ANO: 25 | Nº: 6255

Dilce Helena Alves Aguzzi

dilcehelenapsicologa@gmail.com
Psicóloga
07/05/2019 Dilce Helena Alves Aguzzi (Opinião)

Será mesmo tempo perdido?

Nunca se viu tanta decisão tomada, tanta justificativa de gestos não elaborados, ausências ou compromissos adiados em função de pouca disponibilidade de tempo. Parece que o passar das horas e nossa percepção a respeito disso estão mudando vertiginosamente. E as consequências invadem nossos relacionamentos, os mais próximos e os mais distantes também.  
Cada vez mais aumenta a lista das coisas que nos fariam perder tempo. Algumas, a meu ver, de modo bastante injusto. Seria bom conseguir elaborar uma reflexão sobre qual é de fato a nossa maior indisponibilidade atual, cronológica realmente ou afetiva?
Uma boa parte dessas coisas que nos fazem perder tempo, na verdade, proporcionam algum ganho, pequenas pérolas cotidianas que não podem ser medidas, nem mostradas nas redes sociais.  
Algumas experiências que são consideradas desperdício de tempo, na verdade, apenas nos obrigam a perceber, ainda que de modo bastante efêmero e sutil, o constante e inexorável avançar do tempo, e por isso mesmo nos assustam tanto. Tais ações, por mais modestas e banais que sejam, nos auxiliam, se não a compreender o avanço implacável das horas, pelo menos a nos conectar com esta realidade, ajudando a dar sentido e verdade a cada segundo vivido.
Parece perda de tempo, mas na verdade não é:
- Dedicar-se à nova atividade ou habilidade, mesmo que pareça muito difícil.
- Parar tudo e apenas contemplar a paisagem, a vista, um animal, a si mesmo e a própria respiração.
- Visitar pessoa querida sem motivo algum, sem data festiva ou convite.
- Escrever, tentar expressar em palavras o que sente, o que vê, o que pensa ou o que aprendeu hoje.
- Fazer com atenção e consciência plena uma atividade doméstica simples e que será desfeita logo a seguir como lavar a louça, arrumar a cama ou limpar o banheiro.
- Dedicar momentos do seu dia para ler algo sobre tema contrário ao seu ponto de vista.
- Olhar fotografias antigas, de família, de amigos, permitir que os momentos idos evoquem memórias afetivas.
- Reler um livro que marcou em uma época da sua vida.
- Ouvir música antiga, atual, conhecida ou totalmente nova, deixe que os sons te surpreendam.
- Conversar atentamente com pessoas estranhas, com crianças, com idosos.
- Caminhar sem destino
- Ouvir pela milésima vez histórias familiares contadas por alguém que amamos

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