ANO: 25 | Nº: 6255

Rochele Barbosa

rochelebarbosa@gmail.com
Jornalista formada pela Universidade da Região da Campanha. Responsável pela produção e reportagem do caderno de Saúde do Jornal MINUANO
18/03/2019 Caderno Minuano Saúde

Dia mundial do rim

Foto: Divulgação

A doença renal crônica vem sendo caracterizada em todo o mundo como um problema de saúde pública. A cada dia, fica mais evidente a prevalência de pacientes com doença renal crônica, sobretudo nos estágios iniciais, mas também em fase terminal.

Os casos que se encontram em estágios mais precoces de doença podem ser detectados através de testes laboratoriais e o diagnóstico, nessa etapa, é importante, visto que o tratamento adequado é capaz de reduzir a velocidade de progressão para insuficiência renal crônica terminal e diminuir a ocorrência de eventos cardiovasculares.

O diagnóstico precoce, de um modo geral, depende da realização de exames, uma vez que a DRC tende a ser assintomática até fases bem avançadas de sua evolução. Na quinta-feira, 14, foi comemorado o Dia Mundial do Rim. Nesta edição, a equipe da Hemodiálise do Hospital Universitário (HU) Doutor Mario Araújo, mantido pela Fundação Attila Taborda (Fat), explica sobre a doença.


Sinais, grupos de risco e medidas de proteção renal

 

Principais sinais

Nos adultos

Pressão arterial elevada

Edema (de membros inferiores, face ou generalizado)

Palidez anormal decorrente de anemia

Náuseas e vômitos frequentes

Urina espumosa

Hematúria

Nas crianças:

Infecções urinárias de repetição

Deficiência de crescimento

Doenças renais na família

 

Grupos de risco

Hipertensos

Diabéticos

Parentes de portadores de DRC, diabetes e hipertensão arterial

Portadores de doença cardiovascular

Idosos

Obesos

 

Segundo a equipe do HU, estudos revelam que as pessoas com DRC são encaminhadas tardiamente para o nefrologista; pouco mais da metade delas já estão em uma fase avançada de evolução da doença renal (com TFG inferior a 30 ml/min) rumo à completa perda de função dos rins. Nesta etapa, pouco pode ser feito para deter ou reverter o processo. Porém, o diagnóstico precoce dá uma chance de recuperação ao indivíduo ou prolonga o tempo até a terapia de substituição renal (TSR) ou, na pior das hipóteses, permite que ele entre nesta fase de tratamento devidamente preparado dos pontos de vista físico e psicológico.

 

Medidas de proteção renal

Os casos que se encontram em estágios mais precoces de doença podem ser detectados através de testes laboratoriais. O diagnóstico, nessa etapa, é importante, visto que o tratamento adequado é capaz de reduzir a velocidade de progressão para insuficiência renal crônica terminal e diminuir a ocorrência de eventos cardiovasculares.

A abordagem terapêutica vai depender da fase da DRC, assim como da sua causa. Além de diabetes e hipertensão arterial que devem ser rigidamente controladas, outras causas de DRC podem ter tratamentos específicos, como as glomerulopatias, a doença renal policística e infecções urinárias de repetição. Quando existem alterações iniciais no exame de urina ou na creatinina sérica, há medidas gerais para controlar o processo de instalação da doença renal, além de tratar a doença que deu início ao processo, entre as quais citam-se: evitar álcool, fumo, sedentarismo e fazer dieta apropriada.

 

Medidas preventivas gerais

Redução da pressão arterial

Uso de medicações prescritas pelo médico;

Redução da ingestão de sódio , alimentos e refeições industrializadas.

Controle da glicemia, da dislipidemia e da anemia;

Diminuição do tabagismo

Aumento da atividade física

 

Estratégias de prevenção

Fica evidente que o encaminhamento tardio é inadmissível e o atraso no diagnóstico não condiz com os avanços da medicina. Porém, ambos os casos continuam acontecendo. Combatendo a situação e encarando a doença renal crônica como um problema de saúde pública, vêm sendo feitos esforços em todo o mundo para esclarecer a população e sensibilizar os profissionais de saúde e as entidades governamentais para a importância do problema. Ainda no que se refere à prevenção de doenças renais, iniciativas bem sucedidas se encontram em andamento em países desenvolvidos e também em desenvolvimento.

No Brasil, Campanhas de Prevenção de Doenças Renais vêm sendo promovidas pela Sociedade Brasileira de Nefrologia desde 2003, com a criação do Comitê de Prevenção de Doenças Renais.

Uma iniciativa mais recente em prol da prevenção de doença renal foi a criação do Dia Mundial do Rim. Comemorado pela primeira vez em 9 de março de 2006, a data corresponde à segunda quinta-feira de março de cada ano. Neste dia, um número crescente de países fazem campanhas e os mais diversos tipos de manifestações para alertar a população e as autoridades sobre o problema que a DRC representa.

 

Alimentação

A nutricionista Ana Paula Pereira, especialista na área, destaca que a alimentação saudável desempenha papel importante na prevenção da Doença Renal Crônica. Para proteger os rins, as pessoas devem controlar também os fatores de riscos como a diabetes a hipertensão e a obesidade.

 

Sugestões

1- Leia os rótulos dos alimentos. Verifique a tabela nutricional e a lista de ingredientes. Opte sempre que possível pelos que tenham menor quantidade de sódio, gordura trans e açúcar.

 

2- Manter a pressão arterial adequada

Os brasileiros consomem mais sal que o recomendado. A Organização Mundial de Saúde preconiza um consumo diário de no máximo cinco gramas de sal (Na Cl) ou 2000 mg de sódio para uma pessoa saudável . Porém, no Brasil, a população consome em torno de 12 gramas. O excesso de sal tem relação direta com a hipertensão.

Temos muitas opções de temperos caseiros que podem facilmente substituir o sal e temperos industrializados. Use e abuse deles como: alho, cebola, salsinha, cebolinha, orégano, manjericão, curry, pimenta, limão etc

 

3 - Devagar com o açúcar ⠀

Açúcar em excesso pode aumentar as chances de desenvolver diabetes e obesidade, que são fatores de risco para a doença renal. Mude o tipo de açúcar que você consome e diminua a cada dia a quantidade que você adiciona nas bebidas (café, sucos, chás) e elimine o consumo de refrigerantes e também sucos já adoçados.

 

4- De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), é necessário o consumo diário de três a cinco porções de frutas por dia, dependendo das necessidades de cada pessoa. As frutas são peça fundamental numa alimentação saudável. Elas fornecem vitaminas e minerais (potássio, zinco, cálcio, magnésio etc), diferentes fibras alimentares, compostos protetores (flavonóides) que ajudam a regular o organismo.

 

5- Modere o consumo das carnes vermelhas. Varie com carnes brancas (frango, peixe e proteínas de origem vegetal (quinoa, soja, cogumelos, grão de bico).

 

6- A regra de ouro para uma alimentação saudável é minimizar o consumo de alimentos muito processados e fazer de base da nossa alimentação os alimentos In Natura. Para tal, organize suas refeições de forma equilibrada, rica em verduras variadas, grãos integrais, frutas e carnes magras. 

 

7- Perder de peso se estiver acima do ideal. Lembre-se: o nutricionista é o profissional habilitado para ajudar você a adequar essas orientações de acordo com o seu dia a dia.


O médico nefrologista, Manif Curi Jorge destaca que o tratamento para doença renal Crônica em estágio avançado conservador consiste em todas as medidas clínicas (remédios, modificações na dieta e estilo de vida) que podem ser utilizadas para retardar a piora da função renal, reduzir os sintomas e prevenir complicações ligadas à doença renal crônica. Apesar dessas medidas, a doença renal crônica é progressiva e irreversível até o momento. Porém, com o tratamento conservador é possível reduzir a velocidade desta progressão ou estabilizar a doença.

Esse tratamento é iniciado no momento do diagnóstico da doença renal crônica e mantido a longo prazo, tendo um impacto positivo na sobrevida e na qualidade de vida desses pacientes. Quanto mais precoce começar o tratamento conservador maiores chances para preservar a função dos rins por mais tempo.

Quando a doença progride ou quando ela já descoberta de um estágio muito avançado, o paciente é preparado da melhor forma possível para o tratamento de diálise ou transplante (consultar informações sobre hemodiálise, diálise peritoneal e transplante renal). Em Bagé, a Clínica Nefro Rim sul atende hemodiálise e diálise peritoneal, contando com equipe multidisciplinar para o tratamento de pacientes.

Por ser uma doença silenciosa, ela dá um "baque" no paciente, após descobrir. Sendo assim, atuando com o Hospital escola da Urcamp, há um estagiário da Psicologia, pois a doença renal geralmente manifesta-se de maneira abrupta na vida de uma pessoa, demandando que o paciente se adapte a uma nova forma de vida, nova rotina diária, hábitos e autocuidado. Tudo isso pode gerar uma fragilidade psicológica e emocional significativa na vida deste paciente, assim como na vida de seus familiares. O psicólogo na área de nefrologia atua com a equipe multiprofissional e realiza atendimentos psicoterapêuticos individuais e familiares, procurando trabalhar aspectos emocionais e afetivos envolvidos no processo de adoecimento. Esse acompanhamento ocorre visando tanto a reestruturação psíquica do paciente que recebe o diagnóstico da insuficiência renal crônica, como também no paciente que necessita manter seu tratamento.

Através do acompanhamento psicológico junto aos pacientes, propõe-se a auxiliá-los a encarar sua condição sob outra perspectiva, verificando novas estratégias de enfrentamento que possibilitem o bem-estar e promovam melhor qualidade de vida, conforme destaca o estagiário de psicologia João Oliveira.

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