ANO: 25 | Nº: 6382

Fernando Fagonde

fernandofagonde@gmail.com
Professor do curso de Sistemas de Informação da Urcamp | CIO da Y
30/03/2019 Fernando Fagonde (Opinião)

Be my eyes

Na última semana, tomei conhecimento da iniciativa Be My Eyes, que significa "Seja Meus Olhos" em inglês.
A descrição da iniciativa, conforme o seu próprio site é a seguinte: "Be My Eyes é um aplicativo gratuito que conecta pessoas cegas e com baixa visão com voluntários e representantes de empresas para auxílio visual por meio de uma chamada de vídeo ao vivo".
É um programa que pode ser instalado no seu smartphone, onde você pode escolher dois perfis de utilização, voluntário ou portador de deficiência visual. Após alguns toques na tela e algumas letras digitadas, você está apto a auxiliar, caso seja o voluntário, pessoas de qualquer parte do mundo a resolver problemas que parecem triviais para quem enxerga normalmente, mas que para quem não tem essa condição são questões complicadas.
Encontrar utensílios perdidos, descrever objetos, ler etiquetas e placas, ler telas de computador com sites que ainda não são compatíveis com leitores de tela etc, são algumas das possibilidades descritas no site, e a necessidade é o limite.
Fiquei impressionado com a iniciativa, já me cadastrei como voluntário e estou esperando ansioso a primeira oportunidade de ajudar alguém.
Considerando o lado humanitário, certamente trata-se de uma iniciativa muito nobre e merece todo o nosso apoio e divulgação, já são dois milhões e meio de usuários cadastrados como voluntários para ajudar um grupo de meio milhão de pessoas que necessitam de assistência.
Considerando o lado tecnológico podemos recolher alguns aprendizados.
Inicialmente, esse aplicativo não existiria sem internet por questões óbvias, e também, não existiria sem os smartphones.
O Be my eyes usa o que chamamos de computação social, que nada mais é do que várias pessoas que se relacionando de alguma forma através da tecnologia.
É o mesmo conceito que fundamentou a criação de programas como o Uber e o Airbnb, por exemplo, onde o propósito era criar ferramentas para resolver um problema, ou ferramentas com um propósito bem definido. Para atender essa demanda foram criados softwares que ligam consumidores e fornecedores, hóspedes e anfitriões.
Esse é um caminho sem volta, se você identificou algum tipo de necessidade na sua cidade, no seu bairro, na sua família, uma forma de atendê-la é através da criação de alguma plataforma que permita pedir a ajuda dos milhões de usuários da internet que a utilizam todos os dias e que possibilite que essa ajuda chegue até você.
Outro exemplo que podemos citar desse tipo de interação entre as pessoas em torno de um problema ou solução (depende se você vê o copo meio cheio ou meio vazio) é a da comunidade de software livre, enquanto nos softwares proprietários você precisa pagar por um suporte ou garantia, na comunidade do software livre você recebe ajuda de outros usuários, de forma gratuita.
Em comum, independente do fim lucrativo, percebemos um grande crescimento na produção de ferramentas que ajudam pessoas a enxergar, tirar férias,  se locomover. Nem todo problema se resolve com apps, mas, certamente, muitos deles podem ter esse auxílio e com isso um maior alcance e maior efetividade na humanidade.
É a "cauda longa" dos aplicativos sociais, comunidades, empresas e pessoas interligadas em uma rede onde quem ganha são todos.

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