ANO: 26 | Nº: 6526

Viviane Becker

viviminuano@hotmail.com
Colunista social do Jornal Minuano, Viviane Becker é experiente jornalista de geral e conhecida editora do caderno de variedades Ellas.
08/03/2019 Caderno Ellas

pg 4 e 5 - Empreendedoras que são cases de sucesso em Bagé

Foto: Arquivo pessoal

Andrea com sua fiel equipe: o noivo Kewin Brignol e as filhas Juliana Leal e Bruna Mello
Andrea com sua fiel equipe: o noivo Kewin Brignol e as filhas Juliana Leal e Bruna Mello

Empreendedoras que são cases de sucesso em Bagé

Nos últimos anos, o número de empresárias subiu 34%, segundo o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae). Está comprovado que desde 2017, as mulheres vêm consolidando papel de protagonistas no universo do empreendedorismo brasileiro.

Nesta edição especial, vamos mostrar casos de mulheres que lutaram e conquistaram seus próprios negócios. Em tempos de empoderamento feminino e da busca por mais representatividade no mundo dos negócios é bacana ressaltar exemplos de mulheres que estão garantindo seus espaços, não é mesmo? Hoje, vamos mostrar dois cases de sucessos bajeenses, contando a história das profissionais que foram, gradativamente crescendo, ampliando suas empresas e hoje são reconhecidas por seus esforços conquistando espaço e a preferência de seus clientes. São exemplos de reconhecimento e superação que vocês poderão ler a seguir:

A idealizadora das lojas Maria La Teja

Aos 37 anos, a empresária Daniele Campos dos Santos Albornoz certamente vive a melhor fase de sua vida. Ela é casada com o cirurgião dentista Diego Garcia Albornoz, com que divide o amor de duas pequenas princesas, as filhas Eduarda e Cacá.
Em entrevista ao Caderno Ellas contou que, quando estava quase terminando o curso de Direito, começou a produzir acessórios como forma de terapia. Em pouco tempo, em parceria com uma amiga, passaram a produzir e comercializar as peças. Primeira descoberta - amor pelos negócios! "Sempre gostei de moda, montava looks para minha irmã e amigas, e nessa brincadeira , mais uma descoberta! “Ajudar” a vestir os outros, deixar a pessoa se sentindo bem, se amando!", recorda.

 

Ellas: Como surgiram as lojas ?

Dani:  Dado o primeiro passo com ajuda dos pais, abri com minha irmã a Maria La Teja. A Mini veio como sequência , vendemos para mães e filhos. O projeto nunca foi separá-las por questão de espaço desmembramos por um tempo (sempre inventando!). Já a Toys, pensamos por pesquisa da necessidade de mercado.

 

 Ellas: O Brasil está enfrentando uma grande crise financeira que afeta toda a economia. Nesse contexto, são os empresários que pagam a conta com altas taxas tributárias e ainda precisam enfrentar a contração do consumo. Que alternativas você usa para driblar a crise?

Dani: Confesso que empreender, no Brasil, é tarefa para louco! Todos os dias algo me faz pensar e repensar as escolhas. Mas o amor me faz seguir!

Burocracia, impostos, falta de mão de obra são só a ponta do iceberg.

 

Ellas: Como é a Daniele mãe/mulher e como é a Daniele empresária? 
Dani: São a mesma pessoa!  Firme, mas com amor! Minhas filhas são a parte mais feliz do dia, aquela hora do olho no olho, do abraço, do eu te amo! Sem esquecer o respeito, os ensinamentos, a visão da vida. Sempre procurando orientar e acolher. É dessa forma que age a Dani empresária também.

 

Ellas: O empreendedorismo e a liderança das mulheres têm ganhado cada vez mais força e aumentado a representatividade no mercado brasileiro. Para prosperar é preciso contar com equipes,e os gestores tem papel essencial nesse processo. Qual o segredo para ter equipes determinadas e pró-ativas como as suas?
Dani: Ter uma equipe entrosada, que trabalhe com amor, carinho e dedicação é uma bênção. E nesse aspecto sou abençoada. Mas não posso deixar de lembrar que o ser humano, na maioria das vezes, dá o que recebe! Para trabalhar comigo nem sempre o currículo conta tantos pontos. Prefiro treinar e ensinar alguém bom de alma a tentar reformar alguém que não tenha em suas qualidades o respeito e o coleguismo. Competição doa a quem doer, não faz parte das normas da empresa.

 

Ellas: É difícil conciliar a vida de mãe com a de empreendedora?

Dani: Considero difícil trabalhar e ser mãe em qualquer área que a gente opte. Estamos sempre correndo atrás do tempo, perdido com os pequenos e ao mesmo tempo botando o serviço em dia -  risos - mulheres fortes é o que somos. Não é?  

 

Ellas: Que projetos tem para 2019?

Dani: Diante de tudo que já falamos, tenho três projetos já definidos para 2019 , paz na alma, amor no coração e mais tempo com minha família!

 

Ellas: Que conselho daria para as mulheres que desejam vencer na vida?

Dani: Ousadia!  A fórmula é a mesma: pular da cama cedo, correr atrás dos sonhos com amor e confiança! E a certeza de que nada cai do céu! A vida é batalha!


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A idealizadora das lojas Disparatty

A empresária Andrea Amaral, 46 anos, é apaixonada pela neta Valentina, noiva de Kewin Brignol e mãe das jovens Bruna Mello e Juliana Leal, que atuam ao lado dela nas empresas.

Formada no curso Normal (Magistério), durante 15 anos atuou como professora da Educação Infantil em escolas particulares, mas foi pelo desejo e pela necessidade de ter uma vida mais confortável, financeiramente, que mudou o percurso do seu destino. Vinda de uma família humilde, teve sua primeira filha aos 15 anos e, mesmo assim, não se afastou da escola, e até hoje, mantém o foco em seus sonhos, sem jamais  esquecer suas origens.

 

Ellas: Reconhecer-se com o potencial para realizar o que quiser é o ponto de partida para dar o primeiro passo rumo ao seu objetivo. Quando você descobriu com habilidades para vendas?

Andrea: As vendas começaram na faculdade, quando cursava Educação Física. Na época, tinha duas filhas e via a necessidade de ter uma renda extra. Uma amiga fazia a arte e eu buscava malharias e serigrafias para fazer as camisetas do curso para vender.

 

Ellas: Como surgiram os empreendimentos?

Andrea:  Mesmo com muita dedicação à área da Educação, sabia que jamais teria melhores condições financeiras. Depois de 15 anos dando aula, surgiu a oportunidade de trabalhar no comércio, com a rescisão do contrato e o fundo de garantia comprei uma banca no CIC - Centro de Integração Comercial de Bagé. Não hesitei, em maio de 2007, abri minha primeira banca para vender acessórios. Em dois anos, eu já tinha quatro bancas. Trabalhava muito, das 9h às 19h, sem fechar ao meio-dia. Mas com o tempo ficou limitado o crescimento profissional, pois eu tinha ideias e propostas de ampliação. Ressalto que também tive duas lojas que não deram certo, uma de bijuterias e outra de confecção. Foram duas experiências que serviram de aprendizado e motivação para fazer melhor. Em agosto de 2014, há cinco anos, inaugurei a Disparatty, que hoje está localizada na avenida Sete de Setembro, nº 701. Atualmente, mantenho a primeira banca no camelô com o nome de Disparatty e, em maio de 2018, abri outra, a Identidade com foco na moda masculina.

 

Ellas: É difícil conciliar a vida de mãe com a de empreendedora?

Andrea: Sim, sou dona de casa, mãe, faço o meu almoço e todas as coisas em casa. Também cuido da minha neta pela manhã, sem perder o foco nas lojas. Sou a mesma em qualquer lugar.Tenho as minhas origens bem claras. Continuo com os pés no chão e isso me ajuda a progredir na vida profissional.

 

Ellas: Como gestora das lojas, como os empreendimentos cresceram no meio de tantas empresas que disputam o mesmo nicho de mercado?

Andrea:  É uma batalha diária, sem falar em todas as questões do mercado e a competitividade. Quando comprei a primeira banca, fui pioneira ali. Cheguei com a proposta de vender confecção, no local onde só havia oferta de eletrônicos e pirataria. Foi inovador para época, e as pessoas duvidavam que iria dar certo.  

 

Ellas: O Brasil está enfrentando uma grande crise financeira que afeta toda a economia. Nesse contexto, são os empresários que pagam a conta com altas taxas tributárias e ainda precisam enfrentar a contração do consumo. Que alternativas você usa para driblar a crise?

Andrea:  É complicado, uma crise terrível que assola o País e repercute nos negócios. Em 2017, foi ruim, em  2018, pior. A forma que achei para ir driblando a dificuldade financeira foi não contratar funcionários. Minha empresa é familiar, minhas filhas e meu noivo trabalham comigo, batalhamos juntos. Só estamos em pé porque a família se uniu.  

 

Ellas: Como avalia o papel da mulher na sociedade contemporânea?

Andrea:  Vim de uma  família humilde, com muitas privações, e, hoje, graças ao meu trabalho consegui mudar a minha história de vida e da minha família. É complicado ser mulher em um mundo tão masculino. Sempre fui uma mulher à frente da família, dos negócios. Isso me dá forças para seguir em frente, sei que tudo depende de mim.  É uma luta constante, até porque a capacidade das mulheres ainda hoje é contestada. Comprovei lá no início, quando duvidaram do meu potencial, e disseram que eu deveria seguir trabalhando como professora. Fui desafiada ainda mais, isso me impulsiona até hoje para seguir em frente e fazer diferente.

 

Ellas: Qual a conquista de que mais se orgulha?

Andrea:  Me orgulho de não ter ficado parada no tempo, de não ter aceitado a condição que me foi imposta. Sou filha de um alcoólatra e de uma faxineira, uma guerreira que lutou com sacrifício, para criar sozinha três filhos.

Tenho orgulho de não ter me acomodado, de não ter me colocado como vítima, pelo contrário, não aceitei a condição e foi isso que me impulsionou  a estudar. Me orgulho de ter conseguido mudar minha história, sem passar por cima de ninguém, nunca fui desleal, só peguei as oportunidades e arregacei as mangas, não fiz nada mais do que isso. O ser humano tem uma capacidade de superação incrível na diversidade, é preciso olhar pra dentro da gente mesmo e ver o tão forte que podemos ser.

 

Ellas: Que projetos tem para 2019?

Andrea:  Quero continuar minha caminhada, tentar fazer melhor, ter bom atendimento, produto legal e preço acessível. Quero continuar evoluindo, fazer a diferença e ser reconhecia pelo meu trabalho.  

 

Ellas:  Que conselho você daria as empreendedoras:

Andrea:  Sempre refleti no ditado que diz que 'a oportunidade passa uma vez só na vida da gente'. As coisas acontecem para todo mundo é que às vezes as pessoas não enxergam isso. Eu vi no passado, na oportunidade de comprar a banca, uma maneira de mudar a minha vida e da minha família. Eu trabalhei muito.  Não somos sexo frágil, pelo contrário, somos muito fortes. Conseguimos fazer mil coisas ao mesmo tempo. As mulheres têm um potencial e uma capacidade incrível, só falta acreditar em si mesma.



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