ANO: 25 | Nº: 6382

Norberto Dutra

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Pastor e presidente da Igreja Assembleia de Deus de Bagé Doutor em Divindade
27/04/2019 Norberto Dutra (Opinião)

O deserto renovado


Eis que farei uma coisa nova, e, agora, saíra à luz; porventura, não a sabereis? Eis que porei um caminho no deserto e rios, no ermo. [...] Porque derramarei água sobre o sedento e rios, sobre a terra seca; derramarei o meu Espírito sobre a tua posteridade e a minha bênção, sobre os teus descendentes. (Isaías 43.19; 44.3). Vimos anteriormente, o que somos no deserto. Vale ressaltar um detalhe importante: nenhuma das árvores mencionadas no texto de Isaías 41.19 é nativa do deserto. Elas nem mesmo poderiam, por força do homem ou da natureza, crescer em áreas desérticas. Uma ou outra espécie até resiste a condições, solo ou clima adversos; porém, nenhuma delas pode, absolutamente, florescer no deserto. E é justamente aqui que se dá a maravilha da palavra profética. Deus anuncia: Abrirei rios em lugares altos e fontes, no meio dos vales; tornarei o deserto em tanques de águas e a terra seca, em mananciais. Plantarei no deserto o cedro, e a árvore de sita, e a murta, e a oliveira; conjuntamente, porei no ermo a faia, o olmeiro e o álamo, para que todos vejam, e saibam, e considerem, e juntamente entendam que a mão do Senhor fez isso, e o Santo de Israel o criou. (Isaías 41.18-20) É claro, Deus nos chamou para sermos Seus instrumentos na renovação deste deserto. E Ele não nos escolheu porque somos formidáveis, mas porque nos rendemos ao Seu amor e propósito. O deserto será transformado de ambiente de miséria em estado de felicidade; ele, que agora é uma terra desolada, será viçoso e fértil. Todas as declarações do Senhor demonstram isso. Todo o panorama descrito no texto de Isaías apresenta uma terra e um povo transformados. E o objetivo é que todos vejam, saibam e considerem que foi Deus eterno que fez tudo isso. Só o Senhor é a fonte de todo o bem em nossa vida! O Deus que fez cessar a chuva no tempo de Elias (1 Reis 17.1), transformando todo o Israel em um enorme deserto de sequidão, tem poder porá providenciar água em abundância no livramento vindouro. Que nós, o povo de Deus, possamos ficar não apenas na memória, mas também na esperança, porque aqueles eventos notáveis do passado anunciam eventos decisivos para o presente e o futuro de cada um de nós. Aquele que prepara caminhos pelo mar, faz o mesmo no deserto desta vida, e fará com que rios brotem em meio a este lugar. Assim, aqueles que, hoje, habitam no deserto, em meio a lutas e adversidades, dor e sofrimento, honrarão o Deus eterno por causa da mudança que ocorrerá em seu modo de viver. O Deus que deu de beber a Israel em sua caminhada pelo deserto pode repetir o milagre por amor aos Seus, para que nós, Seu povo escolhido, possamos dar louvores ao Seu santo nome! Assim como o Êxodo foi significativo para o povo de Israel no Antigo Testamento, a ressurreição e o novo nascimento são importantes para os que seguem a fé do Novo Testamento. Por isso, a maior consequência da profecia de Isaías para nós, hoje, é o livramento do cativeiro e da escravidão do pecado. O fato de Deus derramar água sobre a terra sedenta, fazendo correr rios no deserto e plantando árvores ali, é extremamente importante na confirmação da ideia de que, em todas as passagens que ribeiros fluem do deserto, este representa nossa vida como estéril e desesperada, e a chegada da água representa a vinda de Deus sobre nós para transformar todas as coisas. Para Deus, terra sedenta e vida sedenta representam a mesma realidade. O derramar dessa água é o próprio derramar do Senhor e do Seu Espírito sobre nós. Não vamos esquecer isso ao adentrar os desertos que se apresentam diante de nós – eles apenas prefiguram a abundância e a renovação de vida que Deus tem preparado para mim e para você! Vivemos uma época em que as pessoas ou vivem no deserto, ou estão caminhando lá. Porém, alguns conheceram o que é a liberdade de viver fora da sequidão do deserto mesmo experimentando certas dificuldades. Paulo experimentou tal realidade. Em 2 Coríntios 12.9,10, após declarar que vivia em opressão e clamar a Deus para que a libertasse dela (o espinho na carne), o apóstolo escreveu: E disse-me [Deus]: A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza. Embora Deus não tenha removido a aflição de Paulo, Ele prometeu demonstrar Seu poder em sua vida. O fato de o poder de Deus ser mostrado em nossas fraquezas deve nos dar coragem e esperança. Á medida que reconhecemos nossas limitações, passamos a depender mais de Deus, e não da nossa própria energia, esforço ou talento. Nossas limitações não só ajudam a desenvolver o caráter cristão como também aprofundam nossa adoração. Admitindo-as, reafirmamos o poder de Deus e preparamos o caminho para que Ele derrame as águas que renovarão a terra árida na qual pisamos. Deus abençoe e até o próximo final de semana. Amém!

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