ANO: 25 | Nº: 6358

Norberto Dutra

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Pastor e presidente da Igreja Assembleia de Deus de Bagé Doutor em Divindade
23/02/2019 Norberto Dutra (Opinião)

O deserto em nossa vida

Eu te conheci no deserto, em terra muito seca. (Oseias 13.5)

Antes de qualquer coisa, para que possamos compreender plenamente o que somos no deserto, é necessário que, primeiro, saibamos o que ele é. A palavra de Deus demonstra, por meio de inúmeros relatos e figuras, o que vem a ser o deserto. Segundo os registros das Escrituras, além de ser um local de sequidão e escassez, ele é também uma região improdutiva, infrutífera e impossível de promover vida abundante. Nada encontramos no deserto, nada proporciona alegria ou prazer, nada é capaz de amenizar a dor ou consolar o espírito. Há apenas o cenário inóspito que preenche todo o campo de visão. No entanto, podemos considerar alguns pontos sobre o que o deserto não é: Primeiro, o deserto não é um lugar onde somos deixados abandonados por Deus para que sejamos alvo fácil para a ação de Satanás. A segunda geração dos filhos de Israel viveu no deserto recebeu de Deus esta promessa: E te lembrarás de todo o caminho pelo qual o Senhor, teu Deus, te guiou no deserto estes quarenta anos (Deuteronômio 8.2). Entenda bem: O Senhor não para de agir em nossa vida só porque estamos no deserto. Ele nos conduz por este lugar, e sem Ele, nunca chegaríamos ao outro lado! Além do mais, o deserto não é um lugar onde somos deixados em repouso, de reserva, como em uma prateleira, aguardando até que o Senhor volte a usar-nos. Não é assim que Deus age conosco. Ao contrario, o deserto é um local em que ELE age constantemente em nós. Assim como não conseguimos ver o céu que está oculto por nuvens, o mesmo acontece com o deserto: é difícil ver a mão de Deus agindo sobre nós quando estamos nele. Segundo, o que deve ficar bem claro é isto: o deserto não é lugar de derrota, pelo menos para aqueles que obedecem a Deus. Jesus, fraco e faminto, sem alguém a quem recorrer ou que o encorajasse, e sem nenhum conforto ou manifestação sobrenatural, foi atacado pelo diabo no deserto ao final de 40 dias ali. Jesus derrotou Satanás usando a Palavra de Deus. O deserto não é o lugar de onde os filhos de Deus saem derrotados; é um lugar de vitória. Como dizem as Escrituras em 2 Coríntios 2.14: E graças a Deus, que sempre nos faz triunfar em Cristo. Enquanto peregrinava no deserto, o povo de Israel era constantemente hostilizado pelas nações ao redor. A ordem era: Lutem! Os israelitas derrotaram os amorreus (Números 21.21-25). Se o propósito de Deus para eles fosse a derrota, Ele não ordenaria que defendessem sua posição. Muitos não conseguiram entrar na Terra Prometida, pois morreram antes. No entanto, não era isso o que Deus pretendia; as mortes ocorreram por causa da desobediência do povo. Espero que esta breve descrição sirva para deixar bem claro que o deserto em nossa vida não é por que fomos desaprovados, ou porque estamos sendo punidos por Deus. Ele tampouco é o local aonde Deus nos leva e deixa-nos vagando sozinhos; mas, sim, é um lugar de vitória, se apenas obedecermos e crermos em Deus! Agora, quero esclarecer do que se trata o deserto. Existem pessoas que se culpam ao chegar lá, achando que Deus as desprezou ou que não está satisfeito com elas. Elas ainda não compreenderam o sentido ou o propósito do deserto em suas vidas. Na Bíblia e em toda a história, homens e mulheres passaram por este lugar como uma maneira de serem capacitados por Deus, para cumprirem seu propósito. Portanto, o deserto não significa rejeição, mas preparo divino. Quero ensinar você, desde já, que os eventos do Antigo Testamento são prenúncio da aliança feita por Jesus Cristo no Novo Testamento. O deserto é o lugar onde somos firmados no chamado de Deus. Quando estamos nele, a força e as condições das circunstâncias, além do estabelecimento de prioridades significativas para nossa vida espiritual, levam-nos a renovar nosso viver. Assim, o deserto, que a princípio seria um lugar de exaustão e queda, passa a ser um ambiente em que o verdadeiro sentido da vida é valorizado. Dessa forma, reconhecemos nossa identidade como filhos de Deus. Porque para Deus somos o bom cheiro de Cristo (2 Coríntios 2.15). Finalmente, o deserto é o local onde demonstraremos a nós mesmos, ao mundo e ao inimigo que somos criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus preparou para que andássemos nelas (Efésios 2.10). É na sequidão do estio que seremos capazes de mostrar que estamos firmes e alicerçados no Senhor, frutificando no ermo e exibindo o cumprimento da promessa contida no livro de Isaías: Abrirei rios em lugares altos e fontes, no meio dos vales; tornarei o deserto em tanques de águas e a terra seca, em mananciais. (Isaias 41.18). Na próxima mensagem veremos, então, o que somos no deserto! Deus abençoe, até o próximo final de semana!

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