ANO: 26 | Nº: 6587
27/04/2019 Cidade

Festival de Cinema da Fronteira traz nomes nacionais para debater sobre cultura

Foto: Tiago Rolim de Moura

Uma das características mais marcantes e que vem se desenvolvendo no Festival Internacional de Cinema da Fronteira é o intercâmbio de conhecimento e a troca de informações através da junção de pessoas ligadas a diversos ramos da sétima arte e da cultura em geral. Na manhã de sexta-feira, por exemplo, a Casa de Cultura Pedro Wayne foi palco para uma conversa da imprensa local com a atriz, dramaturga e escritora Ittala Nandi, que veio até a Rainha da Fronteira para divulgar o filme "Domingo", dirigido por Felipe Barbosa e Clara Linhart.

Na oportunidade, Ittala falou sobre seu processo de criação e contou a história por trás do longa-metragem, exibido, ontem, no teatro Santo Antônio, no Centro Histórico Vila de Santa Thereza. A escritora falou sobre sua preferência por criar uma ficção através de histórias reais, procedimento adotado por ela em livros como o romance "Sonho de Vesta" e a coletânea de contos "Milagres". "Para mim, usar a fantasia para dizer aquilo que eu penso é mais fácil do que fazer um texto sobre o tema. Através da fantasia eu alcanço uma luz e pode falar mais, apesar de eu gostar de ler biografias. A biografia me permite ir até a fantasia", afirma.

Em seguida, a atriz ligou esse processo ao que foi feito pelo roteirista Lucas Paraizo no filme "Domingo", que conta como foi o dia 1º de janeiro de 2003 de uma família burguesa do interior do Rio Grande do Sul. Foi nessa data que Luiz Inácio Lula da Silva assumiu a presidência do Brasil. Na obra, Ittala vive Laura, a matriarca inspirada na avó do roteirista, uma mulher reacionária e que tem medo do destino que o governo pode ter em mente para sua classe social.

A atriz enfatizou que o longa-metragem, produzido em novembro de 2017, se atém apenas em contar o dia da família, sem adotar posição política. No entanto, como a produção foi exibida em São Paulo logo após a prisão de Lula, em abril de 2018, a obra ganhou uma força política que não era esperada. "Tinha acontecido uma revolução no Brasil e a gente não tinha noção do valor histórico que ele teria. Porque ele não era para ser um filme histórico, ele foi feito como um filme de costumes", relatou Ittala, que após a conversa realizou sessão de autógrafos e fotografias com os presentes no local.

Cultura no Estado

A cultura, do ponto de vista político-administrativo, tem tratamento distinto conforme mudam as lideranças políticas. A fusão e até mesmo a extinção de secretarias e ministérios, em geral, são medidas comuns quando a gestão detecta que precisa economizar. Entretanto, essa ação, muitas vezes, ignora o fato de que, no momento em que uma pasta é extinta, ou mesmo incorporada, como frequentemente acontece com a Cultura, corre-se em risco de que o tema desapareça do debate público.

Em Bagé, a jornalista Mônica Kanitz, jurada da mostra de longas-metragens e representante do Instituto Estadual de Cinema (Iecine), destaca otimismo sobre a reformulação da Secretaria de Estado da Cultura (Sedac), que após passar anos incorporada ao Turismo e ao Lazer, obteve sua independência em janeiro deste ano, sendo o órgão responsável por coordenar e executar programas públicos que desenvolvem atividades culturais, como o Festival Internacional de Cinema da Fronteira, financiado pela pasta através do sistema Pró-Cultura. "A volta da Secretaria foi muito bem recebida e é muito importante para quem trabalha com cultura", afirma Mônica. "O Rio Grande do Sul tem muitos espaços ligados a essa secretaria, como a Cinemateca Paulo Amorim, a Casa de Cultura Mário Quintana, o Arquivo Histórico do RS. Foi uma decisão acertada", completa.

Boa parte desses espaços - museus, fundações e institutos - estão localizados em Porto Alegre, tornando urgente a necessidade de políticas públicas para o interior do Estado. "A secretária não nasceu em Porto Alegre, o que trouxe um olhar mais abrangente", avalia Mônica. A pelotense Beatriz Araújo, titular da pasta, atua há mais de três décadas no setor, enfatizou: "Temos o pensamento de que é preciso pensar na produção, identificar potencialidades e propor políticas para o interior".

Programação (sábado)

14h30min – Mostra competitiva de longas-metragens: Ocho de Cada Diez

16h30min – Mostra competitiva de longas-metragens: Caminhos Magnétykos.

18h – Sessão homenagem à Araci Esteves: Anahy De Las Misiones

20h – Mostra competitiva regional

21h – Show de encerramento: Jhasmyna & Fidelis, participação Rodrigo Garcia

22h – Cerimônia de premiação

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