ANO: 26 | Nº: 9492
26/02/2019 Cidade

Os desafios de manter a história viva

Foto: Tiago Rolim de Moura

Fachada do Instituto Municipal de Belas Artes pode ganhar nova pintura
Fachada do Instituto Municipal de Belas Artes pode ganhar nova pintura

Um dos mais belos cartões postais da cidade, o Solar da Sociedade Espanhola é testemunha da história da cidade. Dos 207 anos de Bagé, o prédio esteve presente em, ao menos, 100 deles. Assim como todo patrimônio, é necessário cuidado e carinho na manutenção. O último 'checkup' da estrutura centenária, realizado entre 2017 e 2018, apontou danos severos no telhado e o forro do Salão Nobre, que sofria com as consequências de anos de infiltração.
Assim, após alguns percalços e trâmites burocráticos, comuns à estruturas históricas, teve início uma cuidadosa operação para devolver ao telhado do salão o esplendor pelo qual ficou conhecido. Após 120 dias de obra, a construtora Hendler entregou o salão nobre do Instituto Municipal de Belas Artes (Imba) ainda em 2018. Mas quem vê o resultado, nem imagina a operação muito detalhada que foi montada para devolver a segurança e a beleza ao espaço.
O solar mais conhecido da fronteira
A obra do solar iniciou na virada do século 20, mais especificamente em abril de 1891, conforme relatado pela pesquisadora Elizabeth Macedo de Fagundes no Inventário Cultural de Bagé. Com projeto de autoria de Pedro Obino, a construção foi concluída totalmente em 1929, mas desde 1905, quando estava parcialmente finalizado, já estava aberto para desenvolvimento de atividades. Desde 1937, o prédio abriga o Imba. Antes disso, foi lar temporário do Clube Comercial de Bagé, que aguardava a finalização de sua sede própria.
As placas metálicas do salão que motivaram a operação de reparo foram trazidas há mais de 100 anos, em 1904, de navio diretamente da Espanha. O engenheiro Rafael Hendler chefiou a equipe de oito pessoas, responsáveis pelo delicado trabalho, realizado por profissionais especializados.
Para garantir a manutenção e reinstalação correta, exatamente como o original, Hendler conta que primeiro foi realizado um mapeamento com numeração de cada peça e, em seguida, foram retiradas, uma a uma e embaladas separadamente em plástico bolha. “Arrumamos o madeiramento do forro, que serve de sustentação para as chapas metálicas. Depois restauramos todas as peças na face posterior, que estavam enferrujadas e algumas com corrosão. Estando todas decididamente restauradas, recolocamos no forro e remontamos por completo”, conta.
Antes de serem recolocadas em seus devidos lugares no teto, cada placa foi pintada uma a uma, com pincel fino específico para o trabalho. O engenheiro destaca que devido à natureza histórica do serviço, todos os trabalhadores tiveram treinamento especializado para realizar o restauro.
Centenária de cara nova
Com o ponto nevrálgico pronto, o telhado do salão do instituto, Flávio Dutra, diretor do Imba, destaca que deve realizar a pintura da fachada externa do prédio. Mas a manutenção da estrutura é mais demorada e burocrática por se tratar de um prédio histórico, tombado como patrimônio arquitetônico.
Dutra explica que, para dar início à tomada de orçamento e captação de recursos, depende de laudos da Prefeitura e do proprietário do prédio (Sociedade Espanhola) para averiguar qual o tipo de material que pode ser utilizado na pintura.

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