ANO: 25 | Nº: 6258

Luiz Fernando Mainardi

luiz.mainardi@al.rs.gov.br
Deputado Estadual
17/04/2019 Luiz Fernando Mainardi (Opinião)

Caminhoneiros, uni-vos. Mas não com ele.

O país foi surpreendido no final da semana passada com a decisão do presidente de não autorizar o reajuste do óleo diesel, na ordem de 5,7%, proposto pela Petrobras. O mercado entrou em "tilt", as ações da empresa caíram e o "posto Ipiranga" foi convocado a explicar se o governo manteria ou não a política de preços que foi implantada por Temer e que deixa o preço dos combustíveis variar conforme a paridade internacional.
Bolsonaro, como se sabia, não sustentou sua decisão e anunciou um "pacote" de supostos benefícios para os caminhoneiros em compensação à decisão de manter a política como está. Essa política faz com que o preço dos combustíveis no Brasil sejam determinado não pelas necessidades e possibilidades da economia brasileira, mas pela variação do preço internacional, que depende do dólar, da quantidade de produto disponível, etc, tudo fora da governabilidade dos brasileiros.
Com essa política, quaisquer alterações no preço internacional do petróleo e na taxa de câmbio passaram a determinar o preço que a população paga na bomba. O resultado foi que no período Temer/Bolsonaro, o diesel já aumentou 17%, frente a um INPC que ficou em 11%. Quer dizer, o preço do diesel aumentou seis pontos percentuais a mais do que a inflação. O resultado, evidentemente, é que se torna, cada vez mais, um custo exorbitante para quem depende do produto para trabalhar, gerando prejuízos para os trabalhadores do transporte.
Por essa lógica a empresa (no caso, a Petrobras) opera segundo a eficiência dos mercados, buscando o maior lucro possível, independente de prejudicar a população e a economia em geral. Ganham os produtores norte-americanos, as petroleiras internacionais, os importadores e distribuidores de capital privado no Brasil. Perdem a população brasileira, a Petrobras, a União e os estados com os impactos recessivos e na arrecadação.
Nos governos Lula e Dilma, a política da Petrobras foi manter os preços dos derivados de petróleo estáveis, reduzindo o impacto das flutuações internacionais temporárias. A lógica da política de reajuste anterior era muito mais eficaz: levando em conta as variações dos preços internacionais, a ideia daquela política era a de que os preços de combustíveis só poderiam ser reajustados quando se identificasse uma mudança estrutural no patamar de preços de petróleo.
Além disso, essa política ponderava outros fatores como os custos e o volume da produção de petróleo e de refino no país, a variação da demanda por derivados, entre outros. O seu uso correto evitou flutuações e fez com que o preço dos combustíveis crescessem menos do que a inflação, sem prejudicar o desempenho da Petrobras.
As empresas estatais diferem das privadas na medida em que, pela natureza, devem tomar decisões orientadas pelo interesse coletivo e não apenas por critérios econômico-financeiros. É plenamente possível gerir a Petrobras de forma eficiente, sob a perspectiva do interesse público.
Assim, a única forma de estabilizar definitivamente a atual crise dos combustíveis, com a redução de preços para a população, é recuar da política de paridade internacional nos preços, principalmente do diesel, gás de cozinha e gasolina, e levar em consideração outros fatores, como a produção de petróleo e refino no país, custos para essas produções, câmbio e demanda por derivados.
Mas isso não está no horizonte deste governo. Os impulsos de Bolsonaro são logo enquadrados pelos verdadeiros gestores dos interesses que dominam o país no seu governo. Bolsonaro não têm condições de evitar os aumentos porque além de não conhecer economia está lá apenas para realizar os interesses das elites financeiras. E o "mercado", como se sabe, é impiedoso.

Líder da bancada do PT na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul

Deixe seu comentário abaixo

Outras edições

Carregando...