ANO: 25 | Nº: 6231

Cássio Lopes

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18/04/2019 Cássio Lopes (Opinião)

Attila Siqueira (parte 2)

Para ele seria muito mais saudável importar petróleo para a produção de energia do que a exploração de carvão de Candiota, considerado de baixa qualidade. Costumava, também, alertar para a poluição causada pelos defensivos agrícolas e o carrapaticida usado no banho do gado.
Além de competente e conceituado profissional, Attila se destacou como desenhista de indiscutíveis méritos, especialmente retratando temas gaúchos, que conhecia como poucos. Desde muito cedo, ainda criança, ele começou a desenhar. Nunca pensou, no entanto, se dedicar inteiramente a esta arte.
Dizia-se autodidata, não tendo frequentado, como poderia, uma escola em Porto Alegre, sua preocupação maior era a profissão, pois o desenho para ele era apenas um lazer, tanto que vendeu apenas poucos trabalhos.
Seus desenhos, que elaborava com incrível rapidez, eram muito procurados e estão, inclusive no exterior, em casas de amigos ou de pessoas que gostam de temas gaúchos ou até mesmo em paredes, como no Centro Administrativo de Bagé. Suas ilustrações também foram estampas de livros e capas de CDs de festivais nativistas, entre outros, feitos com lápis de cera, material que deixou de usar, utilizando-se ultimamente do pincel atômico. Trabalhou, também, com nanquim e lápis e caneta neon-pen.
As cenas gaúchas eram sua preferência nos desenhos, o uso, o costume, a vestimenta do homem do campo e ele dizia que seu gosto pelas coisas do Rio Grande do Sul surgiu porque sempre teve contato com o campo na estância de seus avós maternos, onde passava as férias.
Manifestava sempre sua satisfação e alegria por ter uma filha que desenhava muito bem, assim como por seus seis netos também desenharem.
Estudioso, profundo conhecedor da história do Rio Grande do Sul, tradicionalista admirado em todo o Estado, Attila Sá Siqueira era constantemente convidado para proferir palestras, o que fazia com o maior brilhantismo.
Era um intransigente defensor dos verdadeiros hábitos e costumes do homem do campo.
Sua presença em eventos nativistas era sempre uma atração à parte, pois todos queriam usufruir de seus conhecimentos.
Ele recordava que "o embrião do Centro de Tradições Gaúchas 35" de Porto Alegre, o primeiro do Estado, foi no pátio da residência de seus pais. Estudantes, principalmente da fronteira, costumavam se reunir, para churrasco com violão, na casa de um dos integrantes, foi quando surgiu Paixão Cortes, que se integrou ao grupo e à ideia da fundação do CTG.
Attila Sá Siqueira faleceu de parada cardíaca, aos 85 anos de idade, em 11 de maio de 2007, no Instituto do Coração, em Porto Alegre, onde fora para realizar exames médicos. Era casado com Beatriz Siqueira e deixou os filhos Fany Beatriz, Maria Cristina e Ricardo. Foi sepultado no cemitério da Santa Casa de Bagé.
Na época, o então prefeito municipal, Luiz Fernando Mainardi, decretou luto oficial por três dias, considerando sua contribuição para o desenvolvimento do município, "além de ter perpetuado em seus desenhos a história do homem do campo". Também, a Associação dos Amigos do Parque do Gaúcho, do qual Attila era sócio fundador, reverenciou a sua memória.

Fonte:
Lopes, Mario. "Personalidades de um século em Bagé". Bagé, NPHTT, 2012, 248p.

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