ANO: 25 | Nº: 6258

Fernando Fagonde

fernandofagonde@gmail.com
Professor do curso de Sistemas de Informação da Urcamp | CIO da Y
04/05/2019 Fernando Fagonde (Opinião)

O modelo Spotify de agilidade

Em uma conversa casual, dentro do setor de desenvolvimento de software da empresa onde trabalho, comentamos sobre o "modelo Spotify" de organização de times e essa conversa acabou gerando uma discussão interessante que acabou por tornar-se o núcleo da nossa coluna deste fim de semana.
A Spotify é, para quem ainda não o conhece, uma empresa de reprodução de músicas, vídeos e podcasts via internet que possui um app para smartphones e aplicações para computadores, todos com o mesmo fim, tem em torno de 100 milhões de usuários pelo mundo todo e desses, 60 milhões são gratuitos.
Ela foi eleita, no ano passado, pela revista Fast Company, uma das empresas mais inovadoras do ano, e um reflexo dessa inovação é a forma com que ela organiza as equipes de tecnologia que trabalham em suas aplicações.
O Spotify, inicialmente, utilizava o framework Scrum em seus times, pois eram pequenos e multidisciplinares.
A medida que a empresa foi crescendo, percebeu a necessidade de adaptar essa prática e, mantendo os princípios ágeis, desapegou-se do framework. O resultado foi a mudança de visão de alguns papéis que promovem a agilidade dentro dos times. Quando o Scrum máster passou a ser o Agile Coach, por exemplo, a proposta era apresentar um papel de líder-servidor, que conduzisse os processos de melhoria contínua. Os times Scrum passaram a ser chamados de Squads, times pequenos e auto organizados que possuem autonomia para resolver os problemas que vão do design e projeto até a manutenção dos produtos. Para ilustrar, um squad é responsável pela área das playlists, outro pela área dos contatos e daí por diante.
Caso o leitor tenha interesse em conhecer mais sobre o modelo utilizado no Spotify, basta colocar o termo no Google e ler a primeira página de resultados. Serão milhares de linhas analisando o modelo e explicando o que o dono da empresa compartilhou com o mundo.
Mas, em todos esses resultados, algumas coisas ficam implícitas e gostaríamos de elencar aqui, como por exemplo o fato de o modelo ser baseado nos princípios ágeis (já abordados superficialmente por aqui).
Por cima, esses princípios auxiliam a manter um produto com 100 milhões de usuários (se ficarmos só com o exemplo do Spotify), o que por si só já é um grande fato.
Em todo o mundo, essa vantagem já deixou de ser opcional e está abocanhando todos os tipos de áreas em todos os tipos de empresas, indústrias, escolas, universidades, de setores de RH até empresas do ramo financeiro e alimentos, a agilidade é um diferencial e as obras que abordam o tema brotam nas livrarias diariamente, cada um com uma abordagem mais aproximada de determinado modelo de negócio.
Essa diversidade de material nos proporciona uma riqueza imensurável, pois nos apresenta o caminho percorrido, os erros e acertos de cada caso, não é preciso aprofundar-se no modelo do Spotify e forçar a barra para implementar em sua empresa ou setor, pois, a menos que você tenha uma empresa que trabalhe com streaming de vídeo, músicas e podcasts, o modelo deles não serve para você.
Mas as lições sim, essas são valiosíssimas, entender o que causou essa mudança de método e aprender os atalhos para adotar estas metodologias pode fazer uma diferença vital na saúde da sua empresa, melhorar a sua relação com o seu clientes através do valor agregado no seu produto, além de proporcionar mais flexibilidade para adaptar-se aos desafios que os dias atuais nos trazem constantemente. Já dissemos anteriormente, agilidade é sobrevivência. A sugestão que deixamos é estudar os princípios do manifesto ágil e aplicá-los de acordo com o seu modelo, ou a sua dor.

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