ANO: 25 | Nº: 6335

Luiz Fernando Mainardi

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Deputado Estadual
13/03/2019 Luiz Fernando Mainardi (Opinião)

O Carnaval acabou. A luta continua.

Em muitos lugares, incluindo em nossa cidade, o Carnaval foi um espaço de manifestações políticas e conscientização sobre os retrocessos que estamos vivendo no Brasil. De certa forma, a festa popular brasileira deu a senha para o início de um ano de muitas lutas e, esperamos, capacidade de resistência e conquistas.
Na política, a agenda de 2019 será muito importante para o povo brasileiro, para os gaúchos e para os bajeenses, em particular; que, além de todos os temas nacionais e regionais, ainda se confrontam com a necessidade de fazer um balanço das mudanças que ocorreram em Bagé nos últimos anos.
Em nível nacional, o principal acontecimento no campo político é a tentativa reiterada de um governo liberal-conservador (neste caso com fortes características de extrema-direita) em realizar o que chamam de reforma da previdência, nada mais do que a retirada de direitos dos trabalhadores e assalariados para produzir economia nos gastos públicos e sociais a fim de canalizar recursos para o capital financeiro nacional e internacional.
No Brasil, isso fica ainda mais claro quando o projeto pretende, centralmente, mudar o modelo previdenciário, do sistema de repartição (como é o nosso), em que as gerações presentes sustentam as gerações passadas, de forma solidária, para o da capitalização, em que cada um será responsável pela sua própria poupança previdenciária, evidentemente prejudicando os mais pobres, que têm menos renda para guardar, e privilegiando o mercado financeiro, que fará a gestão destes fundos, ampliando ainda mais seu capital especulativo.
Ao tratar a questão previdenciária como um problema de números, sem considerar a dimensão humana e social do tema, o governo Bolsonaro revela uma essência assustadora, de submissão aos interesses e à visão do mundo do capitalismo mais anti-humano que existe, aquele em que os humanos são apenas engrenagens que existem para fazer o sistema funcionar, exatamente o contrário do que se imagina para uma sociedade verdadeira humanista.
No Rio Grande do Sul, essa visão anti-humana e antissocial se mostra na repetição do discurso privatista, para o qual os problemas de financiamento do Estado é causado pela existência de empresas estatais, sejam elas lucrativas ou não, e pelo custo elevado da máquina estatal. O reducionismo desta visão já demonstra a sua limitação, submetida que está a uma ideologia que “odeia” o serviço público e, por conseguinte, os servidores, tidos como empecilhos para o desenvolvimento, que seria, segundo a visão, garantido pela realização dos interesses privados, mesmo que sejam interesses originários de outros estados e até de outros países.
Nada mais falso do que isso. O problema é que as pessoas podem se dar conta tarde demais, como foi quando da privatização da área da telefonia, hoje um péssimo e caro serviço que, fundamentalmente, gera lucros para empresas e empresários que sequer sabemos quem são e onde vivem. Da mesma forma, a CEEE, que foi “esquartejada” para a venda no passado, mas com o cuidado de deixar toda a dívida para o Estado, entregando o “filé” para capitalistas sem nome que hoje já negociaram os ativos com o Estado chinês, esse sim entendedor do que é estratégico para o desenvolvimento de qualquer região do planeta.
Em Bagé, além desses temas, será necessário debater o que foi feito com a época em que a cidade crescia, qualificava a sua infraestrutura e tinha um dos governos mais transparentes e protegidos de processos de corrupção. As atuais autoridades, além de serem parceiras na tentativa de destruir a previdência pública e liquidar o patrimônio do Estado, revelam uma falta de compromisso com os valores fundamentais da vida pública, de ética, transparência e dignidade, como se vê agora com as denúncias de uso da máquina e abuso do poder político e econômico, além, é claro, das várias investigações por corrupção na prefeitura.
Por isso, 2019 será um ano de lutas, esclarecimentos e conscientização sobre as nossas riquezas, os nossos direitos e o futuro que precisamos refazer, juntos. Que seja um ano de luta, de companheirismo e de conquistas.

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