ANO: 25 | Nº: 6398

Dilce Helena Alves Aguzzi

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Psicóloga
26/02/2019 Dilce Helena Alves Aguzzi (Opinião)

A inveja mata

A inveja mata, sim. Mas não como afirma a crença popular. Ela fuzila a possibilidade de dar atenção a si mesmo e a seu próprio potencial pois quem investe seu tempo e sua energia mais no outro do que em si mesmo está morrendo e não percebe.

A inveja é um sentimento devastador. Assustador para muitos, há quem credite à inveja um poder destrutivo e prejudicial.
Sem dúvida, trata-se de uma emoção perturbadora, tanto pelos pensamentos e desejos que orbitam a sua volta como pela crença popular de que pode afetar prejudicialmente o seu alvo. Tal como qualquer outro sentimento não pode ser qualificado como do bem ou do mal. Pode, sim, ser encarado como um sinalizador da forma como a pessoa está integrando aspectos internos e externos a sua vida e como isto repercute em termos de satisfação pessoal. Serve de indicador que o foco de atenção está mais voltado para os outros do que para si mesmo. Desse jeito é muito difícil encontrar satisfação pessoal ou admitir falhas para depois poder corrigi-las e crescer como pessoa.
O que é
Um sentimento de dor intensa causado pela certeza de que outra pessoa possui algo (ou alguém) que era imprescindível para sua felicidade. Existe também a convicção de que uma vez que o objeto de desejo esta em posse de outra pessoa, a única forma de ser feliz é tomar para si o que pertence ao outro. É bastante natural que o sentimento de inveja surja em qualquer pessoa em momentos diferentes da vida. Muitas vezes é reprimido em consequência do indivíduo sentir-se envergonhado ou culpado pela leitura que a sociedade faz de tal emoção. No entanto, pode ser apenas um momento ou um estado crônico, o que, quando ocorre, é muito mais prejudicial para quem sente do que para aquele que é o alvo que, na maioria das vezes, desconhece tal fato.
A solução
O enfrentamento e a aceitação do que sente é dar início a solução. Tentar encarar o mundo de modo mais construtivo e apropriar-se da responsabilidade de conquistar o que é importante para sua felicidade sem ameaçar os outros é o segundo passo. A partir daí algumas estratégias são de grande ajuda:
- Voltar a própria atenção para si. Querer descobrir-se sem culpas ou julgamentos para poder encarar com naturalidade os sentimentos perturbadores a fim de fazer deles escada para o crescimento pessoal;
- mudar a tática: ao invés de desejar a destruição ou fracasso do outro investir essa energia mental na reflexão de si e na construção do próprio sucesso;
- encarar os fatos, muitas vezes o que parece injustiça do mundo ou grande sorte é fruto de muito trabalho, persistência e projeto bem elaborado. Siga o exemplo elaborando um plano positivo para atingir seus objetivos;
- afastar-se um pouco do foco de inveja com a finalidade de ganhar mais segurança e controle das próprias emoções;
- investir na coragem e abertura emocional para admitir que na origem desse sentimento existe admiração;
Dessa forma cria-se oportunidade para perceber que as experiências e escolhas de vida são pessoais e que a felicidade dos outros não caracteriza nossa ruína. Assim, surge um desejo bastante saudável de desenvolver em si e da sua maneira as qualidades que admira no outro.

 
Trata-se de uma emoção perturbadora

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