ANO: 25 | Nº: 6379

Fernando Fagonde

fernandofagonde@gmail.com
Professor do curso de Sistemas de Informação da Urcamp | CIO da Y
16/03/2019 Fernando Fagonde (Opinião)

Os carros elétricos e as oficinas do futuro

O homem já conseguiu desenvolver tecnologia suficiente para visitar outros planetas.
Já criou impressoras que conseguem entregar cópias de órgãos humanos;
As distâncias foram reduzidas a centímetros, com a utilização da internet como meio para estabelecer comunicações.
Bibliotecas inteiras são armazenadas na nuvem tornando possível o acesso à informação de uma forma nunca antes sonhada pelo homem.
Em comum, todos os assuntos acima possuem a eletricidade como recurso essencial para a sua utilização e o assunto da moda, são os carros elétricos.
Não querendo entrar na discussão a respeito da viabilidade de combustíveis fósseis, da sua sustentabilidade ou se são uma fonte interessante de renda para quem quer que seja, basta uma meia dúzia de cliques na internet para perceber que alguma coisa está mudando.
O governo da França anunciou, no ano passado, que até o ano de 2040 eliminaria toda a frota de carros movidos a gasolina ou diesel de sua frota, como etapa de um projeto que visa tornar o país europeu livre de carbono até o ano de 2050.
Você pode dizer:
- OK, e eu com isso?
Depois desse anúncio da França, outros países europeus anunciaram propostas semelhantes, com prazos que chegam no máximo a 2030, como a Alemanha por exemplo.
Ato contínuo, a Volvo®, empresa sueca conhecida pela confiabilidade e segurança dos seus carros, informou que já no ano de 2019 produziria somente carros elétricos.
A empresa norte americana de veículos e energia Tesla® já comercializa seus modelos no Brasil, apesar de não possuir concessionárias como o nosso mercado está acostumado.
A Chevrolet, a Renault, a Nissan, a BMW entre outras já estão comercializando seus carros elétricos em suas revendas pelo país. Os preços ainda são salgados e se colocarmos o valor do “combustível” talvez fique mais indigestos ainda, mas isso é outra discussão.
Analisando esse contexto, duas ideias nos ocorrem: em primeiro lugar, o que vai acontecer com todos os 1,215 bilhões de carros que existem pelo mundo?
Lembro-me de quando os postos de combustíveis começaram a oferecer gás natural como opção, muitos foram os empresários que aproveitaram o nicho de mercado e criaram oficinas de “conversão” ao lado dos postos, com kits que permitiam aos carros o armazenamento e utilização do novo combustível.
Pensando nisso, pesquisamos a respeito e encontramos pouquíssimas opções disponíveis de empresas que oferecessem o “kit de conversão” para carro elétrico, obviamente que não temos profundidade para abordar o assunto e definir a complexidade envolvida, porém, podemos perceber claramente é uma oportunidade para quem tem o empreendedorismo na veia.
Já num segundo momento, imaginamos: quem leva um fusca para revisar ou consertar na concessionária? Um pedaço de arame, alguns parafusos e um alicate resolvem qualquer problema do pequeno carro. Conforme os anos de fabricação dos modelos vão passando, a complexidade dos consertos vai aumentando e são necessárias oficinas mecânicas de confiança com profissionais capacitados e especializados em cada assunto do sistema de funcionamento do veículo.
A dúvida que aparece então é: quem vai consertar os carros elétricos quando eles estiverem fora da sua garantia.
Tal questionamento parece um pouco precoce, porém, se considerarmos que talvez seja necessário uma graduação em alguma engenharia ou algum curso de TI para estar capacitado para a tarefa, a hora de começar é agora.
Em breve, uma enxurrada de carros elétricos inundará as nossas ruas e avenidas e quem vai cuidar desses brinquedos é aquele que se preparar primeiro.
Não se esqueçam, as profissões do futuro ainda não foram inventadas, mas é necessário estar preparado para elas quando surgirem. Na vez dos mecânicos de carros elétricos, o cavalo encilhado já está na porta esperando.

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