ANO: 25 | Nº: 6309
01/04/2019 Fogo cruzado

Zequinha deixa comando da Coordenadoria de Educação

Foto: Marcelo Rodriguez Barboza/ Especial JM

Souza e Nobre entregaram cargos na sexta-feira
Souza e Nobre entregaram cargos na sexta-feira

À frente da 13ª Coordenadoria Regional de Educação (13ª CRE) desde setembro de 2017, José Carlos Nobre (Zequinha) deixou o posto na sexta-feira, 29 de março, divulgando um balanço de ações desenvolvidas ao longo de, aproximadamente, 18 meses. O destaque fica por conta de um extenso cronograma de obras. Zequinha também falou sobre desafios e adiantou a intenção de disputar a prefeitura de Bagé, pelo MDB.
Zequinha acredita que sua gestão na 13ª CRE foi marcada pela transparência. “Não existiu, de nenhuma forma, o princípio da diferenciação. Ninguém recebeu tratamento desigual. Demos tratamento isonômico. Não favorecemos ou prejudicamos. Não existiu distinção. A cobrança foi feita da mesma forma para todos”, garante.
O ex-coordenador reforça que priorizou 'a via do diálogo'. “Trabalhamos de maneira franca e honesta, olhando no olho, sem problema de ouvir o contraponto. Sabemos das dificuldades. Sabemos da questão do parcelamento de salários. Isso é um entrave. Sabemos que é um dificultador. Mas trabalhamos, na medida do possível, tendo a sensibilidade, tentando fazer os ajustes que eram possíveis e, ao mesmo tempo, manter uma escola pública com qualidade”, avalia.


Obras
A entrega da Escola Estadual de Educação Básica Professor Justino Costa Quintana, formalizada em março do ano passado, é apontada como um marco por Zequinha. “Só nessa obra, foram investidos mais de R$ 7,5 milhões. Foi o maior investimento, em termos de recursos aplicados. Foi também o que mais demorou, por que teve um processo de regime diferenciado de construção”, pontua, ao destacar que, entre 2015 e 2018, 49 das 60 escolas estaduais da região passaram por reformas ou revitalizações.
Zequinha destaca, ainda, que a agenda de investimentos privilegiou a infraestrutura. “Durante quatro anos, isso inclui a gestão de Aristides Costa, e todas as dificuldades, não tivemos alunos estudando em container. Não tivemos alunos estudando em salas improvisadas. Tivemos espaços físicos melhorados. Na questão estrutural, é obvio que não se fez tudo durante os quatro anos, que não inclui apenas a minha gestão, mas conseguimos qualificar o espaço físico, que também é, sim, uma forma de ajudar no processo de aprendizagem”, reconhece.
A reforma da escola Dalva Conceição Medeiros, em Hulha Negra, também é classificada como um marco. O coordenador-adjunto, Carlos Augusto Bittencourt de Souza, que também deixou o posto na sexta-feira, destaca, ainda, a garantia de recursos para obras das escolas Barão de Aceguá, Risoleta de Quadros, em Dom Pedrito, e José Bernardo de Medeiros, de Lavras do Sul. “Os valores (que totalizam R$ 580 mil) já estão depositados nas contas das escolas”, garante. Em Bagé, três obras estão em andamento, nas escolas Gaspar Silveira Martins, Senador Getúlio Vargas e Luiz Mércio Teixeira. As escolas Carlos Kluwe e Arthur Damé também dispõem de recursos depositados.


Ensino Médio
Entre as mudanças experimentadas no Ensino Médio, desde 2017, Zequinha destaca a implementação da primeira instituição de Educação em tempo integral (escola Farroupilha) e o projeto do Novo Ensino Médio, 'que terá uma carga horária progressiva'. “Temos 10 escolas-piloto na região, que serão as escolas-teste, em 2019. Progressivamente, será ampliado para todas as escolas”, observa. Em Bagé, o modelo está presente nas escolas Carlos Kluwe, Luiz Mércio Teixeira, Farroupilha, Justino Quintana e Professor Leopoldo Maieron (Caic).
“As escolas recebem R$ 20 mil, fixos, mais R$ 170 por aluno, até o limite de 600 alunos. O currículo é dividido em 1,8 mil horas, que vai ser o núcleo comum, e 1,2 mil horas, que serão os itinerários formativos. O programa inclui a questão dos projetos de vida e a questão da vocação do aluno, podendo direcionar para ciências exatas ou para as áreas das humanas, por exemplo. O objetivo é evitar a retenção, que é baseada na reprovação, e evitar a evasão. Temos números altíssimos no ensino médio. São índices alarmantes. E esse é um desafio a superar”, pondera.


Avaliação preocupante
“Tivemos um resultado não muito satisfatório no Saers (Sistema de Avaliação do Rendimento Escolar do Rio Grande do Sul). A região não foi bem. Tem muito a evoluir, principalmente na questão da alfabetização”, revela Zequinha.
Na última edição do Saers, participaram as escolas estaduais (urbanas e rurais) e foram avaliados os estudantes do 3º e 6ª anos do Ensino Fundamental e do 1ª ano do Ensino Médio, em Língua Portuguesa e Matemática. “O sistema trabalha com quatro escalas: abaixo do básico, básico, adequado e avançado. Entre abaixo do básico e básico, no 3º ano do Fundamental, nós temos em torno de 60% das escolas”, detalha.
No 6º ano do Ensino Fundamental, ainda de acordo com Zequinha, o índice também alcançou 60%. “No 1º ano do Ensino Médio foi pior ainda. Tivemos 100% dos alunos nos níveis abaixo do básico e básico. É algo que precisamos trabalhar muito. Não é nada que deixe alguma coisa positiva em termos de oferta de qualidade. Tem que se ter muito trabalho na recuperação destes alunos. Por isso que se tem o novo Ensino Médio”, pontua.


Segurança
Zequinha afirma que, desde o ano passado, todas as escolas da 13ª CRE contam com Comissões Internas de Prevenção de Acidentes e Violência Escolar (Cipaves). A questão da segurança, que criou demandas específicas, em Bagé, também é trabalhada com a Brigada Militar. “Fizemos um calendário, desde o segundo semestre do ano passado, realizando reuniões mensais com o comando, onde fazemos a avaliação para saber quais são as escolas mais vulneráveis. Nestas reuniões, com a informação das escolas em maior vulnerabilidade, a patrulha escolar passa a intensificar a atuação”, explica.
Para o ex-coordenador, entretanto, o sistema não representa uma solução definitiva. “Precisamos mudar os hábitos e a cultura. E o programa escola aberta é um diferencial positivo neste sentido, por que a comunidade se apropria da escola. Temos o exemplo do Caic, que não tem depredação de patrimônio. O Ciep (escola Luiz Maria Ferraz, que registrou ocorrências de furto, em 2018) passou a ter o programa. No curto prazo, talvez não tenham resultados práticos, mas, no médio prazo, a escola deve reverter a situação”, projeta.


Reorganização administrativa
O ex-coordenador afirma que cumpriu orientações da secretaria estadual da Educação em um processo rígido de reorganização administrativa. Temas polêmicos estão incluídos neste processo. “Tivemos questões delicadas, como a redução do turno de escolas, onde instituições com menos de 50 alunos passaram a funcionar em turno único. Tivemos situações de multisseriação de algumas escolas. Não são situações que não deixam felizes. O coordenador não fica feliz quando tem que multisseriar uma turma, mas a determinação vem e temos que cumprir”, reforça.
Zequinha observa que 'existiam escolas com muitos alunos e com déficit de professores'. “Aquelas turmas menores, onde era possível colocar a multisseriação, por ordem da mantenedora, isso foi feito. Não é uma coisa que eu entenda como satisfatória. Se pudesse manter, seria o ideal. Mas vem do departamento de planejamento da secretaria. Quando tem carência de professor de um lado e professor com turmas muito pequenas do outro, temos que fazer estas alterações. É o que nos determinam. Talvez não seja o ideal, mas é o possível, infelizmente, neste momento”, diz.
Ainda no terreno da administração, Zequinha destaca a demanda da escola Risoleta de Quadros, localizada na Vila de São Sebastião. “Deixamos todo o processo do Ensino Médio em Torquato Severo encaminhado. Não ficou nada pendente. Já estava para ser votado no conselho estadual de educação, na primeira semana de janeiro, mas houve um pedido de vista. Está concluso. Foi pedido vista por conta da contenção de recursos. Mas a parte de coordenadoria foi totalmente conclusa. O novo coordenador deverá dar encaminhamento”, salienta.


Contratos
Em função de uma determinação do Tribunal de Contas do Estado do Rio Grande do Sul (TCE-RS), os contratos emergenciais, de acordo com Zequinha, 'não podem estar em outra função que não seja regência de classe'. “É o que diz a legislação. Existem algumas excepcionalidades para o curso técnico, por exemplo. Mas os contratos emergenciais são para trabalhar exclusivamente na área de ingresso. Fizemos algumas correções, mas existem distorções que precisam ser corrigidas. Vai ficar essa questão para ser demandada, que é a reorganização. Podemos dizer que deixamos o quadro um pouco mais organizado. Existem ajustes a serem feitos”, revela.


Prefeitura

“O MDB caminha para ter candidatura em praticamente todos os municípios da região”, assegura Zequinha, que é coordenador da legenda desde 2014. “Estamos trabalhando uma parceria com o PSD, em Bagé”, revela. Em Candiota, o nome de Luiz Carlos Folador é cotado para disputar a prefeitura. Lideranças também são avaliadas em Dom Pedrito, Lavras do Sul, Caçapava do Sul e em Aceguá.
A orientação do presidente estadual do partido, Alceu Moreira, é ter candidaturas no maior número de municípios possíveis. “Bagé não fica fora. Vamos pleitear. Hoje, o partido faz parte da base, mas a discussão não está morta. O presidente Alceu pediu para que eu colocasse meu nome à disposição, para concorrer a prefeitura, e vou fazê-lo. Obviamente que vou respeitar a decisão do MDB de Bagé, mas estou colocando meu nome à disposição”, garante Zequinha.
“Se o MDB de Bagé entender que a minha trajetória é importante, acho que pode ser avaliado. Creio que temos condições. Não sofro  problema judicial e tenho uma ligação histórica com o partido. É hora de mostrar que temos um projeto de desenvolvimento. Vamos correr atrás de forças partidárias que nos ajudem. Estamos construindo e o PSD já é um parceiro. Temos figuras históricas, mas também tenho condições de concorrer”, analisa.
Souza, que adianta a pré-candidatura ao Legislativo, pelo PSD, confirma o apoio da legenda ao MDB bajeense. “O partido vai ter nominata forte para vereadores. Vamos tentar fazer um projeto para o futuro de Bagé”, justifica.

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