ANO: 25 | Nº: 6361

Divaldo Lara

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22/04/2019 Divaldo Lara (Opinião)

Danúbio Gonçalves de Bagé

Neste domingo, 21 de abril, data de tantos acontecimentos importantes na História do Brasil, morreu Danúbio Villamil Gonçalves, o grande artista de nossa cidade. Ontem pela manhã, por ligações e mensagens, os amigos não paravam de avisar o acontecido, solicitando o luto oficial por esse passamento. Demonstravam o quanto Danúbio era importante para Bagé. Importante para Porto Alegre e o Rio Grande do Sul, Estado que muito projetou para o Brasil com sua arte.
O mais interessante nisso tudo, da vida do grande artista, é que sua infância foi marcada pela vida no campo, na propriedade da família, e a vida na cidade, onde também morou, naquele palacete localizado na esquina das ruas Bento Gonçalves e Marcílio Dias. Pois esse ir e vir, compreendendo as luzes de Bagé, e depois o Rio de Janeiro, cidade em que foi morar com a irmã, e mais tarde Paris, em que também residiu, deu um mundo inteiro a Danúbio Gonçalves, à sua sensibilidade, ao ponto de fazê-lo um artista maior.
Porém, é sempre bom dizer que Danúbio jamais abandonou Bagé. Era para aqui que vinha nas férias, sempre. Era na Rainha da Fronteira que buscava seus amigos, que reencontrava sua essência. E tenho certeza que era aqui onde Danúbio pintava melhor, desenhava melhor e onde fez suas melhores gravuras. Seja porque somos apaixonados por nossa terra ou porque Bagé tem esse poder de trazer as pessoas de volta ao coração mais sentimental.
Nas informações que colhi sobre o bajeense que nos deixou neste domingo, emocionou-me o quanto ele levou o nome da nossa cidade longe, ao ganhar o Prêmio Nacional Pablo Picasso da Paz, pelo documentário na série de cenas da Charqueada de São Domingos, que se tornou o registro mais importante da história do charque no Brasil; pelo Grupo de Bagé, pelo Clube da Gravura de Porto Alegre, por seus registros sociais e muito autênticos que encantaram e encantam o mundo.
Foi-se o filho do seu Bento Gonçalves da Silva e da dona Helena; o mestre do Atelier Livre da Secretaria Municipal de Cultura de Porto Alegre, o artista dos murais, o homem das cores e das letras; foi-se o menino dos desenhos guardados pela babá analfabeta e descobertos 35 anos depois; foi-se Danúbio Gonçalves que perdeu a mãe aos dois anos e meio e que só teve a tia que copiava traços para incentivar o menino e sua sede de arte.
Um dia, ele escreveu suas cidades do coração, pela ordem, e publicou em um livro chamado “Do conteúdo a pós vanguarda”: Bagé, Rio de Janeiro, Paris, Barcelona, Porto Alegre e Torres. Embora tenha gente que diga que Torres e Bagé ponteavam esse amor.
Esta semana estamos todos de luto pela partida de Danúbio, ao mesmo tempo em que estamos cheios de orgulho por tanto reconhecimento, tanta honra que serve à cidade seus feitos, sua memória, sua arte.

Obrigado. Muito obrigado, Danúbio Gonçalves!

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