ANO: 25 | Nº: 6436

Viviane Becker

viviminuano@hotmail.com
Colunista social do Jornal Minuano, Viviane Becker é experiente jornalista de geral e conhecida editora do caderno de variedades Ellas.
08/03/2019 Caderno Ellas

pg 6 e 7 - Projeto Segura

Foto: Arquivo JM

A história da Lucia vai servir de  incentivo, de alerta e de exemplo para muitas mulheres!
A história da Lucia vai servir de incentivo, de alerta e de exemplo para muitas mulheres!

Projeto Segura

Quando o sofrimento transforma e da forças para ajudar outras pessoas

 

"A vida é interessante: no final, algumas de suas piores dores se tornam suas maiores forças". A frase da atriz, produtora e diretora norte-americana Drew Barrymore representa muito bem o momento que vive a enfermeira Lúcia Azambuja Saraiva Vieira. Em dezembro de 2017, ela recebeu o diagnóstico de câncer de mama e, após duas cirurgias, em menos de um mês, precisou ficar 30 dias com um dreno. A partir dessa experiência surgiu a ideia de projetar uma bolsa que pudesse acomodar o dreno, que fosse esteticamente interesse e que não limitasse os movimentos, desempenhando a sua função. Assim surgiu o projeto Segura, que viria para ajudar mulheres que assim, como ela, passaram por cirurgia em decorrência da doença.  

 

Ellas: Como você descobriu que estava com câncer de mama?

Lucia: Logo após ter realizado meus exames de rotina, fiquei com um certo desconforto na mama direita, que se intensificou com o passar dos meses, me levando a procurar um mastologista no final do ano. Esse profissional realizou mais um exame de imagem (ultrassom mamário) que acusou uma lesão suspeita, logo após foi realizada uma biópsia que confirmou o diagnóstico do câncer.

Ellas: Qual foi sua primeira reação ao receber o diagnóstico?

Lúcia: Realmente é bem complicado receber este tipo de notícia. Eu não consegui sair da sala de espera do laboratório sem abrir aquele envelope, são muitas coisas que passam pela cabeça! Na minha, acho que a primeira delas foi: - Isso não é verdade! Vou sair daqui e ele (o médico que realizou o exame) vai me ligar dizendo que houve um engano! E um tremor interno intenso, mas consegui passar um mensagem para o meu marido dizendo: deu cacaca no exame! Ele pensou que teria que repetir. Tive que dizer: é câncer! Nisso já tinha saído do laboratório e voltado ao trabalho, mas com a sensação de andar meio nas nuvens, como se flutuando numa nebulosa irrealidade... pois ele (o médico) ainda poderia me ligar! KKKKKKK

 

Ellas: Passado o susto da notícia, como foi lidar com a doença?

Lúcia: São muitas as coisas que passam pela cabeça da gente, ficaria aqui enumerando mil delas. Mas um dos pensamentos mais fortes foi que, de uma hora para outra, eu que trabalho na área da Saúde, e diariamente encaminho pessoas para o tratamento de câncer, agora teria que enfrentar essa.

Vêm forças mesmo se sentindo meio perdida, vem força de todos os lados: família, amigos e até de desconhecidos que encontramos nesta caminhada.

 

Ellas: E como reagiu aos desafios do tratamento?

Lúcia: Os desafios são enormes. Na minha situação, a indicação era iniciar pela quimioterapia, depois cirurgia e finalizar com a radioterapia, e assim foi realizado.

Cada fase como os seus  desafios diferentes, foi muito aprendizado em um ano de tratamento, os principais deles: na químio, a queda do cabelo, é a careca que realmente dá uma dimensão real de estar com câncer. Os enjoos e os efeitos ficam até secundários! As cirurgias, que na realidade foram duas, a possibilidade que toda a dor pode ser transformada (aí vem o Projeto Segura) e na radioterapia, ter que ficar em Porto Alegre quase dois meses, o desafio de estar longe de casa, longe dos teus e passar por tudo isso. 

 

Ella: Criar, desenvolver e colocar em prática esse projeto ajudou a enfrentar a doença?

Lúcia: Sim e como! Ainda estava convalescendo da segunda cirurgia, quando veio a ideia e assim foi amadurecendo, pesquisando materiais, formas e de como faria e daria prosseguimento. O Projeto também ajudou a me distrair, principalmente no tempo que fiquei em Porto Alegre, que me envolvi com as ONGs que trabalham com pessoas com câncer, aqui devo fazer alusão ao IMAMA RS e a Casa Camaleão (Projeto Camaleão) que abraçaram também a ideia.

 

Ellas: Aceitar a doença não é fácil, foi com o apoio do marido, o publicitário Hugo Ustarroz Pêgas,  que a ideia da bolsa foi colocada em prática. Acredito que a família tem um papel muito importante neste momento, onde é preciso encarar a doença e seguir com o tratamento, isso é verdade?

Lucia: Sim, é a pura verdade. Acredito que pessoas que não sintam este apoio tem mais dificuldade na recuperação, pois o amor cura!

 

Ellas: Como você mesma se expressa, receber o diagnóstico de câncer de mama a deixou  insegura, sem falar de todos os pensamentos e sentimentos que lotam a cabeça, a mente e o espírito de quem precisa enfrentar a doença. Que conselho você dá para quem passa pela mesma situação?

Lúcia: Pensar positivo, mesmo que às vezes se torne difícil. Acreditar que estas situações vêm para nos deixar mais perto de Deus e assim mais fortes!

Cercar-se de pessoas positivas.

Tentar deixar a autoestima lá em cima sempre!

Não ficar com dúvidas, em relação a qualquer situação. Tire sempre as suas dúvidas, estar informada nos traz segurança.

Tem algumas palavras que se tornam clichê, mas são verdades. Tudo passa! E passa mesmo!

Como colocamos no folder do Segura:

"... É uma fase e vai passar!

Segura o medo, segura a ansiedade, SEGURA a VIDA...

Vamos passar por esta fase mais segura, mulher segura é FELIZ!"

 

Ellas: O Projeto ganhou força e vem fazendo doações das bolsas para a colocação do dreno, para mulheres que sofreram cirurgia de mama decorrente de câncer. Quem são seus parceiros e como anda o projeto que tem ajudado mulheres de diferentes partes do Brasil?

Lúcia: O Projeto tem sua gestação e nasce em casa, quer melhor maneira de iniciar? Pois como estava convalescendo os primeiros a saberem e darem os principais pitacos foram os familiares. Ter uma agência com toda a competência e amor ao meu lado também foi muito importante para tudo fluir melhor. Contar com os amigos que de várias maneiras contribuíram financeiramente foi e está sendo uma resposta a tudo que se acredita na amizade. Estamos recebendo também o apoio de algumas empresas, e dos locais onde estão sendo entregues as bolsinhas como; Projeto Camaleão, do IMAMA RS; Núcleo Mama do Hospital Moinhos de Vento e Ambulatório de Mastologia do SUS do Hospital Santa Rita em Porto Alegre. Aqui em Bagé, Santa Casa, através do Bloco Cirúrgico; CIOM e UNACON, no Hospital Universitário; Medkon e Liga Feminina de Combate ao Câncer.

Recentemente, enviamos algumas unidades para Brasília, que deverá ser entregue no CACON do HUB.

 

Além da  bolsa, que é doada, é entregue um material de apoio com dicas e cuidados com o dreno e pós-cirúrgico.

Quem quiser ajudar e conhecer o projeto Segura pode acessar o Instagram: @projetosegura

No Fabebook :/projetosegura ou entrar em contato pelo e-mail projetosegura@gmail.com.  

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