ANO: 25 | Nº: 6233

José Artur Maruri

josearturmaruri@hotmail.com
Colaborador da União Espírita Bajeense bagespirita.blogspot.com.br
09/03/2019 José Artur Maruri (Opinião)

Ciência e religião

A Revista Superinteressante, em sua edição 399, fevereiro de 2019, traz em sua opinião o seguinte título: “Lugar de criança é na escola. Lugar de Deus é na igreja”. Numa clara alusão de que não devemos misturar ciência com religião.
A revista fundamenta sua opinião no fato de que um professor não pode tratar em pé de igualdade todas as religiões em sala de aula e, por isso, deve abraçar o método científico e desprezar a religião, por ser de cunho pessoal.
Ainda no século XIX, Allan Kardec, na obra O Evangelho Segundo o Espiritismo, em seu capítulo primeiro, traz um tópico sobre a aliança entre a Religião e a Ciência, oportunidade em que ele cita as desavenças entre uma e outra, e, ao que parece, mais do que nunca, o tema continua atual.
O argumento utilizado pela revista é muito coerente, no entanto, desconsidera que assim como o professor não tem como tratar todas as religiões em pé de igualdade, ela também não está tratando todas as religiões de forma igual. Ao contrário, demonstra desconhecimento, por exemplo, do Espiritismo, luz que veio aos homens através da organização, perícia e metodologia de Allan Kardec.
Se o Espiritismo fosse do conhecimento do editorial da revista jamais ela falaria em dogmas, por exemplo, o que confirma a assertiva de Kardec quando ressalta que “a Ciência e a Religião não puderam entender-se até agora, porque, encarando cada uma as coisas do seu ponto de vista exclusivo, repeliam-se mutuamente”.
Para Allan Kardec a desavença entre Ciência e Religião resulta “de uma falha de observação, e do excesso de exclusivismo de uma e de outra parte. Disso resulta um conflito, que originou a incredulidade e a intolerância”.
Para que haja uma aproximação, uma ponte, entre Ciência e Religião, segundo o Codificador, iluminado pela Espiritualidade Maior, “era necessária alguma coisa para preencher o espaço que as separava, um traço de união que as ligasse. Esse traço está no conhecimento das leis que regem o mundo espiritual e suas relações com o mundo corporal, leis tão imutáveis como as que regulam o movimento dos astros e a existência dos seres. Uma vez constatadas pela experiência essas relações, uma nova luz se fez: a fé se dirigiu à razão, esta nada encontrou de ilógico na fé, e o materialismo foi vencido”.
Diante do conhecimento das leis que regem o mundo espiritual e suas relações com o mundo corporal, estamos imersos na lei do progresso que também é uma lei de Deus e queiramos ou não, vamos participar das consequências de tamanha revolução moral, arrastados pelo movimento geral, sob a ação dos Espíritos.

(Referência: Revista Superinteressante. Edição 399. Fevereiro de 2019. Allan Kardec. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Capítulo 1. Item 8. FEB Editora)

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