ANO: 25 | Nº: 6383

Norberto Dutra

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Pastor e presidente da Igreja Assembleia de Deus de Bagé Doutor em Divindade
02/03/2019 Norberto Dutra (Opinião)

O que somos no deserto

E te lembrarás de todo o caminho pelo qual o Senhor, teu Deus te guiou no deserto estes quarenta anos, para te humilhar, para te tentar, para saber o que estava no teu coração, se guardarias os seus mandamentos ou não. (Deuteronômio 8.2). Plantarei no deserto o cedro, e a arvore de sita, e a murta, e a oliveira; conjuntamente, porei no ermo a faia, o olmeiro e o álamo. (Isaias 41.19). O deserto tem muitas características: solidão, aridez, desconforto, esterilidade. Todas as vezes em que nos deparamos com tais realidades é porque estamos, com toda certeza, atravessando um deserto. Pode ser uma doença terminal, um problema familiar insolúvel ou uma angustia implacável pela perda de um ente querido. Não importa. Seja real ou não físico ou psicológico, o fato é que desertos têm sempre a mesma fisionomia: são secos, solitários e terrivelmente deprimentes. São capazes de gerar em nós a pior das sensações: a solidão. Mas que passamos por desertos? O que nos leva vez por outra a passarmos pela dura experiência dos desertos da vida? Por mais que tais realidades sejam produzidas por situações criadas pelo próprio homem e suas próprias decisões, a Bíblia nos ensina que o deserto, com todas as suas dificuldades, sempre é uma escola de Deus. Quando o curso de nossa vida toma esse aspecto, Deus quer nos ensinar-nos algumas lições importantes. No deserto, aprendemos a ouvir a voz de Deus. É interessante o fato da palavra "deserto", no hebraico, midbar, vir da mesma raiz de dabhar, que significa "falar". Isso se deve intrinsecamente ao fato de que o deserto é um lugar em que Deus fala e nós ouvimos. Com isso, aprendemos a ser humildes. Por exemplo, em Deuteronômio 8.2, lemos que o Senhor levou Seu povo para esse lugar para fazê-lo humilde. Ou seja, o deserto é um "lixa" de Deus, que remove a espessa e dura camada de orgulho com a qual nos revestimos nos momentos de prosperidade. Assim, aprendemos com os desertos da vida que não precisamos de "tapinhas nas costas", aplausos ou holofotes da glória humana. Precisamos de Deus. No deserto, aprendemos também a lição do autoconhecimento, porque esse lugar revela quem somos. O texto de Deuteronômio 8.2 evidencia outro propósito de Deus: Para saber o que estava no teu coração. Na verdade, não há nada como um deserto para ajudar-nos a conhecer nosso próprio eu. Apesar das múltiplas características aterrorizantes que eles apresentam, todos cumprem esse mesmo propósito pedagógico em nossa vida. Deus jamais nos põe na fornalha ardente do deserto para destruir-nos. Ele apenas nos refina e nos torna melhores. Vale lembrar ainda que, mesmo que o deserto tipifique lugar de tribulação, sofrimento e adversidade, ele também representa nossa trajetória aqui na terra, rumo à Canaã celestial. E Deus diz que nos colocará no deserto. No entanto, Ele também esta afirmando que nos plantará ali como árvores Suas, acabam por transformar esse local e modificar a paisagem. Vejamos, então, quais são essas árvores que Deus plantará no deserto e que tipificam cada um de nós – e saiba quem nós seremos lá! Passarei no deserto o cedro, e a arvore de sita, e a murta, e a oliveira; conjuntamente, porei na ermo a faia, o olmeiro e o álamo.(Isaías 41.19). O cedro. A primeira árvore descrita é o cedro. Muito conhecido, ele é citado 41 vezes na Bíblia. É alto e resistente, conforme podemos ler em Ezequiel 31.3: Eis que a Assíria era um cedro no Líbano, de ramos formosos, de sombrosa ramagem e de alta estatura, e o seu topo estava entre os ramos espessos. Símbolo de força e rigidez, o cedro fornecia valioso tipo de madeira para a construção de palácios e templos. Tanto os pranchões, o madeiramento, todo o forro interno e entalhes para a construção do templo, como as madeiras para a casa do bosque, eram de cedro (cf, 1 Reis 6.9,10-18; 7.2,7). Dessa árvore se faziam também mastros de navio e outras peças que exigiam resistência. Considerada ainda uma madeira profundamente aromática, era utilizada até mesmo nos rituais de purificação conforme estabelecido em Levítico 14. O cedro tipifica a força e a grandeza que devem ser atribuídas a nós quando estivermos no deserto. Sua rigidez e resistência devem ser refletidas por nós ao enfrentarmos as tempestades da vida e ao depararmo-nos com os vendavais que sopram sobre nós. A majestosa presença do cedro, com seus 40 metros de altura, deve ser uma característica de quando estivermos no deserto- força, resistência e nobreza de caráter e conduta servindo de exemplo a todos que testemunharão nossa passagem pelas provações do deserto! Assim sejamos como o cedro, que não cresce desordenadamente, mas, sim, de maneira uniforme e altaneira, objetivando apenas uma coisa: alcançar elevadas alturas. Que alcancemos um lugar bem alto neste deserto pelo qual passamos! Deus te abençoe até o próximo final de semana!

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