ANO: 25 | Nº: 6405
25/03/2019 Cidade

Produtores reivindicam recapeamento na ERS-647

Foto: Antônio Rocha

Estado crítico de conservação da via motivou protesto
Estado crítico de conservação da via motivou protesto
Nove anos após seu asfaltamento, a ERS-647 foi alvo de protestos no sábado. A estrada que dá acesso à Colônia Nova, em Aceguá, é a principal via de escoamento da produção, além de ligar a localidade com a BR-153. Com diversos pontos de deterioração, o trecho tem sido alvo constante de reclamações e preocupação para quem a utiliza diariamente.
É o caso de Eduardo Vasconcellos, proprietário de uma empresa de transporte da região. Diariamente, ele e sua equipe de motoristas, que conduzem os nove caminhões da empresa, transportam leite, cereal e ração pela estrada. Mas, a cada dia, o cuidado para vencer os 12 quilômetros da estrada é maior.
Somente no ano passado, Vasconcellos somou um prejuízo superior a R$ 10 mil, com pneus tão avariados pelos buracos na estrada que inviabilizaram sua utilização. "A meia vida de um pneu de caminhão é de um ano e meio. Esses três não tinham nem um ano! Cada um custa R$ 2 mil, ou seja, só em pneu tive um prejuízo de R$ 6 mil, fora os estragos em para-choque, que acontecem toda hora", conta.
Em 2012, apenas dois anos após a inauguração, a estrada recebeu uma grande manutenção comunitária. O empresário recorda que após inúmeras solicitações de manutenção da via sem resposta, os produtores se reuniram e compraram o material necessário para a operação tapa-buraco, enquanto Vasconcellos garantiu a mão de obra, com seus funcionários. "Ficamos quase um mês aqui na estrada, tapando buraco por buraco com uma carga de rejeitos da Mônego, com pá", recorda.
Um dos organizadores do protesto, o produtor Sérgio Hubert, destaca a importância da via para a comunidade da Colônia Nova. "É o principal acesso ao Hospital da Colônia Nova, que presta atendimento para toda a região. Por isso, a estrada tem trânsito direto de ambulâncias. Também é por onde transita o transporte escolar, que leva os estudantes para Bagé e Aceguá e onde acontece todo o escoamento da produção. Por aqui passam, diariamente, 80 mil litros de leite", argumenta.
Hubert relembra, ainda, que após a operação tapa-buracos feita pelos produtores e condutores, apenas uma manutenção foi iniciada na via, feita pelo governo do Estado: "Há cerca de meio ano, eles vieram aqui para arrumar e só tiraram o asfalto, deixaram os buracos sem cobertura. O que queremos é que façam algo decente, que não dê problema para toda hora. A base dessa estrada é muito fraca para aguentar o peso que circula por ela", analisa.
A ordem de reinício de serviços de pavimentação asfáltica e sinalização da estrada foi emitida em setembro de 2010, a um custo total de R$ 3 milhões. Anunciada pela então governadora Yeda Crusius, em visita à Colônia Nova, em outubro de 2009, os trabalhos já haviam sido iniciados em 1997 e foram paralisados diversas vezes. A obra era aguardada há mais de 40 anos pelos moradores da região, para garantir o desenvolvimento da bacia leiteira.

Tragédia anunciada no Rincão dos Cravos
Cerca de 15 quilômetros adiante, já no interior da Colônia Nova, outra questão é apontada como urgente e preocupante pelos moradores. A ponte Rincão dos Cravos tem mais de 50 anos e está visivelmente deteriorada, com partes de madeira faltando, deixando a queda livre para algum desatento. Abaixo da ponte, é possível ver que alguns pilares de sustentação se soltaram da plataforma, deixando a passarela ainda mais insegura.
Feita de forma rústica, com madeiras para sustentação, sem guarda, a ponte é o único acesso do interior da localidade, por onde passam, diariamente, transportes pesados, como caminhões e veículos escolares.
Moradora da região, Liliane Nunes Pereira conta que apenas uma grande manutenção foi feita no local, em 1990. Depois disso, apenas reparos esporádicos.  "É um problema histórico. Tivemos uma tragédia aqui, em 1996. Uma madeira se soltou e derrubou um caminhão de leite. Morreram duas crianças, que estavam com os pais no caminhão. Um bebê só não morreu porque as fraldas fizeram ele boiar", recorda.
No início deste mês, a comunidade se reuniu em uma manifestação, exigindo a reforma da ponte. O prefeito, Gerhard Martens, pediu um prazo de 30 dias para iniciar a obra. 

Deixe seu comentário abaixo

Mais notícias da edição

Outras edições

Carregando...