ANO: 25 | Nº: 6233

Viviane Becker

viviminuano@hotmail.com
Colunista social do Jornal Minuano, Viviane Becker é experiente jornalista de geral e conhecida editora do caderno de variedades Ellas.
15/03/2019 Caderno Ellas

pg 2 - artigo - Adriana di Lorenzo

Foto: Reprodução JM

NUNCA DESISTA!

Adriana Di Lorenzo

Psicóloga e psicoterapeuta Analítica

adridilorenzo@uol.com.br

Logo que assisti ao filme “Nasce uma estrela”, dirigido, coescrito e estrelado brilhantemente por Bradley Cooper, fui surpreendida pela ilustre cantora e agora atriz Lady Gaga.

Confesso que pouco sabia sobre ela. Conhecia algumas músicas e lembrava-me de algumas aparições sempre muito performáticas relatadas pelo meu querido amigo Jean. Esse sim, um profundo conhecedor de Gaga.

“Nasce uma estrela” é a quarta adaptação da obra para os cinemas. Nessa versão, Ally (Lady Gaga) é uma jovem de forte personalidade que trabalha em um restaurante. Mas tem um sonho – quer ser cantora. Ela já tentara algumas vezes, mas sempre fora dissuadida por não apresentar uma “aparência adequada”. “Não gosto de cantar minhas músicas. Não me sinto à vontade... minha aparência não agrada”, dizia ela, influenciada pela opinião de gente que não compreendia o que via e ouvia.

Assim que o filme terminou, bastante emocionada, me vi curiosa a respeito de Lady Gaga. Fui atrás de sua biografia e, mais uma vez, descobri o quanto a vida imita a arte. Ou será o contrário?

Através de Ally, Gaga nos mostra o quanto ela e a personagem tem em comum. Um talento escondido, reprimido, que queria sair a qualquer custo. Porém, ambas encontram em seus corpos um bloqueio. Um bloqueio imposto pela “visão” das pessoas e da indústria musical que determina que elas não se “encaixam” e que, por isso, não podem ser cantoras.

Essa questão não é nova. No livro “A mulher que escreveu a Bíblia”, do inesquecível Moacyr Scliar, a protagonista, que nem nome tem, não consegue encontrar nenhuma possibilidade na vida devido a sua terrível aparência. Mais uma pessoa que não se “encaixa”, mais uma mulher que não se “encaixa”. Seja no cinema, seja na literatura, de alguma forma, em qualquer tempo, a arte segue revelando nossa condição humana. E nossa cultura ainda segue impondo às pessoas, em especial a nós mulheres, modelos. Estigmas que determinam o que podemos fazer ou não. O que podemos ser ou não ser.

E eis, portanto a questão. Ally não desistiu! A protagonista de Scliar também não! E Lady Gaga muito menos! Nenhuma delas escutou aqueles que não acreditaram em seu talento. Ally projetou em Jack (Bradley Cooper), um estímulo, uma coragem que já existia dentro dela. A mulher que escreveu a Bíblia encontrou seu talento na escrita. E Gaga também encontrou seu próprio caminho. Na excentricidade, a cantora achou uma forma de poder falar, de poder cantar. E agora, somente em 2018, de poder atuar.

Por esse motivo o filme emociona tanto. Uma emoção que vai além da luta de Jack Maine (Cooper) contra alcoolismo e outras drogas. Que vai além do romance entre Ally e Jack. Que vai além da linda canção Shallow. Ally, Gaga e a personagem sem nome de Scliar não sucumbiram ao que definiram sobre elas.

Em seu discurso cheio de emoção e paixão, no Oscar 2019, no qual ganhou melhor canção original com a música Shallow, a cantora e atriz Lady Gaga afirmou: “Isso tudo é trabalho duro, eu trabalhei duro por muito tempo. E não é sobre vencer. É sobre não desistir”.

Simone de Beauvoir dizia que nada define a nós, mulheres. Nada nos sujeita. Que a liberdade é a nossa própria substância, já que viver é ser livre!

Que sejamos livres. Livres para caminharmos na direção que quisermos, que acreditarmos. Para pensar e agir como dizia Albert Einstein, que o impossível existe até que alguém duvide dele e prove o contrário. Há inúmeras possibilidades. Há muito a dizer! Há muito a fazer! Basta estarmos atentos, acreditar e nunca desistir!

 

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