ANO: 25 | Nº: 6401
03/04/2019 Luiz Coronel (Opinião)

O império da lei

O império da lei - Clamam os juristas, brados de profeta Jericó nos desertos: Fora da lei não há salvação! Sim, respondemos, em coro, a legião dos "garantistas". No entanto, no Brasil, em matéria de leis, nós as temos em avalanche. Nem por isso a corrupção deixou de correr livre, leve e solta. O que faltou? Exigibilidade do cumprimento das leis? Eficácia dos postulados legais? Precário desempenho dos encarregados do cumprimento das leis? São perguntas que teremos de arrancar com fórceps do ventre de nossas indagações cruciais.
Brechó - Deveríamos abrir um brechó na Avenida Brasil 2.019. Teríamos polainas e espartilhos liberais, rubros lenços marxistas, capacetes metálicos dos fascistas. E na porta o aviso: Proibida a entrada de novas ideias. Estamos parados no tempo.
Crachás - Por volta do meio-dia, contenta-nos ver os colaboradores das empresas movendo-se, em grupos, pelas calçadas. Com seus crachás no pescoço, bem parecem cãezinhos soltos da coleira. Estão contentes. Lembram jogadores de volta ao túnel, no intervalo dos jogos de futebol.
Certezas - Enquanto as pessoas se ferem com as setas de suas certezas, as orquestras integram o som das cordas aos instrumentos de sopro e as bailarinas transformam seus corpos em melodia. Aprendam todos com os artistas a depor sobre a vida, indo além, muito além do efêmero, frágil e descartável.
Fábula contemporânea - Dois cozinheiros, armados de facas e garfos, discutiam acaloradamente os temperos e os cortes de um rosbife. Enquanto isso, o gato Puft, num salto ornamental silencioso, sobe ao balcão, abocanha o filé e, sorrateiramente, se manda. Qualquer semelhança com o embate ideológico perpetuado na América Latina não será mera coincidência. A história sai pela porta dos fundos.
Um risco de fósforos - "Nossas verdades não passam de um risco de fósforos na escuridão". Teríamos mais humildade em nossas certezas se tivéssemos presente em nós essa visão expressa pela cálida e pungente Virgínia Woolf.
A casa e o palácio - Nas tragédias de Shakespeare é frequente esta versão exasperante da casa derramando fel sobre as taças do palácio. A casa e o palácio são dutos por onde escorre a condição humana, com seus equívocos, intrigas, torpezas e agonias.
Os livros - Se não existissem os livros, de pés descalços, eu trilharia uma vereda de espinhos e gritaria palavras ocas à boca do algibe, para ouvir retumbar o eco desvairado entre úmidas paredes. Quando abro um livro, suas páginas são mãos que me acolhem. Por meio dos livros ouvi as confidências do tempo.

 

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