ANO: 25 | Nº: 6209

Dilce Helena Alves Aguzzi

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Psicóloga
19/03/2019 Dilce Helena Alves Aguzzi (Opinião)

“Saber e não fazer ainda não é saber”

Temos presenciado um aflorar de cursos, técnicas, estudos, teorias mirabolantes e receitas para o bem viver e ser feliz como nunca foi visto antes. A internet e o advento das novas tecnologias se encarregam de multiplicar informação. As redes sociais servem de espécie de feira para divulgar essas possibilidades de aperfeiçoamento pessoal, bem como para aqueles que apreciam a autodivulgação fazerem exposição de seu vasto currículo de cursos, palestras e treinamentos.
Por óbvio não sou contra o aprimoramento pessoal e profissional. Porém, é tanto comércio de informação sem saber, é tanta promoção de evento sem reflexão ou profundidade que me vem à mente a máxima de Lao Tsé, filósofo chinês que viveu no século Vl antes de Cristo, e pelo visto permanece atual: saber e não fazer ainda não é saber.
Penso que o conhecimento leva à evolução e os saberes devem ser compartilhados, mas confesso tenho bronca da receita pronta, tenho ranço (pra usar uma palavra do momento) daqueles que querem ensinar aquilo que não vivenciaram jamais. Novas nomenclaturas e enquadramentos para a mesma miséria emocional e afetiva já conhecida. Acabam sendo produtos maquiados de inovação e que sem o aprofundamento do autoconhecimento não darão em nada além de gastos financeiros, de tempo e energia.
A vida nos surpreende e existir de forma plena e consciente se torna missão mais e mais complexa na tensa rede social da qual fazemos parte. Muitas vezes a solução está no já conhecido, nas próprias raízes, no retorno ao simples, no conhecimento propagado de geração em geração e o eco singular que isso tudo promove dentro de cada um.
Silenciar as muitas vozes, apelos, sons e chamados do mundo externo e interconectado pode ser um forma de contato com o mundo interior repleto de sombras e de luz. Percorrer esses caminhos e conhecer o retorno à superfície promove autoconhecimento e confiança. Só aí estaremos prontos para as teorias e talvez a partir daí a maioria delas nos pareça uma grande bobagem.
Concluindo, um pouco mais de Lao Tsé: Conhecer os outros é inteligência; conhecer a si mesmo é a verdadeira sabedoria.
    

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