ANO: 25 | Nº: 6308
08/05/2019 Luiz Coronel (Opinião)

Ariscas faíscas

Dedico meus livros aos malabaristas de esquina e leitores que diariamente voam nos trapézios do sonho e da ironia.

Poesia não é pandorga, antes, um par de sapatos. Tem a poeira do dia a dia, dispensa fúteis ornatos.

Literatura é a vida em silencioso convívio com a confidência secreta que se oculta em cada livro.

Nunca diga: - Estou um caco! (Sejamos menos prosaicos.) Junte todos os pedacinhos e declare: - Sou um mosaico.

Se dependesse a história de Encontros, Fóruns, Jornadas, as águas do rio do tempo quedariam congeladas.

Tuas lembranças se apagam qual as lâmpadas nas ruas. Tua luz mantém-se acesa a quem te ama e cultua.

Do amor tudo foi dito, tanto em verso quanto em prosa. O corpo é sempre travesso; a alma, sempre dengosa.

Dos raios de sol tiro ouro, são segredos d’alquimia. Da farinha da tristeza amasso o pão d’alegria.

Numa excursão ao passado, não leves faca de ponta. Nas mãos, dúzias de dálias adoçam um acerto de contas.

En estas viejas comarcas, de insolências e violências, pra lavar nossos pecados, nem mesmo a água mais benta.

A Rainha da Inglaterra proíbe o café e declara:” – Deixa os homens tresloucados, saltitantes como as cabras”.

Nos livros de autoajuda, parte-se em busca da foz quando o rio que nos navega corre e flui dentro de nós.

Eu os vejo, alma em suspenso. E, logo em seguida, constato: - Não há quase, nem talvez. Bailarino é cisne. Ou pato.

Encontrar a si mesmo, em tantos “eus” que já fomos, é descobrir, sob a casca de uma fruta, quantos serão os sues gomos.

Perceba que dualidade a infidelidade contém: nos homens desperta culpa, e, nas mulheres, desdém.

Ó inocências de abril! Ó amarguras de agosto! Com o tempo, é inefável: nossa alma vem pro rosto.

Na casa alugada há um sapo na basculante e peixes descendo a escada. E uma estatueta de São Francisco vestindo chapéu de palha.

Se queres as formas livres e as cores em distúrbio, descobre, acolhe, cultua a obra do mestre Danúbio.

Entregue seu corpo a terra, em vez de pompas e luto; jogue mudas, sementes, muito em breve virão frutos.

Por certo não serei anjo. Ser fantasma é um bom alento. Estarei no além, no aquém, virando cambotas no vento.

O estilo é tudo em tudo, apruma-se o tempo inteiro. Se o galo não tem estilo, é expulso do galinheiro.

As mulheres são todos iguais, e todas elas diferem. O sábio Freud pergunta: “- Afinal, o que elas querem?”

“Mulher” como tal não existe, não há nada que as unifique. Como chegar a um conceito, sem uma seta que indique?

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