ANO: 25 | Nº: 6312

Marcelo Rodríguez

marcelo.errebe@gmail.com
Acadêmico de Jornalismo da Urcamp
08/03/2019 Caderno Ellas

Kika Simone: uma bajeense por aí

Foto: Marcelo Rodriguez Barboza/ Especial JM

Buenos Aires é um dos três destinos mais procurados pelos brasileiros quando o assunto é turismo. Calle Corrientes, Puerto Madero, San Telmo, El Obelisco, La Boca, Palermo, entre tantos outros lugares icônicos para se visitar na capital da Argentina. A gastronomia, a música, a arquitetura, a história, as artes, enfim. Há muitos motivos para visita a cidade e também para ficar por lá. Hoje, não vamos conhecer um lugar, mas sim uma história. Kika Simone é bajeense e tem uma ligação muito forte com a capital 'porteña'.

Esse é seu nome artístico e ela prefere se apresentar dessa forma. Aqui em Bagé, Kika lidera um grupo que decidiu fazer algo que sequer deveria ser necessário em um mundo justo: mostrar o talento que as mulheres têm. O movimento Mulheres Artistas de Bagé - MAB congrega representantes de todos os segmentos  artísticos e prepara atividades que vão acontecer de março até novembro. Essa realidade artística faz parte da vida de Kika desde sempre. Segundo ela, tudo começou “dublando discos do Roberto Carlos”.

“Como tinha o Imba (Instituto Municipal de Belas Artes) aqui, eu comecei a estudar violão, musicalização e piano”, conta ela sobre o início dos estudos musicais. Ela explica que acabou levando a sério o violão e, já na época da faculdade, começou a compor. “Eu tive a banda Phosphurus, durante seis anos, aqui em Bagé; e a gente fazia música autoral, naquela época”. Até 2005, quando começou a fazer música para cinema, em Porto Alegre, Kika lembra que sempre tocou rock grunge. “Ali mudou tudo. Eu comecei a me descobrir. Até então, só tocava em banda”, relembra.

Buenos Aires entrou na vida de Kika Simone entre 2009 e 2010. Ela explica que lá existe um mundo teatral e cinematográfico muito forte, por isso, e por não ser tão longe do Brasil, ela escolheu ir para lá. “Lá eu fui convidada pra fazer parte de um ciclo de mulheres, que era o Solistas No Tan Solas - SNTS. Ali eu comecei a trabalhar na produção, além de tocar”, comenta. Para Kika, essa foi uma experiência única. “Com o SNTS eu tive a oportunidade de trabalhar com 270 mulheres em todo o país e eu nem falava muito bem espanhol ainda”, lembra.

Sobre as mulheres ocupando lugares no meio artístico, Kika destaca que é apenas uma questão de efeito dominó. “No momento que uma levanta a mão e diz ‘vamos fazer?’, automaticamente tudo acontece. Eu participo do Festival Sonora, que é o Festival Internacional de Mulheres Compositoras. Ele começou como uma reivindicação a um festival que teve em Belo Horizonte e que não tinha nenhuma mulher na programação. A organização do evento disse ‘ah, não tem tanta mulher artista pra tocar’ e a gente provou que tinha”, pondera.

Kika destaca o papel da internet e das redes sociais como ferramenta para aproximar, tanto na arte quanto em outros aspectos da vida. “Eu acho que a gente está conseguindo se comunicar melhor entre nós. Não só em relação à música, mas em relação a ser mulher mesmo. Porque é difícil, acontece muita coisa feia no mundo inteiro. Eu acho que a mulher tá se posicionando mais, se mostrando mais. Há pouquinho tempo atrás não era assim. Mas, infelizmente, a violência ainda é muito forte, em todos os sentidos”, ressalta.

Ao finalizar a entrevista, Kika Simone deixa uma mensagem para aquelas mulheres que, de alguma forma, ainda não conseguiram se entender poderosas. “Façam. Façam. Acho que é só fazendo que a gente vai aprendendo. Tudo o que eu sempre fiz, comecei do nada. Não deixem de fazer. Tudo vai se acomodando. Agora, ficar esperando que as coisas aconteçam? Não vai acontecer. Tem que correr atrás. A gente está no melhor momento. E isso fortalece, não só quem tem uma ideia, mas quem está ao redor, porque a gente nunca faz nada sozinha”, conclui.

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