ANO: 25 | Nº: 6386

Fernando Fagonde

fernandofagonde@gmail.com
Professor do curso de Sistemas de Informação da Urcamp | CIO da Y
06/04/2019 Fernando Fagonde (Opinião)

Agilidade não é velocidade - Parte I

Em uma frase atribuída a Abraham Lincoln onde ele diz: "Dê-me seis horas para derrubar uma árvore e passarei as quatro primeiras afiando o machado.", podemos identificar a sua opinião de que a preparação é o ingrediente-chave para o sucesso e que um planejamento cuidadoso, junto a uma preparação adequada, ajudam a garantir que o projeto ocorra sem imprevistos.

Estamos vivendo uma verdadeira revolução tecnológica, onde diariamente soluções são apresentadas resolvendo problemas históricos da sociedade, independente da área, educação, saúde, agricultura, pecuária, finanças etc. Praticamente toda área já possui o seu "app".

Uma impressão incorreta que podemos ter ao conhecer essas soluções é a de que elas surgiram de forma instantânea ou muito rápida, sem planejamento ou sem algum tipo de método que proporcionasse o melhor aproveitamento dos recursos tecnológicos envolvidos. Ou ainda, pode parecer que algo foi criado "do zero" da noite para o dia. Na prática, milhões de dólares de investimento não são entregues na mão de pesquisadores e setores de desenvolvimento sem uma organização mínima que permita uma certa garantia ou uma ideia clara de onde se quer chegar e qual o caminho que se pretende percorrer.

Na realidade, o que vemos, hoje, é o resultado de muitos anos de estudo, muitas pesquisas que proporcionaram inovações incrementais, milhares de horas de planejamento, execução, falhas, adaptações e melhorias que nos trouxeram até o momento atual, com todas as facilidades e desafios que encontramos.

Ocorre que, por muito tempo, a metodologia utilizada para planejar e organizar os projetos que envolvem tecnologia, mais especificamente desenvolvimento de softwares, era baseada na experiência que se tinha dos projetos de engenharia, onde tinha-se escopo, recursos e tempo bem definidos e o trabalho do gerente do projeto era controlar as atividades para que elas fossem entregues dentro do prazo pré-acordado inclusive envolvendo um número gigante de documentos, como acordos, termos, atas, diagramas e cronogramas.

Em 2001, um grupo de pessoas, notáveis diga-se de passagem, envolvidas com projetos de tecnologia se reuniram e compararam os casos de sucesso que tiveram utilizando os, até então chamados, métodos leves.

Durante essa reunião um grande consenso sobre como deveriam ser os métodos de desenvolvimento de software foi criado, esse consenso foi batizado de Manifesto ágil.
Hoje em dia, esse manifesto, que é composto por quatro valores e 12 princípios, norteia os projetos da grande maioria das empresas e setores de TI pelo mundo todo.

Gigantes multinacionais de tecnologia como Apple, Google, Facebook, Amazon já utilizam as metodologias ágeis para o desenvolvimento das suas soluções há muito tempo. Grandes empresas nacionais já despertaram para essa realidade (viva a internet) e também estão organizando suas empresas tendo como base os princípios do manifesto, surgindo aí um novo profissional no mercado, o Agile Coach.

Esse movimento todo, somado às mudanças que estão ocorrendo na sociedade, onde os apps são cada vez mais utilizados como diferencial, seja para otimizar um processo, seja para alcançar um cliente, acaba por conduzir-nos a um pensamento que também já está sendo adotado por muitos empresários pelo mundo: A adoção das metodologias ágeis está ultrapassando as barreiras dos setores de TI e invadindo setores digamos, mais conservadores, como Recursos Humanos, Jurídico, compras e muitos outros.
Obviamente que os métodos tradicionais continuarão existindo e o que direciona a decisão por um ou outro é o nível de incerteza envolvido e a necessidade de se adaptar com mais facilidade. Na sociedade de hoje, chamada de "VUCA", onde o "U" vem de Uncertain (incerto em inglês), a tendência é que metodologias adequadas a esta realidade tenham maior abrangência.
Daí vem o axioma: "Agilidade não é velocidade".


Deixe seu comentário abaixo

Mais notícias da edição

Outras edições

Carregando...