ANO: 25 | Nº: 6382
29/04/2019 Cidade

Festival de Cinema premia vencedores de 2019

Foto: Tiago Rolim de Moura

Aguzzi recebe o troféu pelo Melhor Curta Regional desta edição,
Aguzzi recebe o troféu pelo Melhor Curta Regional desta edição, "Quando a cultura matou Pedro Wayne"

A noite de premiação da 11ª edição do Festival Internacional da Fronteira foi de honrarias. Além da homenageada oficial desta edição, a atriz gaúcha Araci Esteves, dois beneméritos da cultura local também tiveram seus nomes lembrados: Aristides Kucera e Zuleika Torrealba, ambos falecidos neste ano.
Grande atriz dos palcos e das telas do Rio Grande do Sul e estrela de um dos principais filmes da retomada da cinematografia brasileira, Anahy de las missiones, de 1997, Araci participou pela primeira vez do evento, onde foi exibida uma cópia remasterizada da obra, que encerrou com grande ovação dos espectadores. "Eu agradeço a generosidade das pessoas que me escolheram para ceder essa homenagem. Torço e agradeço, também, às pessoas que criaram o festival e trabalham tanto para que ele se mantenha de pé", destacou.
Idealizador do festival e diretor artístico das edições, o cineasta Zeca Brito destacou a importância da colaboração da comunidade, a necessidade de apoio à produção audiovisual em um momento em que a cultura sofre 'com ataques abertos do governo, com cortes de orçamento destinado à realização de obras e eventos ligados às artes'. "Pedimos que a comunidade abrace o audiovisual para podermos fazer uma grandiosa edição do festival em 2020", deixou o apelo.
Além disso, Brito relembrou a trajetória do festival, que iniciou de forma despretensiosa, apenas como uma mostra de filmes produzidos por pessoas já ligadas ao cinema. Com a grande aceitação dos bajeenses, a Sétima Arte foi tema de oficinas há alguns anos, o que possibilitou a formação de realizadores locais em um despertar regional para o cinema. De lá para cá, centenas de filmes produzidos em Bagé e região já participaram da Mostra Competitiva Regional de Curtas.
Prova dessa afeição dos bajeenses pela produção audiovisual e a efetividade desse trabalho é que grande parte dos vencedores da categoria nas últimas edições participaram das oficinas. Na noite de ontem, os dois realizadores que levaram a estatueta de São Sebastião confeccionada pelo artista plástico Sérgio Coirollo, são exemplos disto.
A Menção Honrosa da categoria ficou com a realizadora Carmen Lúcia Moreira Silva, com o curta "A última rua do bairro". Já o prêmio de Melhor Filme foi entregue a Gladimir Aguzzi, que dirigiu "Quando a Cultura matou Pedro Wayne". Entre a equipe de 50 atores e 10 integrantes da equipe de apoio, muitos rostos conhecidos da produção local, inclusive ex-participantes das oficinas de cinema.
Já na categoria de longas, o grande vencedor da noite foi "Our Madness", do cineasta português João Viana, que recebeu a estatueta de Melhor Filme. Já o Júri Popular apontou "Domingo", de Clara Linhart e Fellipe Barbosa, como o filme da edição.
Presente à cerimônia de premiação, e já carregando o troféu de Melhor Atriz pelo mesmo filme, Ittala Nandi representou a equipe. "Eu gostei muito de fazer este trabalho, foi muito importante para toda a equipe e acho que isso aparece bem na unidade do filme", encerrou.
Antes do encerramento, a equipe do Centro Histórico Vila de Santa Thereza, berço do festival, nascido em 2009 no Teatro Santo Antônio, apresentou um vídeo institucional, apresentando a história e importância do local e apelando auxílio à comunidade para terminar as obras iniciadas há mais de uma década.
O grupo busca auxílio para terminar a obra do Memorial, que irá receber o nome de Cecê Móglia, que deu início ao processo que culminou com a restauração de parte da Vila. Além disso, também é preciso um valor destinado ao término da construção do anexo, que irá abrir o Ponto de Cultura, Videoteca e brique, além de servir como salão comunitário para os moradores do entorno.
Trinta dias em fotografias
Quem participou das atividades realizadas pelo festival em Santa Thereza, teve a oportunidade de conhecer a atriz Araci Esteves e assistir a um dos marcos da cinematografia nacional, "Anahy de las missiones". Além disso, uma série de imagens expostas no saguão do teatro mostrou o "Anahy" por trás das câmeras. As imagens foram captadas pelo jornalista Glauber Pereira, coordenador do curso de Jornalismo da Urcamp e parceiro do festival há muitas edições. As fotografias mostram os bastidores da produção do filme em Caçapava, cidade onde o Pereira atuava como editor do jornal local, e Uruguaiana. Ele recorda que foram mais de 30 dias acompanhando o dia a dia no set de filmagens, que renderam cerca de 350 fotografias. Para a exposição, foram selecionadas uma série dessas imagens, que após o festival seguem para a fototeca do Museu Dom Diogo de Souza, mantido pela Fundação Attila Taborda/Urcamp. 

Os premiados
Mostra Internacional de Longas-Metragens
- Menção Honrosa - "Las Rutas en Febrero", de Katherine Jerkovic
- Melhor Atuação - Íttala Nandi, "Domingo"
- Prêmio do Júri Popular - "Domingo", de Clara Linhart e Fellipe Barbosa
- Melhor Direção - Sergio Umansky Brener, "Ocho de Cada Diez"
- Melhor Filme - "Our Madness", de João Viana
Mostra Competitiva Internacional de Curtas-Metragens
- Menção Honrosa - "Chronos" (Turquia), de Oğuzhan Kaya
- Melhor Curta Internacional - "O Malabarista" (Brasil), de Iuri Moreno
Mostra Competitiva Regional
- Menção Honrosa - "A Última Rua do Bairro", de Carmen Lucia Moreira Silva
- Melhor Curta Regional - "Quando a Cultura matou Pedro Wayne", de Gladimir Aguzzi

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