ANO: 25 | Nº: 6352
28/03/2019 Cidade

Trote do curso de Psicologia da Urcamp arrecada fundos para obra da Casa da Menina

Foto: Jéssica Pacheco/EspecialJM

Estudantes conheceram instalações da Instituição
Estudantes conheceram instalações da Instituição
Uma das partes mais esperadas (para alguns), ao entrar no Ensino Superior, é o dia do trote. Tintas, brincadeiras, apresentações e, é claro, aquela arrecadação de dinheiro que para o trânsito e surge nas sinaleiras, através de passeios pelas principais ruas da cidade. Mas, em sua grande maioria, o montante termina em um caixa de bar. Um brinde e, depois da noite mágica, todos vão para suas casas. Não muito distante da Urcamp, ao mesmo tempo que isso acontece, em silêncio, elas permanecem lá, em um abrigo que, de casa, tem o nome. Elas não têm para onde voltar, pois não têm para onde sair. E nestas ironias da vida, algo de diferente aconteceu junto aos bixos do curso de Psicologia. O trote, dessa vez, foi solidário e as moedas e cédulas tiveram outro destino: foram destinadas para a obra que está reconstruindo o lar da Casa da Menina.

Ao circularem pelos corredores da Casa da Menina, acompanhados da coordenadora da instituição e do curso de Psicologia, professora Aline Silveira, os estudantes do primeiro e terceiro semestre se viram maravilhados. Alguns já conheciam as antigas instalações e outros as viam pela primeira vez. Dúvidas sobre como funcionava e curiosidade, mas, acima de tudo, compaixão. Na hora de entregar o dinheiro, um montante de R$ 490, arrecadados entre as 20h30min e 22h, uma das acadêmicas se justificou, dizendo: "não é muito". Aline, que de sorriso largo recebeu a quantia, falou sobre a importância de cada moeda que é destinada à Casa e do significado deste valor. "Vocês acham que não é muito? Mas é! É bastante! Isso vai nos dar a oportunidade de seguir a obra que está parada, e, enquanto membro do curso de Psicologia, ver vocês aqui dentro, inseridos nesta realidade, já nos transforma enquanto pessoas e profissionais", disse.

Na entrega da doação, os alunos do curso foram representados por Vitória Almeida, Flauber Seixas, Nathália Carvalho, Larissa Moreira, Tânia Marques e Helena Brito. Do grupo, apenas Flauber e Helena conheciam a Casa. Helena ficou nostálgica ao ver seu antigo ursão de pelúcia no quarto das meninas. E, na conversa de despedida, Vitória se emocionou quando foi confrontada com a realidade que lhes dizia: 'quando a nossa conversa acabar; nosso encontro encerrar; vocês todos vão levantar e vão sair por aquela porta que está ali atrás de vocês. Mas, sabe quem vai ficar aqui? Elas! Todas estas meninas. Em seus quartos antigos, aguardando pela doação de pessoas que colaborem para que elas possam usufruir da obra inacabada. Quando vocês forem embora, vai ter alguém esperando em casa. Uma família. Família que a gente se dá bem, ou que a gente briga, mas que não deixa de ser família. Pois família é laço que raramente se desfaz. E sabem esse raramente? Pois é! Estas meninas foram incluídas e foram transformadas de raramente em realidade. Então, não, a doação de vocês não foi pouca. A doação de vocês vai além do transitório e passageiro. Ela é permanente. Está nas paredes e nas camas que um dia elas vão dormir. Vocês estão ajudando a transformar a casa em lar. Por aqui, as cuidadoras são os familiares, pessoas que cuidam com zelo, que, como as mães, levantam na madrugada para verificar se as crianças estão bem. Em seus aniversários, elas escolhem o cardápio e encontram o sentimento de estarem acolhidas'.

A empreitada

A campanha Construindo com Amor foi uma iniciativa da própria Urcamp, que mantém a Casa da Menina e que cuida, com zelo, pelo bem-estar das meninas que residem na instituição. Sob responsabilidade da arquiteta que compõe a equipe da Coordenadoria de Infraestrutura e Meios da Urcamp, Carine Savino, a obra teve que ser parada em razão da falta de recursos. "Do projeto inicial, ficou faltando finalizar um banheiro e um quarto, mais a área de circulação", comenta.

Para continuar com a campanha, Carine destaca que a loja ASM Materiais de Construção é uma parceria atuante que, além de dar desconto nos produtos que a equipe deixou reservada, ainda faz a entrega sem nenhum custo.

A dedicação e o comprometimento de Carine, que visita a Casa da Menina diariamente e é mãe de dois filhos pequenos, está além do cunho profissional, algo que ela encara com muita seriedade. Mas quando se trata das meninas que residem por lá, se "desmancha". Chora, se emociona e questiona o destino dessas crianças que hoje moram na Casa. "Sempre tem uma história. É impossível chegar naquele lugar e não esbarrar em alguma declaração que elas fazem, algo inocente, e que muda o teu dia, e que te dá um tapa de realidade. Que faz com que tu repense sobre cada detalhe. E, ao mesmo tempo que eu estico as mãos para oferecer colo àquelas crianças, eu penso o quanto seria importante que todo mundo esticasse as suas para oferecer apoio à campanha", desabafa.

Carine trouxe um relato que leva à reflexão. Uma menina de quatro anos disse, um dia, a seguinte frase: "Eu queria virar uma borboleta, só para poder voar". E, como ela, tantos outros exemplos de crianças que são separadas de seus irmãos meninos, abrigados na Casa do Guri; meninas que foram e voltaram, e alguns casos de retornarem com seus filhos nos braços; há aquelas que, vítimas de abuso, deram à luz dentro da Casa. Crianças que geram crianças, que estavam listadas pela vulnerabilidade social. "Lá existe amor, existe carinho, camas quentes, comida e roupas. O que pedimos, com esta campanha, é uma obra que dê a elas a mesma condição de vida que temos no conforto de nossos lares. E são crianças como estas que a nossa ação vai ajudar". reforça, ao frisar que a mensagem que fica é que 'de onde quer que estejamos, podemos nos transportar para a Casa da Menina para conhecer a realidade e colaborar para que a obra seja concluída'.

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