ANO: 25 | Nº: 6209

Airton Gusmão

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Pároco da Catedral
16/03/2019 Airton Gusmão (Opinião)

Escutar e viver na realidade o que Jesus Cristo nos pede

Na Exortação Apostólica, a Alegria do Evangelho, o Papa Francisco nos diz o seguinte: “O Reino, que se antecipa e cresce entre nós, abrange tudo, como nos recorda aquele princípio de discernimento que Paulo VI propunha a propósito do verdadeiro desenvolvimento: ‘Todos os homens e o homem todo’. Sabemos que a evangelização não seria completa, se ela não tomasse em consideração a interpelação recíproca que se fazem constantemente o Evangelho e a vida concreta, pessoal e social dos homens” (nº 181).
Neste segundo domingo da Quaresma, temos o Evangelho da transfiguração do Senhor (Lc 9,28-36). Jesus e três discípulos sobem à montanha para rezar e lá o Mestre se transfigura diante deles. Os discípulos dormem e, depois de acordarem, eles contemplam a glória de Jesus e, fascinados pela beleza, sugerem eternizar essa realidade, construindo moradia. Porém, uma voz veio da nuvem e pediu-lhes para escutar e seguir o que o Filho determina: “Este é o meu Filho, o Escolhido. Escutai o que ele diz”.
É a Ele, o Filho, o Escolhido, que devemos ouvir e obedecer. A voz do Mestre nos desinstala e nos leva a descer da montanha, onde realizamos nossa missão de tornar presente o Reino de Deus. Não podemos ficar acomodados no alto da montanha. É lá embaixo, na planície que estão os desafios e o povo sofrido com suas necessidades e ansioso pela transfiguração da realidade em que vivem.
Estamos vivendo neste tempo quaresmal a Campanha da Fraternidade, que tem como tema: Fraternidade e Políticas Públicas e, como lema: Serás libertado pelo direito e pela justiça” (Is 1,27). O texto-base nos recorda que “Políticas Públicas” são ações e programas desenvolvidos pelo Estado ou pelo governo para garantir e colocar em prática direitos que são previstos na Constituição Federal e em outras leis, tais como a educação, a saúde, a segurança pública, a moradia, o saneamento básico, a ecologia, os Direitos Humanos e outros.
A Sagrada Escritura designa a palavra “direito” como a ordem justa da sociedade, em sentido objetivo, que nem sempre é respeitada na vida real. Por isso, o direito deve se guiar pela “justiça”, pela qual nos preocupamos com os mais pobres dentre o povo, representados pela tríade: a viúva, o órfão e o estrangeiro. A justiça não consiste somente na obrigação moral de dar ao outro o que é dele ou o que merece: é também dar algo a quem nada possui ou não merece (texto-base, nº 117).
No Novo Testamento vemos Jesus que se interessa por cada situação humana, participando da realidade dos homens e das mulheres de seu tempo, com uma confiança plena na ajuda do Pai. Falando de Deus como o Pai da Misericórdia, ocupou-se com os famintos, os doentes, as crianças, as mulheres e os excluídos da sociedade. Indicou a postura do Bom Samaritano como modelo de compaixão e misericórdia. Insistiu na importância da organização do povo faminto e na prática da partilha (texto-base, nº 132; 135-136).
Com o olhar voltado para Jesus Cristo, os seus seguidores não se deixam abater pela contradição, pela violência e injustiças; mas, na força do Espírito Santo, oferecem o testemunho da transformação de todas as coisas nEle. Os que seguem Jesus e o anunciam, pela Palavra e pelo testemunho, formam a comunidade, a Igreja, e assim, são a presença do Reino de Deus na sociedade. Portanto, fortalecer as políticas públicas sociais em que a dignidade humana, a solidariedade e o direito de se ter direito sejam condição política e religiosa da missão humana na terra, é viver a prática do Evangelho.
Façamos a nossa parte. Sejamos alegres na esperança, fortes na tribulação, perseverantes na oração e solidários com os que sofrem. Um bom final de semana a todos e até uma próxima oportunidade.

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