ANO: 25 | Nº: 6331

Luiz Fernando Mainardi

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Deputado Estadual
01/05/2019 Luiz Fernando Mainardi (Opinião)

Dia do Trabalhador. Dia de luta.

Hoje comemoramos no Brasil o Dia do Trabalhador. Milhões de brasileiros e brasileiras sairão às ruas para reafirmar os interesses dos que trabalham e geram riqueza, mas nem sempre se beneficiam dos produtos gerados pela sua força de trabalho. É evidente que não vivemos mais num mundo em que o trabalhador era apenas o operário da fábrica ou o camponês. No mundo contemporâneo, existem centenas, se não milhares, de tipologias de trabalho, mas isso não destruiu a característica que torna comum os interesses de todas essas pessoas que trabalham. Elas "vendem" a sua força de trabalho e são remunerada por isso através de salários.
Os assalariados, portanto, são a base do que pode se chamar de classe trabalhadora contemporânea, seja nas grandes fábricas, nas grandes fazendas ou em lojas, escolas, bancos, hospitais, etc, etc. São essas pessoas que produzem tudo o que trocamos entre nós e, portanto, garantem que a nossa vida possa existir.
A luta para qualificar as condições de trabalho acompanha a história da humanidade. A superação da condição de servidão ou escravidão foi um avanço fundamental para a nosso desenvolvimento social, mas mesmo os trabalhadores livres tiveram que lutar para garantir condições humanas de trabalho. A evolução dessas lutas, que se realizaram em todos os países do mundo, garantiu um conjunto de direitos e permitiu uma evolução na qualidade de vida das famílias trabalhadoras.
Infelizmente, esses direitos e essas conquistas estão cada vez mais sendo desconstruídas pelo novo ciclo hiperliberal. No Brasil, a reforma trabalhista, que extinguiu direitos dos trabalhadores sem cumprir a promessa de criar postos de trabalho, é um exemplo típico desta nova fase do capitalismo, de superexploração do trabalho. Com tristeza, constatamos que neste novos tempos não é exceção a realidade de um trabalho de 10h ou 12h diárias e acordos de prestação de serviços que desconsideram o mínimo dos direitos consagrados pela Legislação Trabalhista conquistada ainda na década de 1940.
Para agravar a situação, enfrentamos um governo cuja visão está distante dos interesses dos trabalhadores. Uma prova indiscutível foi o fim da política de valorização do salário mínimo, desenvolvida desde o início do governo Lula. O atual governo não apenas pretende implantar e ampliar a desregulação do trabalho, como impedir o aumento real que vinha propiciando uma evolução patrimonial e de consumo das classes trabalhadoras. A tendência, obviamente, é a volta do aumento da desigualdade, o retorno da miséria extrema e da fome em vários bolsões populacionais no Brasil inteiro.
Não bastasse a maldade do presente, os atuais governantes querem destruir o futuro da classe trabalhadora, desmontando o sistema previdenciário público e tentando implantar um sistema de poupança individual, o que evidentemente prejudica os mais pobres e enriquece os bancos, que irão gerir esses fundos.
É para fazer tudo isso que o próprio governo mantém uma política econômica de pouco crescimento, mantendo cerca de 13 milhões de brasileiros (algo em torno de 12%) no desemprego, formando um "exército de reserva" que diminui a pressão para aumento de salários. O ciclo gerado por esta política é negativo, diminuindo o consumo e a circulação de moeda e, com isso, diminuindo a produção, os postos de trabalho, etc, etc. Só não vê os que vivem longe da realidade das ruas ou, como disse Lula sobre o ministro da Economia, Paulo Guedes, podem ir morar nos EUA depois da destruição que estão fazendo no Brasil.
Mas se no dia de hoje precisamos reconhecer essas dificuldades, não nos é dado o direito de desistir da luta. Hoje é um dia, também, em que precisamos renovar nossos compromissos com a luta por uma vida melhor, pelo reconhecimento do valor do trabalho e pela consolidação dos direitos do povo.
Um governo pode, com amplo apoio da mídia, dos banqueiros, grandes empresários, latifundiários e países imperialistas, impor derrotas aos trabalhadores de seu país. Mas os trabalhadores não podem nunca achar que essas derrotas são permanentes. A luta, agora, é por resistência, em defesa dos direitos que já temos. Mas em seguida, essa luta será para que esses direitos avancem e mais adiante será para que as desigualdades e as injustiças desapareçam.
O Dia do Trabalhador é de reflexão, de luta e de renovação de nossa utopia de um mundo melhor. Estamos juntos! Viva o trabalhador brasileiro.

Líder da bancada do PT na AL

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