ANO: 25 | Nº: 6262

Luiz Fernando Mainardi

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Deputado Estadual
10/04/2019 Luiz Fernando Mainardi (Opinião)

Cem dias: governo Leite é repetição de erros


Na manhã desta terça-feira (9), Eduardo Leite reuniu representantes da imprensa para fazer um balanço dos cem primeiros dias do seu governo. O evento, de alguma forma, sintetizou esse período inicial da gestão do novo governador: bonito na forma, vazio no conteúdo, ou, muita conversa e pouca eficiência.
Durante o período em que dissertou sobre a sua experiência de governo e, mesmo, quando respondeu aos questionamentos dos jornalistas, Leite foi reiteradamente evasivo. Nenhum projeto, nenhuma ideia nova, nenhum anúncio relacionado com o que de mais fundamental se espera de um governador, que é a apresentação de um caminho para que o nosso estado supere a crise que herdou dos anos da dobradinha Temer/Sartori.
A expectativa dos cidadãos gaúchos, evidentemente, era completamente diferente disso. Como se sabe, Leite foi eleito por um eleitorado pluri-ideológico já que a candidatura Sartonaro sintetizou a soma do pior do passado com o pior do futuro. Era de se esperar que rompesse com o passado e mantivesse uma altivez autônoma em relação ao governo federal. Era de se esperar, também, que apresentasse uma agenda inovadora, com planos para fazer o estado superar a crise, retomar o crescimento, investir em saúde, educação, segurança.
Decepção! Até agora, o governador apresentou poucos e irrelevantes projetos, revelando um deserto de propostas. Pior, ficou quase 100 dias sem nomear o secretário do desenvolvimento, secretaria responsável por sugerir caminhos para o crescimento do estado, única saída para o Rio Grande resolver, com efetividade, os seus problemas.
Sem ideias novas, logo se tornou uma trágica continuidade, o que se pode observar, inclusive, pela rápida adesão dos derrotados à sua gestão. Repete Sartori ao encaminhar o projeto que revoga a exigência do plebiscito para as privatizações, mantendo isso como a agenda exclusiva de seu governo. O mais grave, contradiz o que apresenta como sua principal virtude, que é a capacidade de dialogar.
O tema das privatizações é extremamente controverso. A exigência do plebiscito foi incluída na Constituição por conta das consequências desastrosas da primeira experiência de privatizações, levadas a cabo pelo governo Britto. O plebiscito é um instrumento para defender os interesses da população, não para impedir privatizações.
Mas existem outras razões para criticar Leite. Até agora, ficou calado frente à política externa do governo federal, contraditória com os interesses da economia gaúcha, que pode sofrer pesados prejuízos com o viés ideológico da conduta de Bolsonaro. Isso fica evidente quando o governo federal libera as importações de leite em pó e ataca, por simples submissão aos interesses americanos, aliados históricos de nosso comércio, como a China e os países árabes.
Mas não é só isso. Leite também fere de morte os trabalhadores gaúchos, ao propor um reajuste para o piso regional menor do que o reajuste dado ao salário mínimo e ao aderir "incondicionalmente" ao projeto de destruição da previdência de Bolsonaro. Uma proposta que retira direitos e, caso passe como está, significa, na prática, a troca do atual sistema para o de capitalização, o que, prejudicará muito aos mais pobres.
Trata-se, infelizmente, de um governo acovardado. Nesses cem dias, o governo de Leite, ao contrário da expectativa, demonstrou não suas potencialidades, mas seus evidentes e claros limites. Por isso, não nos resta outro caminho senão o de fortalecer nossas convicções oposicionistas.

Líder da bancada do PT na AL

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