ANO: 25 | Nº: 6353
26/04/2019 Cidade

Festival da Fronteira e o “Encontro dos Rios”

Foto: Divulgação

Cariocas Fidelis e Jhasmyna fazem show de encerramento dia 27
Cariocas Fidelis e Jhasmyna fazem show de encerramento dia 27
Ao longo das últimas 10 edições, o Festival Internacional de Cinema da Fronteira promoveu, além de projeções de filmes de todos os continentes, diversos espetáculos musicais memoráveis. Artistas como Marcelo Delacroix, Dany López, Chico Chico e Júlia Vargas já passaram pelo palco do Centro Histórico Vila de Santa Thereza. Em 2019, as atrações musicais vêm diretamente do Rio de Janeiro. Mostrando o que há de mais novo na música brasileira, a dupla Fidelis e Jhasmyna se apresenta no próximo dia 27 de abril, às 21h, no Teatro Santo Antônio, em Santa Thereza. Oportunidade para conferir o talento de duas jovens revelações da MPB.

Nova safra

A dupla Fidelis e Jhasmyna integra o selo Porangareté, sediado no Rio de Janeiro e promove jovens artistas. O coletivo nasceu a partir da amizade do músico e produtor Rodrigo Garcia com a cantora Cássia Éller e, além de manter o catálogo da cantora - inclusive lançando algumas raridades -, promove outros artistas, entre eles o próprio filho de Cássia, Chico Chico, Júlia Vargas e Cátia de França. “Estamos gravando disco de quatro artistas novos, dois deles são Fidelis e Jhasmyna. Eu sou o produtor musical, idealizei o projeto. Cada um deles tem uma força enorme, cada um de um modo diferente”, avalia Garcia. Rodrigo Garcia tem mais de 20 discos produzidos no currículo e já tocou com artistas como Elba Ramalho, Zélia Duncan, Nando Reis entre outros. Agora, assina a produção do disco de Fidelis, cantor e compositor que traz para sua música as raízes pernambucanas dos pais. Dono de uma voz potente e expressiva, Fidelis está finalizando seu primeiro disco. “É um misto de algumas composições e algumas interpretações. Ele é um grande intérprete. Além disso, tem uma questão rítmica muito forte, muitas músicas feitas em cima de percussões”, destaca Garcia. “O Fidelis é um cantor incrível, uma das maiores vozes que eu já ouvi. Ele não tem um grande número de composições, mas tem algumas composições maravilhosas, muito fortes, inclusive uma que é a última parceria com Luhli, uma grande figura da MPB”, completa. Luhli foi cantora e compositora e é autora de grandes clássicos da MPB, como “O Vira” e “Fala”, gravadas nos anos 1970 pelos Secos e Molhados. A cantora morreu ano passado, aos 73 anos. "Sou influenciado em minha composição pela música de Luhli, com quem tive o prazer de conviver e aprender antes dela nos deixar, no ano passado. Também dos cantos de aboio nordestinos, herança de minha família, que veio de Pernambuco para o Rio e, por fim, pelos ritmos afro-latino-americanos como o Candombe e a Cumbia", afirma Fidelis. Essa é a primeira série de apresentações fora do Rio de Janeiro. “Estou muito feliz com que essa jornada de shows que faremos, durante um mês, que vai se iniciar no Festival de Cinema de Bagé. Vamos começar muito bem”, completa. “Enquanto artista, é uma oportunidade muito enriquecedora viajar para esta região, berço desses ritmos que eu sou apaixonado”, finaliza.

Da mesma forma, Jhasmyna é uma das estrelas no cast artístico do Porangareté. A jovem gravou seu primeiro single aos 16 anos, “Uma Imprevisível Rotina Por Janelas” e agora, aos 18, prepara seu primeiro álbum inteiramente autoral. Assim como Rodrigo Garcia, Jhasmyna mora na Serra do Lumiar, no estado do Rio de Janeiro, reduto de diversos movimentos culturais. Integrou-se à trupe do selo quando começou a participar dos shows da turma e, logo, chamou a atenção pela qualidade e sensibilidade de suas canções e pelas voz especial, cheia de nuances. “A Jhasmyna é uma artista talentosíssima, escreve muito bem. Ela já tem quase 70 composições próprias, cada vez compondo melhor, uma sensibilidade incrível”, pondera Garcia. Apesar da pouca idade, sua interpretação também é destaque. “Ela tem uma sofisticação nas músicas, talvez pela idade ou pelo que ela conviveu e ouviu, ela tem um pé no pop que o restante da nossa galera não tem tanto”, completa. “Ela nunca estudou música. Ela tem um talento natural realmente incrível, intuitivo. Ela está ganhando consciência desse talento, até porque ela é muito jovem”, completa. Essa turnê pelo Sul do Brasil e Uruguai é a primeira da história da dupla. “O disco dela está com cara de disco grande, de que vai tocar em rádio. Tem de tudo, desde a música eletrônica até o rap, mas também tem canções acústicas, com violão e piano. Está muito bonito”, finaliza o produtor.

Em Bagé

Duas estrelas de brilho próprio, Fidelis e Jhasmyna apresentam em Bagé o show “Encontro dos Rios”. Com direção de Rodrigo Garcia, o espetáculo marca o encontro dos jovens compositores do Rio de Janeiro com o Rio Grande do Sul. De acordo com a assessoria, a dupla chega a Bagé “serpejando com suas canções por paisagens sonoras, caudalosas, profundas e serenas, fluindo entre a performance visceral e a doce introspecção”.

Nesse show, preparado em especial para a viagem ao extremo sul, ambos apresentam suas canções e versões em separado e, também, trazem alguns duetos como em "Meu primeiro amor", antigo clássico do cancioneiro.

O Festival Internacional de Cinema da Fronteira é uma realização da Associação Pró Santa Thereza e Centro Histórico Vila de Santa Thereza, com financiamento do Sistema Pró-Cultura, da Secretaria de Estado da Cultura (Sedac-RS). A produção é da Anti Filmes, com apoio das prefeituras de Bagé, Livramento e Rivera e apoio institucional da Urcamp, Unipampa e Udelar. O jornalista Roger Lerina assina a curadoria de longas-metragens. O evento tem direção artística de Zeca Brito e produção de Frederico Ruas e Maristela Ribeiro. Mais informações no site fb.com/festivaldafronteira.

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