ANO: 25 | Nº: 6334

Fernando Fagonde

fernandofagonde@gmail.com
Professor do curso de Sistemas de Informação da Urcamp | CIO da Y
23/03/2019 Fernando Fagonde (Opinião)

Interface cérebro-máquina, seus pensamentos pela rede

Em 1990, o brasileiro Miguel Nicolelis, com o americano John Chapin, criaram o que eles chamam de paradigma da Interface cérebro-máquina. Em outras palavras, eles pesquisavam circuitos neurais e tentavam entender como grandes populações de neurônios interagiam para gerar comportamentos.
Um dos resultados da pesquisa mostrou que, em um terço de segundo antes de qualquer movimento, o cérebro humano mapeava e codificava todos os comandos necessários para a sua realização.
Após essa descoberta, o plano era conseguir mapear esse conjunto de comandos elétricos, enviá-los a um computador e, através de fórmulas matemáticas, enviar a um dispositivo externo que pudesse realizar esse comando, como um braço, uma perna, um programa de computador, um componente eletrônico ou não, ou seja, comandar esses objetos usando os pensamentos.
Dando continuidade aos experimentos, ele percebeu que os cérebros das cobaias, ao utilizarem os braços comandados pelos seus pensamentos, acabavam assimilando aquele objeto como parte do seu ser. Resumindo, o cérebro agia como se o braço robótico fosse uma extensão do seu próprio corpo.
Essa tecnologia possui um potencial imenso quando se trata de tornar a vida das pessoas melhor, principalmente se considerarmos que a ligação com o cérebro é uma mão dupla, e os agentes, além de enviar comandos, podem receber sensações.
Como o próprio Nicolelis descreve: "Ninguém pode imaginar a alegria para de uma pessoa paraplégica ao poder sentir o chão sobre os seus pés novamente e poder caminhar."
Além disso, outras possibilidades se apresentam à nossa frente com a tecnologia e resultados das pesquisas do cientista. A condição de movimentar membros mecânicos, ou corpos mecânicos e interagir com programas de computador podem revolucionar diversas áreas no mundo inteiro.
Com a possibilidade de interagirmos com um computador, por exemplo, é possível enviar um e-mail sem mover um dedo no teclado. Instalar um programa, jogar um jogo ou fazer uma pesquisa no Google serão coisas triviais e os testes já estão avançados nesse sentido.
Mas essa inovação toda tem o seu preço.
Em uma entrevista para a TV, em 2010, Eric Schmidt, presidente do Google, disse a seguinte frase:
"Não se esqueça, quando você divulga alguma coisa na internet os computadores lembrarão para sempre."
A conclusão é simples, o que você pensa pode ir parar na internet e uma vez lá, não tem volta, em um futuro próximo será possível termos um backup dos nossos pensamentos na nuvem, excelente notícia para quem tem a memória fraca.
Já existem empresas que utilizam essa tecnologia, de leitura das ondas cerebrais para monitorá-las e manipulá-las, combatendo a ansiedade, o stress e fazendo seus usuários perder peso, além de serem utilizadas no combate a depressão. Uma revolução da indústria farmacêutica, ao invés de comprarmos um remédio, compraremos uma espécie de capacete que vai nos curar de determinada coisa.
Poderemos controlar nossa casa com o pensamento, se colocarmos o ingrediente da internet das coisas nessa receita.
Poderemos dirigir os nossos carros sem sair do sofá da sala, basta ter uma conexão entre a casa e o carro.
As possibilidades são muitas, aliás, são imensuráveis no momento, como qualquer tecnologia emergente.
Em breve, teremos essas opções batendo nas nossas portas e, certamente, teremos muitos benefícios com elas.
A discussão ética que deve ser promovida no momento oportuno diz respeito ao limite de privacidade que nossos pensamentos deverão ter quando chegarem na internet e a segurança daquilo que vem da internet para o nosso cérebro.
É possível que os gênios do mal também criem vírus de computador destinados a infectar nossos cérebros, o que vai criar o mercado dos "antivírus" cerebrais.
Vai saber o que vem por aí, né? É importante ficar atento.

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