ANO: 25 | Nº: 6404
27/03/2019 Luiz Coronel (Opinião)

Rio Grande do Sul, um ninho de etnias

Permitam-me escrever sobre o Rio Grande assobiando uma canção do mestre Lupicínio Rodrigues, onde e quando em seus versos abria nossas porteiras: "Amigo, boleia perna, puxa o banco e vá sentando." E assim percebo que numa simples canção expressamos nossa virtude maior, sermos magníficos anfitriões de múltiplas etnias. O Rio Grande é um estado ao Sul de si mesmo. Fiel à sua identidade. Aqui o Brasil não termina, sob vários aspectos, começa. Sob três pilares eleva-se nossa identidade. As Missões jesuíticas, onde definimos nosso amor à terra gaúcha, defendendo-a trágica e heroicamente. A Revolução Farroupilha, onde mito e realidade atestam o sentido generoso da coragem patriótica. E o ciclo das migrações, no qual os povos bem-vindos, redimensionam nossa história. E importa ressaltar que os povos aqui chegados assimilaram, de imediato, a identidade gaúcha, porém preservaram como valor indissolúvel, sua memória de origem. Os índios que povoaram por primeiro estas terras desde tempos imemoriais. O africano, cuja presença laboriosa nas charqueadas documenta-se também na arte de outro bajeense, Danúbio Gonçalves. Italianos, alemães, com suor e sonho elevando uma civilização onde fora outrora inóspita solidão. E adentrando o Rio Grande - um país no coração - localizamos espaços territoriais, cidades, povoados, campos, onde judeus, poloneses, russos, eslavos, chineses, japoneses, árabes e tantos outros povos definiram seu novo lugar no mundo. E a presença dos portugueses, açorianos,  e espanhóis, todos eles, com marcas profundas, se tornaram imersos em nossa forma de sentir com intensidade o calor de nossas vidas. Povos bem-vindos sentaram-se à nossa mesa e saboreando o churrasco, o carreteiro e os nossos vinhos, ao som de nossa música, inconfundivelmente nossa. Se, por ventura encontramos um esquimó no bar da esquina ou um javanês de bicicleta em nossa rua, não devemos nos surpreender. E sem precário ufanismo, podemos dizer que a fronteira modelou o tipo símbolo dos habitantes do antigo Continente de São Pedro: O gaúcho com seu poncho, desafiante de invernos, seu cavalo, em cujas patas foi escrita a história, em tempos heroicos, e o chimarrão, herança dos índios, colocando a paisagem nos troncos do peito. Não procure no mapa um povo, país ou grupo social, que em aqui chegando não tenha conhecido a hospitalidade que as distâncias nos ensinaram, nossos rios batizaram e o vento encobriu, por todas as regiões do Rio Grande.

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