ANO: 25 | Nº: 6335

João L. Roschildt

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Advogado e professor do curso de Direito da Urcamp
18/04/2019 João L. Roschildt (Opinião)

Não use fraldas

Anteontem, o jornal britânico Daily Mail noticiou que, de acordo com uma pesquisa feita nos Estados Unidos, para 51% dos millennials (indivíduos entre 22 e 39 anos de idade) e dos que se enquadram na “geração Z” (18 a 21 anos de idade), os empregadores deveriam priorizar a diversidade ao contratar um empregado, em detrimento das habilidades individuais. Excluindo os indecisos, somente 15% das pessoas da “geração Z” e 32% dos millennials acreditam que o mérito e a competição devem ser levados em consideração na contratação, mesmo que isso crie um ambiente de trabalho menos diverso.

Apesar da “geração X”, anterior aos millennials, apresentar resultados próximos ao de seus “filhotes”, o mais curioso foi o caso dos baby boomers (pessoas com 55 a 74 anos de idade): o único grupo em que houve a prevalência do mérito. Idosos, muitos deles avôs e avós, desprezados pelo seu anacronismo, mas que apresentam valores sociais que auxiliaram na superação de agruras econômicas e que sabem como foram custosos os esforços para participar de guerras. Entre ativismo social e qualidade no desempenho das tarefas, as gerações recentes optam claramente pela ideologia.

Dedicação, competência ou excelência. Mesmo que ainda existam, em dicionários e na linguagem cotidiana, tais palavras e todos os seus significados adjacentes estão sofrendo um gradativo processo de extermínio no Ocidente. Na nova linguagem, há uma vilania na tradição que precisa ser derribada. Com isso, a sociedade possui inúmeras “dívidas históricas” que precisam ser quitadas. Mas, não sejamos ingênuos. Quando esses falam em diversidade, almejam construir ambientes purificados do passado. É uma diversidade entre iguais. É uma diversidade na casca. É uma diversidade sem diversidade. Intolerantes com o mérito, ressentidos por suas frustrações e incapacidades, os “novinhos” rejeitam que os mais capacitados ocupem as vagas para as quais se prepararam.

Entre empreender esforços pessoais e sociais ou depender da loteria natural que preenche características externas dos indivíduos, gerações inteiras inclinam-se para privilegiar a comodidade do ócio, em face a possíveis dificuldades que as minorias sofrem em sistemas vistos como opressores. Paradoxalmente, foram essas mesmas bases sociais que permitiram melhorias (por vezes, lentas) na qualidade de vida dos mais e menos afortunados socialmente. Algo incompreensível para mentes danificadas por anos de ideologias, que doutrinaram indivíduos a pensarem que não há nada mais terrível do que a cultura ocidental, capitalista, “patriarcal” e cristã, repleta de homens brancos prontos para exterminar as vidas daqueles que não participam da irmandade de seus estereótipos.

Ao optar pela diversidade ao invés do mérito, tem-se a radiografia de uma época: há um repúdio pelo merecimento derivado do esforço. Seja por inveja pelo sucesso alheio ou por uma aversão às qualidades individuais que entram em atrito com os monolíticos coletivos, o fato é que o progressismo tem asco ao que soa melhor, diferente e mais pujante.

Para a maior parte dos jovens, o simples pertencimento a um grupo vitimizado socialmente deveria ser a grande garantia de emprego. Ainda envoltos pelas belas fraldas do passado recente, querem que as empresas sejam palcos para desfraldar suas bandeiras ideológicas da moda.

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