, bendizei os que vos amaldiçoam e rezai por aqueles que vos caluniam. O que vós desejais que os outros vos façam, fazei-o também vós a eles. Deus é bondoso também para com os ingratos e maus. Sede misericordiosos, como também o vosso Pai é misericordioso" (Lc 6,27-38).
Perguntado sobre por que razão o nosso tempo e a nossa humanidade precisam de misericórdia, o Papa Francisco respondeu: "Porque é uma humanidade ferida, uma humanidade que possui feridas profundas. Não sabe como curá-las ou acredita que não é possível curá-las. E não são apenas as doenças sociais e as pessoas feridas pela pobreza, pela exclusão social, pelas inúmeras escravidões. Também o relativismo fere muitas pessoas: tudo parece igual, tudo parece o mesmo. Há mais de meio século Pio XII disse que o drama da nossa época era termos perdido o sentido do pecado, a consciência do pecado. A fragilidade dos tempos em que vivemos é também esta: acreditar que não existe a possibilidade de redenção, alguém que nos dá a mão que nos levanta, um abraço que nos salva, perdoa, anima" (Francisco. O Nome de Deus é a Misericórdia: uma conversa com Andrea Tornielli; 2016, pag. 45-46).
A proposta de Jesus parece estar acima de nossas forças. Será ela possível de ser alcançada por um simples mortal. Não é só ser misericordioso, mas misericordioso como o Pai. É da nossa condição humana sentirmos raiva e desejar vingança quando alguém comete uma injustiça contra nós ou contra aqueles que mais amamos. Jesus em sua humanidade experimentou a fome, o medo, a raiva, a dor, o sofrimento, a injustiça, a violência e a tentação. Porém, procurou sempre fazer a vontade do Pai, sendo misericordioso e praticando a justiça do Reino.
Por isso, Ele viveu, nos disse e nos deixou a regra de ouro: "O que vós desejais que os outros vos façam, fazei-o também vós a eles. Sede misericordiosos, como também o vosso Pai e misericordioso".
Do Ano da Misericórdia nós ouvimos, refletimos e procuramos viver o que a Palavra de Deus e o Papa Francisco nos pedem: "Jesus declara que a misericórdia não é apenas o agir do Pai, mas torna-se o critério para individuar quem são os seus verdadeiros filhos. Somos chamados a viver de misericórdia, porque, primeiro, foi usada misericórdia para conosco" (O Rosto da Misericórdia, nº 9).
Jesus propõe aos seus discípulos e discípulas de ontem e de hoje uma "ética do relacionamento", baseada no cuidado pelo outro: "Tratem as pessoas como vocês gostariam que elas tratassem vocês". O modelo de cuidado nas relações apresentado e vivido por Jesus, encontra-se em Deus, na misericórdia divina.
Diante da crescente e avassaladora espiral de violência faz-se necessário olhar para Deus e imitá-lo. Ao olhar para o Deus misericordioso aplacamos a intolerância e a beligerância e produzimos misericórdia por meio de nosso agir e falar. Se Deus é bom para com todos, por que nossa bondade seria seletiva? Jesus nos convida a vivermos relações humanizadas e que humanizem até mesmo aqueles considerados inimigos. A nossa atitude em relação aos outros não pode ser de forma diferente daquela que Cristo viveu e nos ensinou: sejamos misericordiosos como o Pai é misericordioso.
Façamos a nossa parte. Sejamos alegres na esperança, fortes na tribulação, perseverantes na oração e solidários com os que sofrem.
Um bom final de semana a todos e até uma próxima oportunidade!

 

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