ANO: 25 | Nº: 6360

José Carlos Teixeira Giorgis

jgiorgis@terra.com.br
Desembargador aposentado e escritor
23/02/2019 José Carlos Teixeira Giorgis (Opinião)

Porque hoje é sábado

Ibrahim e a crônica social. A partir da década de cinquenta, instante de desenvolvimento nacional, todo jornal tinha uma coluna social. No Rio luziam Ibrahim Sued, Zózimo Barroso, Jacinto de Tornes; em Porto Alegre, Gilda Marinho, Herton de León. Aqui Rosiméri, Carlos Daunis. Deixando de lado o que alguns considerem frivolidades, a crônica social é especial fonte de memória, pois registra episódios e gente cuja relevância mais tarde será histórica. Assim Gilmar de Quadros, Marcos Pintos, Viviane Becker, Fábio Lucas e novos que ocasionalmente investem nesta atividade serão repositórios para pesquisadores à cata de época, fatos e pessoas em busca do instantâneo de uma época.
Ao responder questionário para o Pasquim, perguntado sobre a importância da crônica social Ibrahim diria que ela contribuiu para a educação do povo, de se vestir bem, no sentido de comer bem, de procurar um bom restaurante e outras coisas mais, mas também alimentar a sofisticação da vida, pois a vida sem supérfluo não vale nada, por isso detestava a União Soviética, aonde residira por duas semanas. E que, como o cronista, tinha o faro de jornalista, seguindo o conselho de Roberto Marinho que o aconselhara a jamais deixar de ser também um repórter. Isso o fez "furar" uma notícia, quando publicou, com primazia, que o Emílio Garrastazu Médici substituiria Costa e Silva, o que ninguém mesmo seus mais "fiéis inimigos" conseguiriam negar. Na ocasião, teve sua intuição despertada numa festividade em Porto Alegre, em recepção oferecida a Costa e Silva, em que "puxara um papo" com Médici que achara, discreto, em canto da sala. Amigo também do playboy Jorginho Guinle, que se vangloriava de nunca haver trabalhado, Sued narra o aparecimento da família do interlocutor, vinda da França em 1846, e que, com Cândido Gaffrée, construiria a Doca de Santos, ponto de partida de sua invejável fortuna posterior (Copacabana Palace, Hotel Glória, Fluminense FC, Parque Guinle, Banco Boa Vista, Haras, Automóvel Clube etc.). E a Fundação Gaffrée Guinle, ainda hoje existente no Rio de Janeiro.
Causa das crônicas, as revistas brasileiras só falavam de Teresa Sousa Campos, Dolores Guinle, Carmen Mayrink Veiga, Lourdes Catão, Helena Matarazzo, Elsinha Moreira Salles, Yolanda Penteado e outras "panteras", que disputam o título de "As dez mais", o que levou Stanislaw Ponte Preta (na verdade, o jornalista Sérgio Porto) a criar, jocosamente, "As dez mais certinhas", mas com artistas do teatro rebolado. Ibrahim tem um busto no Hotel Copacabana, prova de sua notoriedade.
Efemérides bajeenses. Esse é o nome de projeto de livro que Mário Nogueira Lopes me entregou para publicar pela Praça da Matriz Editora, o que, lamentavelmente ainda não cumpri, mas que merece publicidade pela meticulosa averiguação feita pelo exemplar jornalista bajeense.
Assim, exemplos de: 1. Associações Profissionais: Sociedade de Medicina, 30.7.1928; OAB, Subseção, 14.5.1933; Sindicato dos Bancários, 19.4.1935; União Bajeense de Estudantes Secundários, UBES, 6.5.1948; Sociedade Bajeense de Veterinária, 25.1.1966; Sociedade Bajeense dos Engenheiros Agrônomos, 24.5.1967; ABOREX, 8.6.1968; Núcleo de Engenheiros e Arquitetos, 5.9.1968; Aposentados e Pensionistas, 28.4.1980; Clube dos Bacharéis em Administração, 25.7.1982.
2. Associações de Classe: ACIBA, 13.11.1898; Associação Rural, 20.9.1904; União dos Varejistas, 25.2.1917; Associação dos Criadores de Cavalos Crioulos, 8.2.1932; Sindicato dos Varejistas, 31.3.1947; Criadores de Hereford, 16.10.1989; Mulher Empresária, 20.7.1989, etc.
3. Sociedades Beneficentes: Espanhola, 20.12.1868; Portuguesa, 27.11.1870; Italiana, 1º.1.1871; Protetora dos Artistas, 30.8.1883; União Operária, 1º. 5. 1898; União dos Artistas, 23.11.1906; Pão dos Pobres, 13.6.1942; Liga Feminina de Combate ao Câncer, 20.6.1955; Casa da Amizade, 9.7.1960; APAE, 24.8.1967; etc.
4. Clubes: Caixeiral, 14.10.1884; Comercial, 3.6.1886; Bagé Tênis Clube, 3.4.1934; Recreativo Brasileiro, 3.9.1934; Zíngaros, 2.1.1936; Aeroclube, 2.10.1940; Jóquei Clube, 1.2.1957; Cantegril, 6.12.1959; Círculo Militar, 20.4.1970; Guarany FC, 19.4.1907; Bagé, 5.8.1920.
5. Rotary: Centro, 11.1.1935; Norte, 26.10.1958; Sul, 13.11.1967; Rainha da Fronteira, 26.11.1987; Minuano, (?); Campanha, 3.6.2003; Pampa, 20.6.2001; Rotaract, 15.8.1977; Interact, 25.2.1971, etc.
6. Lions; Centro, 21.4.1956; Dom Diogo, 17.12.1966; Santa Tecla: 8.4.1978; Fraternidade, 7.6.1971. Observo que entidades posteriores a essas não estavam ainda anotadas pelo jornalista, devendo-se agora corrigir ou completar eventuais senões.
Nomenclatura eclesiástica. Segundo o jornal "Novo Milênio", as mais conhecidas nomenclaturas religiosas são: Bispo é a mais alta dignidade (o Arcebispo, é o bispo de uma Arquidiocese), Presbítero, é o termo bíblico atribuído aos sacerdotes, significa "ancião". Frei, é o membro de uma Ordem, como a Carmelita, Franciscana etc. Padres Religiosos são os padres de uma congregação (salesiano, carlista, jesuíta etc.); Padres Diocesanos, são os padres seculares que não pertencem a nenhuma congregação e se vinculam ao Bispo. Cônego é título honorário que um Bispo concede a um padre. Monsenhor é outro título honorário, mas solicitado pelo Bispo e conferido pelo Papa; Irmãs, pertencem às congregações femininas. A que coordena a casa é a Madre, que pode ser Provençal, quando dirige uma província; ou Geral, quando dirige a congregação.
25º Grupo de Artilharia de Campanha. Esse estabelecimento militar, chamado "Grupo Leite de Castro", teve já outras denominações: Regimento de Artilharia de Campanha (1889); 18º Grupo de Artilharia a Cavalo (1909); 3º Grupo de Artilharia de Artilharia de Campanha a Cavalo (1919); 1ª Bateria do 3º Grupo de Artilharia a Cavalo (1926); 3º Grupo de Artilharia a Cavalo (1935); 1º Grupo do 3º Regimento de Artilharia de Divisão de Cavalaria (1939); 3º Regimento de Artilharia de Divisão de Cavalaria( 1943); 3º Regimento de Artilharia 75 a Cavalo (1946); e 25º Grupo de Artilharia de Campanha (!969).
Seus primeiros comandantes foram: major Luiz Gomes Caldeira de Andrade (1889-1890); tenente coronel Ricardo Fernandes da Silva (!890-1891), tenente coronel Luiz Rabello de Vasconcellos (18892-1892), tenente coronel Antônio Fernandes Barbosa (!892-1893) e tenente coronel João Carlos Lobo Botelho (1894-1895). Entre outros, o major Francisco R. de Andrade Neves (1917-1918), capitão Félix de Azambuja Brilhante (1926-1927), capitão Orlando Geisel (1933-1933), Tem. Cel. José Bina Machado (1942-1943), Cel. Osmar de Almeida Brandão (1954-1958), Cel. Osmar M. Paixão Cortes (1958-1966), Rubens Mário C. Jobim (1969-1971), coronel Murilo Edgar Budó (1973-1976), coronel Hugo da Rosa Pêgas (1978-1980); coronel Ary Moreira Pinto (1980-1982), coronel Renato Penteado Teixeira (1984-1986), coronel Cláudio Heráclito Souto (1988-1990), coronel Antonio Carlos L. Carneiro (1990-1992), coronel Mário L. Rossi Machado (1997-2000), alguns bajeenses, outros vinculados à cidade pelo matrimônio ou por destacada atividade comunitárias e militar.
Símbolo do Município. É um escudo português, partido em faixa, de blau (azul), uma ponta de fortaleza, com sua guarita, em ouro. Na parte inferior, em campo de prata, os Cerros de Bagé, em sinopse (verde). Tudo encimado pela coroa mural de quatro torres, de ouro. Sob o escudo, uma banda de goles (vermelho) com a inscrição em ouro: 1811*Bagé.
Esse símbolo foi imaginado por Tarcísio Antônio Taborda e aprovado pela Lei Municipal nº 548, de 9 de maio de 1955, sancionada pelo Prefeito Frederico Petrucci.
As datas significativas do Município são: 17 de julho de 1811, Fundação; 17 de junho de 1818, Capela Curada; 5 de junho de 1846, Paróquia; 5 de junho de 1846, Vila; 2 de fevereiro de 1847, Instalação do Município; 23 de dezembro de 1858, Comarca; 15 de dezembro de 1859, Cidade; e 25 de junho de 1960, Bispado.

Fontes: 1. "20 Anos de Caviar", de Ibrahim Sued, Bloch Editores, 1972; 2. Efemérides Bajeenses, de Mário Nogueira Lopes, obra não publicada, s/d; 3. "Nomenclatura eclesiástica", jornal "Novo Milênio, edição de 8.2.1996; 4. "Passagem de Comando. De 1889 a 2001, folheto editado pelo 25º Grupo de Artilharia de Campanha, s/d; 5. "Município de Bajé", cartão publicado pelo Museu Dom Diogo de Souza, s/d. 6. Acervo documental de George Teixeira Giorgis.

 

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