ANO: 25 | Nº: 6258

Luiz Fernando Mainardi

luiz.mainardi@al.rs.gov.br
Deputado Estadual
27/02/2019 Luiz Fernando Mainardi (Opinião)

Desafio público

Concedi, semana passada, uma entrevista à rádio Difusora. Durante a conversa, fiz um desafio público ao atual prefeito e ao anterior para que debatêssemos frente a frente, sem os subterfúgios das Fake News que se alastram como ervas daninhas pelas redes sociais, temas fundamentais para a gestão pública de Bagé e que são objeto de mentiras e acusações na internet, sem qualquer comprovações.

Vejam o tema da Barragem de Arvorezinha, por exemplo. Houve uma verdadeira avalanche de mentiras no Facebook, disseminadas por gente criminosa, de que a obra não foi adiante por ter havido desvios dos recursos disponibilizados para a construção desta que é uma das obras fundamentais para normalizar o abastecimento de água da cidade.

Quando deixei a prefeitura, há cerca de 10 anos, deixei os recursos da contrapartida disponíveis no Daeb, algo em torno de R$ 12 milhões em valores da época. Mais do que isso, garanti que a obra fosse incluída no rol dos projetos do PAC, grande programa de obras do governo federal, o que garantia os recursos federais para a sua realização.

A obra foi iniciada, mas por conta de uma denúncia irresponsável, ficou paralisada. A investigação da PF, entretanto, não revelou qualquer problema dos encaminhamentos. Então, por que as obras da barragem não foram continuadas? É preciso responder essa questão para a sociedade bajeense. Eu tenho certeza que fiz a minha parte, deixando os recursos da contrapartida e a obra inscrita no PAC.

Em parte, eu sei a resposta a minha própria pergunta. Quando Dudu deixou a prefeitura, existiam R$ 18 milhões no caixa do Daeb. Quer dizer, o prefeito anterior não realizou a obra, mas o dinheiro para a contrapartida, que é a parte do orçamento da obra que cabe à prefeitura, estava lá, disponível. Não sou eu que digo isso, mas o próprio gestor que assumiu o Daeb no início dessa gestão.

Fomos surpreendidos, portanto, quando o atual gestor do Daeb foi para a imprensa dizer de que a obra da barragem não seguia porque não havia dinheiro disponível no Daeb para a contrapartida. Como assim? Onde estão os R$ 18 milhões deixados pelo ex-prefeito? Queimaram R$ 18 milhões em dois anos? Onde? Com que resultado? Quem recebeu esse dinheiro? Espero que todas essas respostas emerjam das investigações ora em curso contra os desvios que foram identificados em várias áreas da atual administração.

Outro tema é o dos precatórios. Os atuais gestores disseminam uma versão fantasiosa de que houve uma ampliação das dívidas em precatórios durante minha gestão como prefeito. Nada mais leviano. Quando governei, zerei os precatórios relacionados com dívidas trabalhistas e fizemos uma “gestão profilática”, nas palavras de um auxiliar da época, impedindo que novos precatórios fossem agregados às responsabilidades futuras da prefeitura de Bagé. Este também é um debate bom e importante para fazer olho no olho, a partir dos dados e dos fatos e não das versões que poluem as consciências no mundo digital.

Por fim, desafiei o atual prefeito e seu antecessor a tratarmos sobre a situação do Funpas, este importante instrumento que vai garantir complementação para a aposentadoria dos funcionários públicos bajeenses. Quando eu assumi, o saldo deste fundo era zero. Foi em minha gestão que ele começou a ser capitalizado, mas hoje, infelizmente, não tem os seus dados disponibilizados pela atual administração.

Queremos saber como está esse fundo. Isso não é brincadeira, mas uma garantia de rendimentos futuros dos trabalhadores da prefeitura. Ainda mais agora, que a proposta do governo federal, apoiado pelo atual prefeito, quer destruir o sistema público federal, com impactos nos estados e municípios. Não podem esconder os dados, não é legal e nem é justo com os servidores.

O atual prefeito tem dito que assumiu a prefeitura com R$ 40 milhões em dívidas. Mas a verdade é exatamente o contrário. Contando o dinheiro do caixa (R$ 25 milhões) e mais os R$ 18 milhões do Daeb, esse governo recebeu uma prefeitura com dinheiro em caixa na ordem de R$ 43 milhões, além dos salários de dezembro e do 13º do funcionalismo integralmente pagos. Por isso, todos os bajeenses querem saber: onde está o dinheiro prefeito?

O desafio está mantido.

 

Luiz Fernando Mainardi – deputado estadual, líder da bancada do PT.

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